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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tarde demais!


Menino: Alô?
Uma voz mansa e suave responde do outro lado da linha!
Menina: Olá!
Menino: quem é?
Menina: sou a felicidade iludida...
Menino: o que você quer?
Menina: dizer que te amo...
Menino: De novo? Eu já ouvi isso mais de 15 vezes, você não se cansa?
Menina: quem ama não cansa!
Menino: mais eu canso... Eu não amo você!
Menina: o quê?
Menino: é isso mesmo, por isso me chamo ilusão do amor!
Narrador: neste exato momento uma lágrima corre a face da menina, até o momento de desabar no chão.
Menina: como você pode dizer isso?
Menino: dizendo oras, não devo nada a ninguém!
Menina: deve sim... Deve-me seu amor!
Menino: O que? Amor?
Menina: sim... você me fez voar tão alto e agora diz que não me ama?
Menino: Você deve tá ficando louca...
Narrador: E as lágrimas insistentemente não paravam de rolar!
Menina: eu estou louca... Pois acreditei em você!
Menino: você sabia que era só amizade não é?
Menina: é claro que não... você veio falando coisas românticas me fascinando com palavras e ainda me deu um !
Menino: um ? Aquilo nem foi um ...
Menina: não foi? E o que foi então?
Menino: um selinho...
Menina: e um selinho não é um ?
Menino: não...
Menina: quer dizer que não significou nada para você?
Menino: significou!
Menina: o quê!!!???
Menino: uma menina a mais no final do mês... agora vô desligar...
Menina: não, por favor!
Menino: por que?
Menina: porque eu te amo...
Menino: qual o valor que você me dá?
Menina: felicidades...
Menino: eu espero coisas materiais...
Menina: eu vou ser sua...
Menino: isso não vale... Quanto você custa?
Menina: por que esta pergunta?
Menino: porque se eu enjoar vou poder te colocar na bolsa de valores!
Menina: o que fiz para você me tratar assim?
Menino: me amar! Agora vou desligar...
Menina: não, por favor!
Menino: quer parar com isso? Não enche!
Menina: não, por favor, não desligue... Fala comigo... Pelo amor de Deus responde que me ama.
Menino: escute aqui, eu já estou farto de você, agora vê se me esquece, se toca!
Menina: eu prefiro morrer há te esquecer
Menino: ah é? Então se mata!
Menina: não... Por favor, não faça isso comigo... Eu te amo!
Narrador: alguns dias depois...
Curioso: do que morreu esta garota enfermeira?
Enfermeira: de intoxicação... Provavelmente tomou várias quantidades de vários remédios diferentes...
Curioso: coitada... Ela tinha algum problema?
Enfermeira: sim... Sofria de amor...
Narrador: E então no dia do enterro da menina, o garoto que ela amava, comparecia no local prestando sua última homenagem, jogou uma rosa vermelha e falou baixinho: EU TE AMO!
E lá de cima: ela olhando tudo respondeu para si, e para os ventos que soprava... É TARDE DEMAIS...

Moral: Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Se você ama uma pessoa diga a ela! Pois amanhã pode ser tarde DEMAIS!

sábado, 25 de abril de 2009

Heróis (João Silvino)

"Precisa-se de heróis, não os dos filmes que exterminam seus inimigos, mas que, com certeza, também ensinam os atalhos para a violência, que fora das fantasiosas telas faz-nos vítimas, não somente pelas ações, mas pelo medo.
Precisa-se de heróis que possam criar um mundo novo, mais justo, onde não haja tanta destruição do patrimônio vida.
Não precisamos de doutores engravatados que, na ânsia do poder político, se esquecem do povo; aquele que continua à espera de um milagre, de uma receita econômico-social em que a saúde não seja paliativa, em que a casa tenha teto, em que a educação tenha páginas, em que o emprego não seja somente o das palavras e que a infraestrutura não seja ilustrativa para inglês se deslumbrar."

