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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Inteligência


"Costuma-se dar ao conceito de inteligência uma interpretação nem sempre lisonjeira. Arrogância, insensibilidade, racionalismo exacerbado, estranheza, estes são alguns adjetivos pouco elogiosos que podem ser associados ao exercício de conhecimento e aprendizagem intensos, frequentemente ligados à inteligência. A pessoa inteligente pode ser considerada excêntrica, algo deslocada do meio usual – é admirada ao mesmo tempo que é temida. Pode se transformar em alguém preso a complexas formas de expressão, a estudos complicados e excessivamente especializados, longe da realidade comum e cotidiana – seriam homens e mulheres que passam suas vidas tentando compreender a migração dos ursos pardos da Sibéria, ou as interações bio-moleculares dos sistemas genéticos humanos, ou ainda os efeitos das energias gravitacionais nos campos estelares binários. Para a maioria das pessoas, o uso da inteligência pode representar uma espécie de barreira à normalidade social (como podemos conversar com um intelectual sem cair naqueles assuntos rebuscados – e algo entediantes – que eles tanto gostam?), ou pelo menos uma estranha forma de viver. Na escola ou universidade, costumamos desprezar nossos colegas muito inteligentes, considerando-os desajeitados socialmente, feios, separados da realidade "legal" das festas e da superficialidade divertida. Pois, sob muitos aspectos, o conhecimento pode se tornar opressivo, sério, confrontador. A grande maioria dos seres humanos pouco conhece, ou elabora, aqueles assuntos considerados complexos demais, alienígenas demais. Ao mesmo tempo, a idéia de que possamos falar idiotices diante de pessoas brilhantes nos aflige, nos deixa na defensiva, temendo a humilhação inevitável que o confronto intelectual pode conduzir a todo indivíduo que ousa enfrentar as tortuosas vias do conhecimento.
De certo modo, existe realmente um aspecto pedante na inteligência. É possível encontrar homens ou mulheres de grande conhecimento, e que no entanto sofrem com excesso de orgulho ou vaidade intelectual. Eu até mesmo considero esta uma das mais graves moléstias passíveis de ocorrer na mente humana, quando ela sucumbe aos excessos opinativos, à inúteis elucubrações, ao exercício do conhecimento puramente acumulado e sem nenhuma sabedoria. Mas não devemos imaginar que este processo existe devido à inteligência em si; ele ocorre única e exclusivamente em função dos limites egoístas que podem acometer a uma pessoa, e o egoísmo vem a ser uma moléstia que provoca o desequilíbrio perceptivo sob muitos prismas, de muitas formas.
Mas, afinal, uma pessoa de conhecimentos é uma pessoa inteligente? Qual seria o critério que determina o sentido último da capacidade intelectual humana? Na verdade, a inteligência (como fenômeno perceptivo) possui uma natureza insuspeita, muito além do simples acúmulo de idéias, técnicas ou "expertise". Sim, eu sei que novas propostas sobre a natureza da inteligência surgiram nas últimas décadas, mas não é minha intenção apresentar uma abordagem pioneira sobre o assunto; meu interesse é simplesmente refletir sobre o papel na inteligência no exercício da compaixão. (...)"

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Tam Huyen Van (2007)
Em:
http://mentessobredotadas.blogspot.com/

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Credibilidade


domingo, 23 de agosto de 2009

O universo é chato

O que mais tem na internet são textos apócrifos atribuídos ao Arnaldo Jabor, mas este, eu garanto que é dele. Muito bom, o estilo "jaboriano" é inconfundível, frenético, arejado. Aí, li, pela primeira vez, ele filosofando sobre o universo. Imperdível, publico aqui o texto.

