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domingo, 16 de agosto de 2009

O silêncio dos bons (Tércio Garcia)


“ O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)

Vivemos em um mundo de opostos. Ou somos geniais ou completamente limitados intelectualmente, capazes ou inaptos, justos ou cruéis, verdadeiros ou mentirosos... Como se não existissem as diversas e humanas nuances que determinam nossa personalidade.
Precisamos de rótulos, definições que nos ajudem a identificar as pessoas. Fulano é um gênio, sicrano é desonesto, beltrano é mentiroso. Como se alguém genial não fosse um ser humano suscetível a falhas como qualquer outro. Ou como se nenhum de nós já não tivesse mentido ou cometido algum tipo de desonestidade.
O que diferencia as pessoas são as suas motivações. As atitudes, via de regra, são dependentes da conjuntura, da circunstância, do calor do momento.
Espanta e aborrece perceber o quanto somos superficiais nas nossas análises sobre fatos relevantes que acabam por pautar nossas atitudes e ações futuras. Caminhamos quase andróides sobre frases feitas e conceitos pré-formulados.
Os resultados são invariavelmente pobres em profundidade e nessa análise rasa produzem também uma sociedade incapaz de avaliar questões que exigem mais atenção.
Acreditamos cada vez mais que o resultado imediato é o eficaz e que a síntese é o caminho para esse resultado. Assim, sintetizamos os problemas, as pessoas, os julgamentos e, por extensão, a vida.
As más notícias correm como um rastilho de pólvora, já as boas não encontram grandes espaços no interesse geral. A glamurização do negativo é uma realidade a cada dia mais presente nas nossas vidas.
A reversão deste quadro depende fundamentalmente da consciência de que as coisas ligadas ao bem são muito maiores em quantidade e em qualidade, tanto de satisfação quanto de eficácia, do que as coisas ligadas ao mal.
O mundo continuará o seu curso torto enquanto mantivermos a prática de utilizar uma consciência rígida e exigente para o julgamento dos atos dos outros e outra flácida e compreensiva para o julgamento dos nossos próprios atos.
Valores como o pacifismo, a honestidade e a ética só ganharão a sociedade quando conquistarem espaço dentro de nós mesmos, quando não mais nos referirmos elogiosamente a alguém enaltecendo sua malandragem ou a sua astúcia em ludibriar situações adversas. Quando não mais nos referirmos pejorativamente à educação ou à honestidade de alguém. Só então os bons levantarão sua voz, sem medo de passar por bobos, como sonhou Martin Luther King.
Quando as crianças e os jovens crescerem acreditando firmemente, a partir de exemplos familiares, que princípios éticos e morais são capazes de garantir sua sobrevivência com mais qualidade do que as posturas aéticas e imorais. Aí sim viveremos em um mundo melhor.

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