sábado, 18 de abril de 2009

Novos tempos... velhos problemas


“Não assusta a mais ninguém dessa geração robotizada pelo modismo, o fato de tomar anti-depressivo. E com espanto os vemos aceitar essa condição com a maior naturalidade. Bem, e quanto ao resultado disso? Cérebros amortecidos, sensações camufladas. Mentes criadas para pensar, agora condicionadas a medicamentos controlados.
Algumas pessoas assustadas com o fato, procuram “ajuda espiritual” em templos de Umbanda depois de longa ladainha pelos consultórios médicos. Ali, mesmo “desconfiadas”, ousam solicitar um “trabalho”, pois, com certeza, são vítimas de “coisa feita.” Impossibilitadas de discernirem sobre as questões íntimas, facilita-lhes terceirizar o problema, culpando qualquer um com quem teve alguma contenda ao longo da vida.
Sorte daqueles que encontram no local médiuns sérios, estudiosos e assim podem receber orientação segura. O maior problema reside nas armadilhas em que podem cair devido à fragilidade emocional que se encontram. Na tentativa de achar um milagre, seguem o endereço dos folhetins de esquina que oferecem a bom preço o “trabalho resolve-tudo” de supostos médiuns videntes que se denominam “Mãe disso ou Pai daquilo” (usando o sagrado nome dos Orixás). Lá deixam seu salário do mês – pois o único objetivo desses milagreiros é ganhar dinheiro – e retornam com a decepção, além da companhia nada agradável de algumas energias pesadas. Mas a parte triste disso tudo é que a partir de então, além da doença, a descrença; passam a discriminar a Umbanda e a mediunidade.
Os religiosos em geral, no seu comodismo, se fixaram em suas “bíblias” esquecendo-se de que a evolução se dá no dia a dia e, em pleno século XXI, ainda insistem em pregar sobre milagres. E assim, a verdade sobre o espírito, sobre reencarnação e mesmo sobre a vida, que é algo sabido, mas omitido por eles, fica escondido embaixo do tapete para perpetuar a mentira. Deixando de ensinar o certo, permitem que suas ovelhas caiam nas armadilhas da ignorância.
Não quero aqui eleger a corrente da Umbanda ou Kardecismo como a “milagreira” das horas de apuro, mas como alentadora e esclarecedora sobre os valores tão esquecidos pela humanidade e os médiuns estudem e se atualizem, verificando que a necessidade dos filhos de fé vai além do fenômeno da incorporação ou da receita de certas oferendas, mas principalmente, da orientação segura e fraterna.
No nosso tempo atual é necessário que exista um amadurecimento em todos nós no sentido de que não podemos mais, como fizeram/fazem muitas religiões, nos ater somente naquilo que nossos ancestrais nos passaram. Não que isso não mereça importância, mas precisamos e devemos difundir/esclarecer sobre as doenças da alma e, sobre a necessidade de reforma íntima. Educar os vivos para que não sofram os mortos.
Como ensina uma sábia preta-velha: “A maior caridade que podemos fazer por aqui é ensinar as pessoas a viverem bem, a serem felizes.” Desmistificando assim a falsa idéia de que estamos todos aqui para “pagar carma”, mas antes para, para aprendermos as lições ignoradas no pretérito.
A maioria dessas pessoas que no presente se vê enrodilhada em profunda depressão, são vítimas não de feitiçaria ou magia negra, mas de sua própria falta de aceitação da realidade. São vítimas da rigidez a que se apegaram, cegando completamente para as coisas transcendentais ao corpo físico. Ignoram ou não querem admitir que é o espírito eterno quem comanda a matéria perecível e não o contrário. Passam uma vida toda só pensando em obter bens para satisfazer o ego e assim, inevitavelmente por força da Lei maior, um dia se vêem obsoletas e sós. Vazias de valores e de sentimentos, se encolhem então em seus casulos fugindo da vida.
Tudo isso é acentuado pelo momento planetário onde se dá uma transformação de valores, cumprindo-se a Lei de evolução dos espíritos. Ressonâncias adormecidas no inconsciente de traumas e vivências pretéritas são agora acordadas por força desse magnetismo telúrico negativo que se acentua dia a dia. Castigo? Não, apenas necessidade evolutiva. No amanhã teremos uma casa mais limpa para morar e necessariamente precisamos estar vestidos com roupas adequadas. Então, a dor vem nos acordar a tempo para aquilo que o amor ainda conseguiu.”