Vamos combinar: o universo é chato para cacete.
Os telescópios não param de olhar e só veem a mesma coisa: energia virando matéria e vice-versa, buracos negros, galáxias aos bilhões, explosões sem fim, e nem uma colherzinha de chá de "sentido", nada. Quanto mais se procura, menos se acha. Isso acontece porque por trás de "achar" há a ideia de que "algo" ele será. Ou seja, o universo não é o que é, mas sim outra coisa que não sabemos. Não dá nem para dizer "é", pois, o que significa esta palavrinha? O universo não é redutível a um sentido. Ao pensar, com tempo e espaço, já estamos "criando" sentido, fazendo o mistério caber em nosso parco entendimento.
Que significam nossas palavras e conceitos? São gemidos diante de algo inatingível, pois não há o que atingir. Kant é imbatível.Hoje estou "filosófico", porque fico olhando as galáxias de um livro que ganhei para esquecer os horrores da política dos micróbios que nos assolam. De um lado a galáxia de 13 bilhões de anos-luz; do outro, os três porquinhos senadores.
E se o Sarney é escritor, por que não posso ser filósofo? Pois li também (adoro) textos como o "universo elegante", sobre a teoria das cordas; não entendi nada, mas li também sobre Big Bang e Big Crunch, e ouso dizer que acredito no Big Crunch.
Agora, provou-se que o universo tem massa, mesmo no vácuo, pois ele é preenchido por "neutrinos", mínima partícula elementar que tem massa e pode atravessar "milhões de milhas de chumbo sem ser notado; ele deve ser a matéria escura que enche o universo todo", gemem os cientistas, cegos de tanta evidencia misteriosa.E foi então, senhores, que eu tive a iluminação: Big Crunch não é nome de sanduíche do McDonald's. É o destino do universo.Por segundos, entendi o infinito, como o personagem de Borges no Aleph!
Pois aqui vai então o sentido da vida.O neutrino é um dos tijolos do universo. O neutrino foi descoberto quando alguns cientistas viram perplexos que as partículas que emanavam de um material radiativo não voavam em todas as direções, sem rumo, mas seguiam uma trilha clara, numa direção dada, como se fossem desviados por algo. Este algo só podia ser uma cama de partículas misteriosíssimas, a que se deu o nome de "neutrino".
Se existe uma partícula com massa criando a matéria escura do universo, desfaz-se uma antiquíssima noção, que é a de "sim" e a de "não". Melhor dizendo, se os espaços siderais estão preenchidos, é sinal de que não há o "nada". Nada não há. A ideia de "nada" e de "tudo" é uma ideia de viventes. Como você vai morrer, o seu cérebro se programa para imaginar que "há" uma coisa e "não há" outra. De que há o "cheio" e o "vazio", de que há o vivo e o morto. Ideia de viventes. Muito bem, se a matéria escura está em tudo, há um aterrorizante "continuum" que nos liga a todos, os seres "em si" e os seres "para si" - coisas e homens.
Pelo pouco que sei, acho que a pessoa que andou mais perto da verdade foi Spinoza com sua ideia de "substância" e depois Nietzsche, com a recusa a dar aos pensantes qualquer superioridade em relação a um rato ou uma pedra.Se com o neutrino tudo está preenchido, deduz-se que o universo não está se expandindo na direção de um outro lugar. Não há "outro lugar". O universo está se expandindo em relação a si mesmo, para um dia chegar a si mesmo, se bem que não houve "ponto de partida", pois não houve "partida". O tal Big Bang faz parte simultaneamente do Big Crunch, o colapso do universo sobre si mesmo, recomeçando eternamente.
A filosofia moderna celebrou o fim do sujeito, mas agora estamos perto do fim do "objeto". Portanto, não há objeto, porque só pode haver sujeito e objeto se houver intervalo, vazios, diferença. Não há.Quando Descartes falou: "Penso, logo existo", estava dizendo: "Penso, logo, penso que existo." Descartes estava apenas inventando o "sujeito", ou melhor, inventando o francês, aquele sujeito em dúvida com uma "baguete" de pão debaixo do braço.Estamos todos mergulhados num caldo de cultura infinito, onde parece que boiamos; apenas ''parece'', pois somos também o caldo onde boiamos. A mosca e a sopa são a mesma coisa.
Mas, a ciência acha que chegaremos a um fim, a uma espécie de "revelação", como se, seguindo a "estrada de tijolo amarelo" chegaríamos a Deus, ou, pelo menos, ao Mágico de Oz. A ciência vai colapsar sobre si mesma, como o universo. E não só não encontraremos ninguém, como tampouco o nada, porque o "nada" não há, nem "ninguém" não há. Nada se definirá, nem energia nem matéria, pois são a mesma coisa, uma se bombeando para dentro da outra, numa trepada eterna de desmanches e recomposições. Assim, a física moderna tira-nos qualquer esperança de encontrarmos uma resposta, o que pode ser até o início de uma nova arte de ser.Se não vamos chegar a nada, não temos de descobrir resposta para nada. Não porque Deus não "exista".
Deus existe sim; ou melhor, Deus existe não como coisa a ser "atingida". Deus, senhores, é este eterno oscilar (arghhhh!) entre matéria e energia, entre os quarks mais remotos e as grandes galáxias. Há uma correspondência "ôntica" (perdão...) entre as estrelas e nosso sistema de vida e morte, de "sim" e "não". Nada "ex-iste", no sentido de estar fora de algo - ("ex-sistere" - estar em pé, do lado de fora) Fora de quê, saiu "de dentro" de onde?Em verdade vos digo, ó raríssimos leitores, que Deus existe, mas não é pai. É tão órfão quanto nós, um Deus-matéria, orfão de si mesmo.
A única coisa que nos resta é a grande paz da ausência de esperança. A razão humana devia parar de querer atingir um "futuro".
A razão tinha de ser um Big Crunch, mordendo o próprio rabo, voltada para dentro, para nós os homens, para nosso prazer e saúde. Portanto, já que o Brasil político não anda, já que o PMDB teve o Big Crunch, que Lula se acha "Deus", eu fundo aqui, ó incréus, um novo panteísmo pós-moderno, um panteísmo materialista, com um Deus que não "ex-iste".
O Brasil é a prova do Big Crunch!Somos todos iguais - parte de Deus. Este é o sentido da vida.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Bioética*