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sorrir


Procure sorrir um pouco mais.
O sorriso é retrato da paz interior, do mesmo modo como se diz que os olhos espelham a alma.
Andando pelas ruas, recebendo em seu lar, frequentando as suas rodas sociais - tenha sempre um sorriso presente em seus lábios.
Não duvide nunca do bem que isso faz, da tranquilidade que exprime, do bem que irradia.
A vida está difícil demais para que possa dispensar o seu sorriso amigo, fraterno e carinhoso.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Quando o remédio vira veneno

Já ouvi muitas vezes que a diferença entre o veneno e o remédio é a dose. Uma cervejinha, um cigarrinho, uma transa apenas, um doce a mais, e por ai vai.Os vícios são o excesso. Mas começam com aquele pouquinho. Só uma tragada. Só um gole. E vão aumentando. A necessidade vai aumentando. E chega um ponto em que a substância ou a ação não proporciona mais o mesmo efeito. É preciso mais, e mais, e mais. Existem espíritos desencarnados que tiveram uma vida entregue aos vícios. Eles se aproveitam dos viciados da terra para literalmente sugar dos encarnados os entorpecentes que estão sendo ingeridos. É por isso que muitas pessoas bebem exageradamente e não ficam bêbadas. Há seres grudados em seu organismo só absorvendo o que é ingerido. Quando estas pessoas percebem que estão se auto aniquilando e resolvem parar, os seus “amigos” farão de tudo para que a vida delas desmorone e assim elas voltem ao vício. Mas não é do interesse deles que essa pessoa se auto-destrua, porque assim perderiam sua fonte. Há casos extremos onde o encarnado é totalmente dominado pelo obssessor, que se alimenta de seu vício. Ele já não tem vida própria. É o outro que vive nele. Quando ocorrem períodos de abstinência, o encarnado praticamente morre, porque o que mantém seu organismo funcionando não é mais a sua energia vital, e sim a do obssessor. É a chamada “simbiose”. Então imagine que tudo começa com um pouquinho. Na fase de achar que se tem domínio sobre a vontade é que mora o perigo. É nesse momento que o encarnado cai. “Posso beber e fumar todas porque tenho auto-controle” . E assim, do outro lado, a festa está garantida. (Texto da Jornalista Débora Claúdio)

domingo, 12 de abril de 2009

Caminho


Ninguém de nós é o caminho. Em verdade, cada pessoa está no caminho da vida fazendo caminhos. A grande pergunta seria: Para onde estamos caminhando? Qual o nosso endereço? Quando encontramos uma pessoa altamente espiritual sentimos vontade de segui-la porque, parece-nos, ela tem um endereço certo e não duvida do caminho. O endereço resplandece em suas atitudes e certezas. Seu comportamento qualifica, serve e testemunha seu destino. Nela, caminho e endereço são uma coisa só.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Mundo atual e subjetividade: um desafio ao psicanalista (Marcio de F. Giovannetti)


O que é o mundo atual? Difícil de definir, o mundo. Mas a palavra atual nos coloca de chofre no centro da problemática de hoje. Em que momento começa algo como o 'mundo atual'? No assassinato do arquiduque em Sarajevo? Na Revolução Russa? No Reichstag? No ataque a Pearl Harbor? Na bomba de Hiroshima? Na chegada do homem à lua, coincidindo com a revolução sexual do Ocidente e os movimentos feministas? Na conquista do espaço cibernético? Na queda do muro de Berlim? Na globalização econômica? Na clonagem da ovelha Dolly? Em 11 de setembro de 2001?
Se há algo que permanece hoje em nosso mundo é a idéia de pós. Tudo o mais parece extremamente provisório. A palavra atual parece significar hoje e apenas hoje. Aqui e agora. Ou melhor, apenas agora, pois a própria idéia de "aqui" é absolutamente questionável diante da internet ou de um aparelho de televisão. Noite e dia parecem ser coisas de outros tempos, com todas as consequências que isso traz para o animal humano, sonhador e dependente que é de seus sonhos, conforme nos mostrou Freud no início do século XX. Não por acaso, surge alguém como Paul Virilio, um estudioso da velocidade, que trabalhando com as questões relacionadas às catástrofes, acaba por criar o conceito de estética do desaparecimento para caracterizar a perspectiva desse momento histórico. Em uma palavra, poderíamos dizer que o que há de mais característico no mundo de hoje é o desaparecimento da permanência. Tudo se volatiliza. Tudo é descartável. Mas, paradoxalmente, há um aumento da expectativa do tempo da vida humana. Quanto mais tempo vive o homem, menor o tempo de cada uma de suas coisas, sejam elas artefatos, produções culturais ou conceitos científicos. Ser estranho esse, o homem...
Temos algo que se aproxima a uma idéia, a uma definição de mundo atual: é o mundo cujo criador é o homem. Começa-se a escrever um "Novíssimo Testamento". Por isso a proliferação de novas religiões e uma reafirmação fundamentalista das antigas. Por isso o aparecimento diário de novos profetas sejam eles à moda antiga ou travestidos de ídolos televisivos ou de filósofos da pós-modernidade. Quando Walter Benjamin contrapôs a notícia do jornal à narrativa histórica, não tinha a mínima idéia de que hoje a narrativa jornalística, por ter a duração de 24 horas, chega a ser quase que clássica se comparada aos noticiários "ao vivo" de nossas TVs e às notícias de última hora da internet. Em minutos, criamos e destruímos um pedaço deste novo mundo, admirável como o nomeou Aldous Huxley. Mas apenas admirável: uma miragem impossível de ser usufruída, digerida. Pois as alucinações só satisfazem os desejos e as necessidades por um curto período de tempo.
Desse ponto de vista, causa mesmo estranheza que as torres gêmeas de Nova York tenham durado três décadas: 30 anos são sempre um tempo demasiado longo para toda e qualquer alucinação. O cartão postal de Nova York jamais será o mesmo depois de 11 de setembro de 2001. Mas era apenas um cartão postal, é necessário enfatizar. Nunca encontramos na vida real as imagens de cartão postal, isso já o sabíamos. Ela é sempre mais feia, mais dura que nossos sonhos. Há sempre que questionar as fachadas dos sonhos, nos alertou Freud. Há sempre que ver o seu reverso. Mesmo assim, há sempre o seu umbigo, aquele ponto no qual sua capacidade representacional da vida de cada um de nós se perde na vida grupal e, para mais além, na vida da espécie. Animal estranho o homem, esse bípede que apóia uma perna em seu narcisismo e a outra em seu socialismo, uma em sua ontogênese e a outra em sua filogênese; que começou sua vida num ambiente aquoso e a continua em um ambiente terrestre. Mas sempre visando aos céus, lugar das certezas.
Como no reverso de um parto de gêmeos, onde um aparece primeiro e depois o outro, aqui se tratava do desaparecimento de um e depois, do outro. Foi a sequência inicial do filme 2001: Uma odisséia no espaço filmada ao reverso. Realizado no final dos anos 1960, no filme de Kubrick o ano de 2001 nos era apresentado pela transformação de uma ossada atirada ao alto por um macaco em uma nave espacial. O 2001 real nos foi apresentado com a transformação da nave em uma arma de guerra. E o fundo musical não era Strauss. O vozerio humano de 2001 não era muito diferente das emissões sonoras dos macacos do início da civilização ao se depararem com o monolito negro do filme de Kubrick. O contraste: lá e então se tratava do nascimento da civilização. Agora se tratava do confronto explosivo de nossas culturas.