* Bioética é um neologismo construído a partir das palavras gregas bios (vida) + ethos (relativo à ética). Segundo Diniz & Guilhem, "...por ser a bioética um campo disciplinar compromissado com o conflito moral na área da saúde e da doença dos seres humanos e dos animais não-humanos, seus temas dizem respeito a situações de vida que nunca deixaram de estar em pauta na história da humanidade..."

“Existem brasileiros vivendo ao nível de primeiro mundo, instalados no centro e nos bairros nobres das grandes cidades. Esses brasileiros estão circunscritos pela vizinhança de um outro mundo de brasileiros favelados, desempregados e marginalizados, vivendo em condições sociais e econômicas bem distantes daquelas dos centros desenvolvidos. Mais distantes ainda dos centros de desenvolvimento urbano, sobrevivem os brasileiros das populações rurais em evidente situação de pobreza, analfabetismo e miséria social. Somos milhões de brasileiros pobres, isto é, sem renda para atender às necessidades básicas, dos quais, uma boa parte destes milhões são indigentes, ou seja, não conseguem satisfazer nem as necessidades alimentares. Aproximadamente, um em cada três brasileiros é pobre ou indigente. Em outras palavras, cerca de um terço dos brasileiros estão ficando a meio caminho do próprio ser. Mais grave ainda, somos milhões de crianças fora da escola e milhões de analfabetos com idade de 10 ou mais anos.
Sendo o valor da vida humana igual para todos, percebemos neste universo de profundas desigualdades sociais que os princípios da Bioética tornam-se utópicos.
Como pensar na justiça de igual acesso aos bens de saúde, se muitos nascem, adoecem e morrem sem assistência médica?
Como falar de autonomia àquelas pessoas que sequer têm autonomia para administrar a própria fome e são destruídos por ela?
Como zelar pela beneficência, quando o próprio ser biológico das pessoas, principalmente crianças, é atestado vivo da maleficência social?
Como proteger a integridade física, psicológica e axiológica dessas pessoas se a desnutrição já as comprometeu de forma irreversível?
Aquela pessoa que não conseguiu se desenvolver física e mentalmente por razões de pobreza, já foi violentada em seu direito mais essencial, o Direito de Vir a Ser após o nascimento. A violência a este direito anula qualquer aplicação dos princípios da Bioética.
Será hipocrisia não reconhecer que, à margem da grandeza dos princípios da Bioética, existem multidões de pessoas cuja indigência não permitiu ao imaginário a construção de uma auto-imagem dos próprios direitos. E se a proposta da Bioética é de autêntico respeito a qualquer ser humano, seja ele quem for, ignorar as inter-relações entre os princípios da Bioética e a pobreza, é negar a própria ética dos princípios.
O poder ofuscante dos bens materiais criou a ilusão de que o sofrimento gerado pela pobreza é restrito aos pobres. Ainda que o nosso consciente tente não registrar o sofrimento causado pela pobreza, o espírito humano guarda consigo o drama da miséria da espécie. Cada um de nós é um ser único na sua individualidade, mas a individualidade só existe em função da realidade com os outros. E até mesmo a felicidade de cada um é sempre gerada e compartilhada por outros. Ninguém é feliz sozinho. E do mesmo modo que a felicidade depende da interação com outras pessoas, a miséria e o sofrimento também interagem entre todos.
A humanidade, como um todo, necessita de uma Bioética que demonstre a quebra da harmonia universal provocada pela fome. Uma Bioética que reconheça e defenda o Direito de Vir a Ser após o nascimento como um direito universal, para todos, sem exceção. Ficar a meio caminho do que poderia ser, edifica barreiras de desigualdades sociais e impede a liberdade de aproximação e de interação entre todos. As barreiras sociais criam vazios no espírito das pessoas. Nada substitui o amor não vivido, o afeto não sentido, o diálogo não entabulado com o outro... porque é pobre. A humanidade é única e todos os seus membros compartilham a vida universal da espécie. Permitir que a pobreza destrua uma parte deste corpo finito é permitir limitações à própria universalidade da vida humana.”