Menos de um mês depois, novas imagens tão chocantes quanto aquelas: clarões provocados por mísseis de US$ 2 milhões cada, explodindo sobre um terreno desértico, rochoso. Muito parecido com o terreno filmado por Kubrick do ano zero da civilização. Nunca foi tão evidente que o homem é como uma rocha, resistindo sempre à castração simbólica. E que se mutila desenfreadamente, sendo ainda a mais letal das armas de guerra, a mais eficiente delas, seja ele ocidental ou oriental, fundamentalista religioso ou ateu.
A primeira bomba atômica, jogada sobre duas cidades gêmeas, Hiroshima e Nagasaki, em 1945, encerrou todas as guerras. As radiações por ela emitidas deram início a um novo estilo de violência que se tem manifestado em diferentes formas, locais e registros. Esse foi o alerta que Alain Resnais nos fez, ainda no início dos anos 1960, ao chamar seu mais polêmico filme de Hiroshima, mon amour, impactando a nós todos com a justaposição das palavras Hiroshima e amor, significantes tão antitéticos e ao mesmo tempo tão reveladores de nossa estética e de nossa ética modernas.
Neste mundo atual, do "Novíssimo Testamento", tudo é provisório. Permanente mesmo é a miséria humana. Estranho animal o homem: andando sempre em círculos, desgovernado, explodindo rochas e cidades, exilado de fronteira alguma, expondo suas feridas sem o menor pudor, encontrando sempre uma forma de transformar seu bem maior, suas culturas, em ferramentas de guerra e de terror. Só há uma palavra para nomear nosso sentimento diante de nossa própria imagem: perplexidade.
Nossos tratados de psicopatologia pouco nos servem agora. Como falar de sanidade e loucura neste aqui e agora? Tampouco nos são de muita ajuda nossos tratados legais, nossos códigos de leis. Como legislar sobre a família e os parentescos ou sobre as doações de órgãos de um indivíduo para outro é a questão de ordem para advogados e juízes do mundo todo. Sem falar no debate intenso girando em torno das clonagens. O escravagismo assumiu também outras formas: a quem pertence um determinado corpo humano é questão central emergente neste momento em que determinados órgãos já podem ser permutados. Ou vendidos. Em que o útero de uma mulher pode ser utilizado para receber embriões fecundados in vitro ou criados a partir de uma célula epidérmica.
Qual a subjetividade para o século XXI? Se no início século XX, Freud chocou o mundo científico ao descrever o homem sendo movido por suas paixões inconscientes, conceituando o sujeito desejante e enfatizando a natureza traumática de sua sexualidade e de sua identidade, é fundamental que o psicanalista de hoje possa repensar, a partir do contexto atual, a subjetividade emergente neste novo século. Como fica a teoria dos sonhos clássica quando a mais natural das fronteiras, aquela entre o dia e a noite, está apagada pelo uso sistemático da internet? Como fica a problemática da identidade e do sujeito quando as fronteiras geográficas se diluem no espaço cibernético? O achatamento do imaginário decorrente do excessivo bombardeio imagético a que toda pessoa é submetida configura o trauma do novo sujeito: não mais sexual, o trauma fundador da nova subjetividade é informacional.
Se há 100 anos o foco da psicanálise era colocado na sedução traumática constitutiva do sujeito, hoje é necessário que ele se desloque para o impacto traumático provocado pelas imagens midiáticas na constituição de todo sujeito. Se Hanna Arendt nos alertava nos meados do século XX para a "banalização do mal", o alerta que deve ser lançado agora diz respeito à banalização tout court: com a diluição das fronteiras e com a inundação imagética, a espessura e a densidade necessárias à constituição de uma identidade singular e privada desaparecem na mesma proporção em que a velocidade das trocas efetuadas entre o mundo externo e o mundo interno é feita.
Portanto não é de se estranhar que os correspondentes clínicos atuais da neurose de antigamente sejam a anorexia, a bulimia, a depressão difusa e a indefinição de metas de vida. Todos eles denunciando que os mecanismos de troca entre um interior e um exterior estão afetados ou impossibilitados de existir.
Nós, psicanalistas, temos alguma experiência em trabalhar com a provisoreidade dos conceitos, com o aqui e o agora, em que nem o aqui é necessariamente o lugar onde estamos nem o agora é o tempo marcado pelo calendário. Portanto, é mais do que hora de sairmos de nossos consultórios e levarmos um pouco da experiência aí adquirida para o mundo de fora. Não para diagnosticá-lo, nem tampouco tratá-lo. Mas para tentarmos pensá-lo. Juntamente com os demais ramos das humanidades. Pois nunca ficou tão evidente quanto agora a estranheza do homem e do mundo.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Discutir


sábado, 4 de abril de 2009

Sua vida


"Para sonhar com um futuro é preciso está acordado no presente. Pois a vida é “hoje”, o amanhã é um “talvez” e o passado é um “nunca mais”, um caminho sem volta.
Correr, correr, sempre correr, e ter a impressão ou talvez a certeza de estar sempre atrasado… É assim que você se sente hoje? Nessa vida cheia de compromissos, onde se vive em prol do trabalho, da faculdade, da família e para o mundo… mas, não se vive intensamente para si mesmo.
Quantas vezes neste mês você parou e olhou o céu? Ou quantas vezes nessa semana você parou para se alongar? E aí, você já parou hoje para ler algo que traga edificação a sua vida?
Não adianta dizer que o tempo acabou, que não há espaço para mais nada na sua vida… Se hoje, você se dá ao trabalho e esgota as suas forças na labuta diária, saiba que a labuta diária não vai parar se você adoecer. Saiba que o mundo não vai parar se um dia um leito de hospital te abrigar…
Sua vida é muito preciosa, cuide-se! A vida é hoje. Para se ter futuro brilhante, é necessário começar a iluminar seu agora… Antes de tudo, pense na sua saúde, na sua qualidade de vida. Se tiver que guardar alguma coisa dentro de você, estoque amor, paz, compreensão, encorajamento e todos os bons fluidos, e então descarte toda a negatividade, descarte o medo, a inveja, a falta de amor e tudo o que for danoso ao seu viver."

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cidadania


Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade para melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca se esquecer das pessoas que mais necessitam. A cidadania deve ser divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação.
A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os muros, respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como todas às outras pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer obrigado, desculpe, por favor e bom dia quando necessário... até saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas, o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso país.
"A revolta é o último dos direitos a que deve um povo livre para garantir os interesses coletivos: mas é também o mais imperioso dos deveres impostos aos cidadãos.” (Juarez Távora - Militar e político brasileiro)
Seja você adolescente ou adulto, não permita que a idéia de que somos desinteressados da realidade em que vivemos se prolifere: levante, lute e combata. Enquanto houver uma criança passando fome não se pode falar em felicidade e, muito menos, em cidadania. Conquiste seu título honroso de cidadão combatendo as atrocidades que hoje se alastram por cada canto de nossa sociedade. Através da cidadania é que iremos alcançar uma melhor qualidade de vida humana.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Preconceito