domingo, 16 de agosto de 2009

O silêncio dos bons (Tércio Garcia)


“ O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)

Vivemos em um mundo de opostos. Ou somos geniais ou completamente limitados intelectualmente, capazes ou inaptos, justos ou cruéis, verdadeiros ou mentirosos... Como se não existissem as diversas e humanas nuances que determinam nossa personalidade.
Precisamos de rótulos, definições que nos ajudem a identificar as pessoas. Fulano é um gênio, sicrano é desonesto, beltrano é mentiroso. Como se alguém genial não fosse um ser humano suscetível a falhas como qualquer outro. Ou como se nenhum de nós já não tivesse mentido ou cometido algum tipo de desonestidade.
O que diferencia as pessoas são as suas motivações. As atitudes, via de regra, são dependentes da conjuntura, da circunstância, do calor do momento.
Espanta e aborrece perceber o quanto somos superficiais nas nossas análises sobre fatos relevantes que acabam por pautar nossas atitudes e ações futuras. Caminhamos quase andróides sobre frases feitas e conceitos pré-formulados.
Os resultados são invariavelmente pobres em profundidade e nessa análise rasa produzem também uma sociedade incapaz de avaliar questões que exigem mais atenção.
Acreditamos cada vez mais que o resultado imediato é o eficaz e que a síntese é o caminho para esse resultado. Assim, sintetizamos os problemas, as pessoas, os julgamentos e, por extensão, a vida.
As más notícias correm como um rastilho de pólvora, já as boas não encontram grandes espaços no interesse geral. A glamurização do negativo é uma realidade a cada dia mais presente nas nossas vidas.
A reversão deste quadro depende fundamentalmente da consciência de que as coisas ligadas ao bem são muito maiores em quantidade e em qualidade, tanto de satisfação quanto de eficácia, do que as coisas ligadas ao mal.
O mundo continuará o seu curso torto enquanto mantivermos a prática de utilizar uma consciência rígida e exigente para o julgamento dos atos dos outros e outra flácida e compreensiva para o julgamento dos nossos próprios atos.
Valores como o pacifismo, a honestidade e a ética só ganharão a sociedade quando conquistarem espaço dentro de nós mesmos, quando não mais nos referirmos elogiosamente a alguém enaltecendo sua malandragem ou a sua astúcia em ludibriar situações adversas. Quando não mais nos referirmos pejorativamente à educação ou à honestidade de alguém. Só então os bons levantarão sua voz, sem medo de passar por bobos, como sonhou Martin Luther King.
Quando as crianças e os jovens crescerem acreditando firmemente, a partir de exemplos familiares, que princípios éticos e morais são capazes de garantir sua sobrevivência com mais qualidade do que as posturas aéticas e imorais. Aí sim viveremos em um mundo melhor.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Voto Vingança (Silvane Saboia)

Eu sei um dos motivos do Lula ganhar tantos votos no nordeste. Não é uma simples questão de ignorância do povo, eles não ignoram a lama deste governo, nem criança consegue ignorar.
É a estupidez da vingança de classe, a pobre contra a média e alta. Tenho conversado com balconistas, frentistas, garçons, trabalhadores simples do povo. Eles dizem em alto e bom som: Eu quero que o Lula ganhe! Melhor ele roubando que os outros! E olham nos meus olhos e falam: Vocês estão com raiva porque vão perder. Eles acham que a eleição é uma luta entre o pobre e o rico. E até eu entendo isso.
O Senhor Lula simboliza o roubo dos pobres contra os ricos, como se ele fosse um Robin Wood nordestino, mesmo que ele esteja rico o povo não liga mais.
É a vingança social. Uma mágoa guardada e acariciada por eles durante anos. O ódio por aquele que passa num carro bonito pelo que está esmagado num ônibus e fica vendo as diferenças nas ruas. Eles não conseguem ver o problema como um todo e caem na conversa maldosa do PT.
A bolsa- família saída de migalhas do bolso do PT realizou os sonhos medíocres de muita gente. E o governo usa-a do afirmando que esta regalia terminará se o Lula perder a eleição. Eles ainda votam como se fosse um jogo de futebol. Se o time que vai "ganhar" é com o Lula , então votaremos no Lula! Pelo menos em algo nós ganharemos. A ignorância cega os estimula a votar no mais certo a vitória como se fosse uma mera brincadeira.
Fico eu aqui a pensar o que fazer. Estamos num vendaval de mentiras e fantasias. Máscaras usadas pelo governo para ludibriar o povo. Sinto por morar no Ceará aonde estas mentiras são aceitas. Esta massa frágil de pensamentos e idéias sucumbiu ao famigerado governo Lula. Antes eu me compadecia deste povo, o achava totalmente alienado ao que acontece. Agora nem tanto. Vejo uma espécie de alegria reinando no olhar desta gente humilde, um olhar de satisfação diante da corrupção contra o Brasil. Durante anos os políticos engordaram a pobreza, para colher os frutos de sua revolta. Estes mesmos políticos que deveriam ter feito tanto, só deixaram de legado a vingança. Muito conveniente para eles.
Li em algum lugar que política é um jogo em que o governo faz uso do dinheiro dos ricos, promete muito aos pobres pra colocar uns contra o outros.
Acordei cansada. O Brasil precisa de uma renovação total.
Não verei isso acontecer. Não verei a justiça nascer. Não sentirei a pobreza diminuir.
Hoje o governo colhe frutos da pobreza. Fruto que fará este governo de lama continuar.
Sim, o Nordeste talvez eleja o Lula outra vez. O Sr. Lula ganhará por simples ignorância e vingança deste povo que aqui mora. Faltarão sempre escolas, faltará educação, e o milagre do despertar para a verdade.
É óbvio que este governo nunca dará. Continuará engordando cada vez mais este povo humilde e alienado, para felicidade deles. Sinto nojo e tristeza de tudo isso. O Nordeste precisa mais de tudo, de estudo, dignidade, comida, para que as mentes mudem e possam avaliar com justiça e sabedoria o que existe. Isto demorará a acontecer. O governo continuará a sustentar com ilusões a pobreza, pois é de lá que eles se sustentam. Estes votos ignorantes os ajudam a continuar no poder, fazendo estripulias e roubos.E o nordeste dormente consente. O Governo nunca deixará a boa comida e vida melhor para eles, pois temem mentes saudáveis e nutridas, pois poderão pensar com sabedoria.
Só me resta rezar. E pedir que alguém mágico apareça e mude tudo isso. Uma mágica como faço nas minhas montagens. Uma mágica grande! Um idealista, um homem justo e corajoso. Que some a tantos outros.Que o milagre aconteça. Fecho os olhos... Cansada.
O garçom ontem me serviu com ódio no olhar. De onde virá isso meu Deus?
Por que assim que eu cresci não observei este olhar?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Profissional de sucesso