"Posicionar-se e lutar contra o preconceito e a discriminação não é, tarefa somente dos que não se encaixam nos padrões e estereótipos estabelecidos, mas sim de todos os brasileiros e das pessoas comprometidas na construção de uma cidadania plena, em que todos possam ter garantido de fato os mesmos direitos e oportunidades".
“Forma de autoritarismo social de uma sociedade doente. Normalmente o preconceito é causado pela ignorância, isto é, o não conhecimento do outro que é diferente. O preconceito leva à discriminação, à marginalização e à violência. Estas atitudes vem acompanhadas por teorias justificativas. O racismo e o etnocentrismo defendem e praticam a superioridade de povos e raças.
Alguns preconceitos étnicos: “Todo cigano é ladrão.” "O judeu é perverso": v. Anti-semitismo. "Os índios em geral são improdutivos e preguiçosos"; "Todo negro é adepto de feitiçaria". Outros preconceitos: a mulher no volante e o velho vagaroso são ridicularizados e acabam excluídos. Há patrões que defendem: "A todo operário falta a inteligência”. O pobre que "nada tem" (não contribui financeiramente, não compra, não paga imposto) e "nada sabe", é marginalizado na sociedade. Não vendo a sua participação valorizada, ausenta-se. Em seguida, os pobres são acusados de apatia, preguiça, ingenuidade e de fuga nas festas. Finalmente lembramos aqui os preconceitos moralistas contra o corpo nu, contra a dança, a umbigada. E o preconceito contra a magia.
O preconceito pode ser motivado pelo medo. Falta a coragem de ir conhecer um terreiro do candomblé, de visitar um doente com aids. O medo da lepra tem uma história milenar.
Há uma espécie de preconceito espontâneo em relação a tudo que é diferente ou desconhecido. É preciso "des-preconceituar", na igreja oficial, a maneira de ver a religião do povo, mesmo aquilo que pareça estranho ou esquisito ao "modus vivendi" oficial. Na igreja oficial, ainda encontramos cientistas, padres e outros que impõem seu modo de pensar e sentir como norma a todos. Riem dos “outros” ou ficam com dó. E isso atrapalha o processo da inculturação. É preciso entender a manifestação religiosa popular em sua gênese, em suas razões, em seus mecanismos de resistência. A religiosidade popular é a vida e a religião dos pobres e não pode ser reduzida à raridade, ao pitoresco, ao curioso, ao folclórico.
Em 1953, num festival internacional de folclore, em Nice na França, o papa Pio XII advertiu os presentes quanto ao perturbado conceito do folclore considerado por muitos mera sobrevivência dos tempos passados, “digna sem dúvida de ser posta em evidência em ocasiões excepcionais, mas sem grande interesse para a vida de hoje. (...) O fato de esta idéia se encontrar bastante espalhada denuncia uma das mais lamentáveis conseqüências do século presente”.
[1]
A ciência teológica ainda não dispõe de uma linguagem conceitual capaz de abordar, com segurança e sem preconceito, assuntos como: os antepassados e as almas, as simpatias, o transe, a adivinhação, a tradição oral, a revelação divina nas matas ou nas águas, a folia, a dança ritual, as promessas e os ex-votos, a experiência religiosa do negro e do índio, a lavagem do Bonfim.
Há os que entendem a religiosidade popular como "a religião dos que só entram na igreja carregados: no batismo, na primeira comunhão, no casamento e no enterro". Outros afirmam: "O povo tem religiosidade, mas não tem uma fé comprometida". Há quem diga: "A religiosidade popular é uma religião cega que não tem nada de bom para dar ao povo a não ser superstições". Outro preconceito seríssimo ouvido na semana santa: “O povo tem fé no Senhor Morto e não acredita na ressurreição”. Além disso, a religiosidade popular seria “milagreiro”, “pietista”, “conformista”, "individualista".
É um erro achar que a religiosidade, o folclore e toda a cultura popular não devem mudar e que precisam ser protegidas e conservadas em seu estado original e puro. Pensando bem, a cultura do pobre é sua vida. A cultura e a religiosidade popular são dinâmicas e mudam constantemente. O protagonista da mudança é o próprio povo livre, consciente e resistente.”
(Fr.Francisco van der Poel ofm,)


Mais sobre o assunto: MOURA, Clóvis. O Preconceito de Cor na Literatura de Cordel. São Paulo, Resenha Universitária, 1975; SANTOS, Olga de Jesus, e VIANNA, Marilena. O Negro na Literatura de Cordel. Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1989. p.2_________________
Apud: NEVES, Guilherme Santos. “Pio XII e o Folclore”. In: Folclore. (Órgão da Com.Espirito Santense de Folclore). Julho‘58-Junho’59. p.3.

quarta-feira, 1 de abril de 2009


Você, muitas vezes, vai à frente de um espelho.
Para quê?
É claro, para ver o seu rosto. Não importa aqui saber se é para satisfazer à sua vaidade ou se é por natural necessidade.
É no pentear dos seus cabelos. No exame de seus dentes. Na observação de uma ruga. Enfim, no dia a dia de si mesmo.
Disso você nunca se esquece, porque tem que se cuidar, para se apresentar diante dessa sociedade que observa as aparências externas.
Mas, quem pode ver como vai a sua alma?
Não se esqueça, é a sua consciência.