Atualmente há um frenesi para se chegar a um diferencial perceptivo no mercado: “o profissional de sucesso” com aquele algo a mais que o faz respeitado.
Infelizmente a maioria dos profissionais correm atrás somente de estudos e técnicas para capacitá-los a ser um excelente profissional, o que é muito certo e louvável. Mas, há outra questão: esquecem-se de um outro estudo e prática, o do “ser interior”. O estudo para o intelecto é de suma importância, porém não basta. O diferencial que falta vem da inteligência espiritual de cada um, de sua espiritualização. Portanto, quando dizemos espiritualização não estamos falando sobre religião, dogmas... e, sim, da essência do ser.
É a Inteligência Espiritual de cada um que faz com que o ser saiba se relacionar bem com todos, sair-se bem em todas as situações e, principalmente, respeitar o próximo, através de uma aproximação com o transcendental. Quando nos referimos a ter um bom relacionamento, não queremos dizer ter amizades e companheiros por interesse ou puxar o saco do patrão. Porque quando isto ocorre o receptor sente imediatamente as energias negativas, a repulsa e aos pouco se distancia, ou se tiver o mesmo pensamento, age igualmente, o que é muito prejudicial a ambos, a longo prazo.
Comumente tornamos nosso trabalho desgastante por vários fatores, principalmente por querermos o que é do outro, por orgulho, inveja, prepotência... Assim sendo não colocamos amor e respeito em nosso trabalho, não nos relacionamos bem com as pessoas, tornamo-nos antipáticos, depressivos, chatos... É claro que ninguém mais passa a nos suportar e quanto mais conhecimentos adquirirmos nesta situação, mais seremos arrogantes, inconvenientes... distanciamo-nos da humildade,e, conseqüentemente, da luz.
Devemos parar e pensar porque estamos fazendo do nosso trabalho um tédio, porque estamos de mal com a vida, uma vez que ela não fica de mal com ninguém, somente nos dá alguns toques que chamamos de “problemas e dor” que são, na verdade, oportunidades de melhoria.
Todo trabalho deve ser visto como uma benção de Deus e sem vontades exacerbadas, pois estas não somam, somente subtraem. Trocar de emprego e melhorar é um direito de todos. Entretanto, também temos o dever perante Deus e de nossos companheiros de trabalho pelo que devemos agradecer, pois cada situação guarda sua importância.
A benção do trabalho passa pelas nossas mãos e podemos torná-lo o melhor ou imediatamente o pior, isto dependerá de como atuarmos e agirmos. É natural nos afinizarmos mais com algumas tarefas do que com outras, todavia, não sabemos se Deus quer ver como nós nos comportamos perante uma para que possamos merecer a outra. Paremos e pensemos: será que estou vivendo esta situação?
Em todas as atividades que desempenhamos nossas energias ficam impregnadas e são repassadas a outros da mesma forma através da atividade processada. Por que não sermos pessoas amáveis, respeitar e cultivar o bom entendimento, o carinho? Dar um sorriso, um olhar de alegria, simpatia...? Há quem faça um trabalho ruim para que o outro que ficar em seu lugar se saia mal!Você gostaria disto para você? Essa indagação devemos nos fazer sempre, porque conseguiremos nortear e aclarar nossa visão para que acertemos mais.
Já sabemos que colhemos exatamente o que plantamos, é conta de mais e menos. Se não temos nada a oferecer, como podemos exigir dos outros? Será que já não passa da hora de revermos nossos atos e atitudes?
O maior diferencial hoje do profissional, do administrador, do colaborador, enfim, do ser, é predominantemente espiritual e, conforme grandes estudiosos do capitalismo, em termos de escala, será o maior diferencial do milênio.
Um grande profissional, administrador, colaborador, será o que conseguirá relacionar-se bem com os demais. Por isso não devemos jamais manter relacionamentos por interesse, somente quando colocamos amor, respeito, parceria e alteridade é que os relacionamentos se estruturam beneficamente.
Quando estamos de bem com a vida emanamos fluídos positivos, o contrário também é verdadeiro. As pessoas que estão ao nosso lado mesmo sem enxergar recebem estes fluidos bons ou ruins, e com isto a imagem da pessoa, do profissional vai se formando. Tudo o que falamos, pensamos e agimos também traz a sua energia, por isso é que não gostamos de chegar perto de algumas pessoas, no entanto, com outras temos um grande prazer em revê-las e com elas nos se relacionarmos.
Este já é o grande diferencial do futuro, muitos ainda não perceberam, pois a preparação profissional, no sentido de aperfeiçoamento intelectual e técnico, já deve ser inerente. Pessoas que realmente tem o intuito de ajudar, unir, formar grupos de ideais; humanizar-se, espiritualizar-se, galgarão valores incomensuráveis. Porém, estes valores somente são adquiridos através de nossas ações e atitudes que, por sua vez, são conseguidas através do entendimento espiritual, justamente porque nos faz entender as conexões da vida e os seus porquês.
Desta forma aos pouco o prestígio, o sucesso, a satisfação vão sendo sedimentados e estruturados – assim, o sucesso é adquirido e firmado.
Devemos sim querer nos dar bem na vida, sem utilizar os outros como degraus, isso nos complicará imensamente. Estes devem ser sedimentados no amor ao trabalho, dedicação, perseverança, parceria, compreensão... Afinal, fazer ao outro exatamente o que queremos que o mesmo nos faça.
Muitos devem até estar pensando: assim agirei como um tolo!
Reflitam: isto nada tem a ver com tolice ou coisa parecida, muito pelo contrário, é inteligência pura, porque assim seremos pessoas amadas, queridas, teremos amigos sinceros que nos ajudarão nas horas difíceis e reciprocamente. É o maior bem adquirido e o mundo conspirará a nosso favor, trazendo-nos o que merecemos e, sobretudo, o que queremos.
Somente quando internalizamos o bem, é que conseguimos externar reações de equilíbrio, humanismo, compreensão e sabedoria...
Por que relacionar-se bem na empresa?
Isso demonstrara que existe inteligência não somente intelectual, mas a que completa e leva o ser ao sucesso sustentável e não momentâneo: a Inteligência Espiritual, aquela que completa todas as demais. (Leontina Rita Acorinti Trentin)
Os bens intangíveis nos permitirão ter o devido valor e respeito, adquirindo prestígio e toda ordem de satisfação e sucesso.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Basta (Andreia Borges)

Eu não aguento mais tanta ilusão
Chega de tanta corrupção
E de tanto ladrão
Seja o de gravata ou o pé no chão

Não quero mais ser cega
Taparam meus olhos, ninguém nega
E só agora posso ver
Que a segurança está muito mal valorizada
E saúde a cada dia mais escassa
E a educação nem vou falar
Porque essa nem mais há

Não sejamos mais hipócritas
Levantemos e gritemos feito ópera
Para nossa situação mudar
E a verdadeira justiça seja feita!

Que os direitos humanos sejam para humanos direitos
Para o pai de família que leva em seu peito
A responsabilidade de lutar
Enquanto vários tentam o roubar
Roubando sua dignidade
Através de políticas de maldades

Sociedade eu quero ver
O que você pode fazer
Se convivemos ainda com o cale-se
Mas este camuflado no fale!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Meu Deus, salve-nos!

Este texto objetiva expressar uma decepção pelo fato de sentir-me ludibriado , enganado como muitos outros brasileiros, tendo conhecimento de que os “políticos” usam recursos que poderiam ter sido usados em coisas mais urgentes e fundamentais, como por exemplo, no sistema educacional, saúde e segurança, mas não, usam nosso dinheiro como bem querem, de maneira inútil.
Na realidade o que me incomoda não são os escândalos que diariamente são informados através da imprensa. Incomoda-me o que os nossos “congressistas” fazem para acabar provocando os escândalos.
Brasília, infelizmente, mais parece a “casa da mãe Joana”, onde cada um faz o que quer e não se incomoda com o que pensam disso. Tudo acaba mesmo em pizza...
Eu acho que o povo já se acostumou ou seja, já se acomodou com os escândalos, brasileiro só quer saber de novelas e futebol, o resto que se dane.
O que mais decepciona é o fato de que tudo o que vem acontecendo, irá continuar porque existem duas classes (maioria) que sustentam a permanência dos “espécimes politicus” que continuarão, por muito tempo, a “reinar” em Brasília.
Uma classe é a do pessoal que recebe o Bolsa Família (moeda que compra votos). A outra classe são os “espertalhões” que:

- Compram recibos para abater na declaração do imposto de renda e pagar menos imposto;
- Mudam a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas;
- Quando viajam a serviço pela empresa, se o almoço custou R$ 10,00 pedem nota de R$ 20,00;
- Comercializam objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estacionam em vagas exclusivas para deficientes e idosos;
- Adulteram o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado;
- Compram produtos piratas com a plena consciência de que são piratas;
- Substituem o catalizador do carro por um que só tem a casca...;
- Diminuem a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem;
- Emplacam o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA;
- Frequentam os caça-níqueis e fazem uma fézinha no jogo de bicho;
- Etc., etc., etc...
Realmente, é lastimável a situação do Brasil onde tantas pessoas vivem com menos de um salário mínimo e a classe política realizando a maior “farra” com o dinheiro público.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Vir a Ser

A maioria das pessoas, nas grandes cidades do mundo, chegam em casa e tiram o paletó ou casaco, os sapatos, as meias. Este exercício já as deixam exaustas. Não possuem mais a vivacidade e nem mesmo a vontade que tinham há anos atrás.
Sentam-se para comer. Os pratos postos à mesa denunciam o que são: fritas, gorduras, álcool, condimentos. Não gostam de comida diet ou light. Gostam de comida "fight". Gostam de tudo que dizem fazer mal, mas que sem dúvida nenhuma é muito mais saborosa.
Ganham barriga, falta de cabelos e os poucos que restam, esbranquiçados, que agora são reais, ontem já não eram.
Os cardiologista, aconselham que mudem seus hábitos. Dizem que não podem fumar, não podem beber, deveriam fazer exercícios físicos diários. E mesmo que sejam proibidas, não cessam com o cigarro, com o uísque e não fazem um único exercício.
Nietzsche, em seu livro "Obras incompletas" tem um texto capitulado "A filosofia na época trágica dos gregos". Neste trecho ele comenta a visão de Heráclito de Éfeso sobre o problema do vir-a-ser de Anaximandro, filósofo grego pré-socrático. "O eterno e único vir-a-ser, a total inconsistência de todo o efetivo, que inconstantemente apenas faz efeito e vem a ser mas não é, assim como Heráclito o ensina, é uma representação terrível e atordoante, e em sua influência aparenta-se muito de perto com a sensação de alguém, em um terremoto, ao perder a confiança na terra firme..."
Quero chegar com as palavras floreadas de Nietzsche a uma degradação biológica constante que existe a cada milésimo de segundo que se passa no universo. Se o leitor chegou a conclusão de que fiquei louco, tenho a leve impressão de que está absolutamente correto. Mas posso me explicar.
Vamos supor que a expectativa de vida de uma pessoa seja de dois mil anos. Poderíamos muito bem ficar lendo esta crônica durante dois dias seguidos, sem pausa pro cafezinho. O que são dois dias comparados a dois mil anos. Alguns minutos. Mas a vida humana vive apenas oitenta anos em média. O que quer dizer que a cada milésimo de segundo a degradação biológica vai enfatizando-se até completar seu estado completo, ou seja, a morte. Mas nem após a morte essa degradação se completa. Augusto dos Anjos não nos deixa enganar. "Já o verme, este operário das ruínas, que o sangue podre das carnificinas come e a vida em geral declara guerra". Assim que somos concebidos caminhamos eternamente para a morte, e boa parte de pessoas ainda contribuem para essa maldita degradação com seu cigarrinho e suas bebidinhas. Além daquela maravilhosa carne mal passada, devidamente acompanhada da gordurinha. Aposto que muitas pessoas chegam a babar no teclado ao ler essas palavras. Como Nietzsche dizia, o "vir-a-ser" é eterno e único. Estamos sempre vindo a ser alguma coisa. Mas nunca seremos nada, pois a cada milésimo de segundo nos tornamos outro. Nossas células vão morrendo e se multiplicando ciclicamente. Acho que Nietzsche devia titular seu texto como "A degradação na época trágica do tempo".
(Baseado em texto de Tiago Xavier dos Santos)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Viver?

“Não me canso de admirar o poder do cérebro humano. Criado como um dos animais mais frágeis da natureza, em termos de força física e aptidão dos sentidos, o homem adaptou-se ao mundo hostil em que vive e, mediante a consciência e o raciocínio, operou maravilhas. Aprendeu a fazer fogo, construiu moradias confortáveis e seguras, inventou a roda, domesticou animais e vegetais que pôs ao seu serviço, criou cidades, Estados, impérios e civilizações. Sondou o íntimo da natureza e colocou a seu serviço forças fenomenais. Foi ao âmago da matéria e descobriu o átomo. Desvendou o segredo da vida. Aprendeu a se locomover com rapidez e conforto e até a voar. Não conseguiu, todavia, inventar uma fórmula de como viver com alegria, justiça e sabedoria. Afinal isso só se aprende vivendo. Quem sabe aprenda no correr das gerações! Jean-Paul Sartre constatou, a propósito: “Tudo já foi descoberto, exceto como viver”. E não está certo?”