
"Costuma-se dar ao conceito de inteligência uma interpretação nem sempre lisonjeira. Arrogância, insensibilidade, racionalismo exacerbado, estranheza, estes são alguns adjetivos pouco elogiosos que podem ser associados ao exercício de conhecimento e aprendizagem intensos, frequentemente ligados à inteligência. A pessoa inteligente pode ser considerada excêntrica, algo deslocada do meio usual – é admirada ao mesmo tempo que é temida. Pode se transformar em alguém preso a complexas formas de expressão, a estudos complicados e excessivamente especializados, longe da realidade comum e cotidiana – seriam homens e mulheres que passam suas vidas tentando compreender a migração dos ursos pardos da Sibéria, ou as interações bio-moleculares dos sistemas genéticos humanos, ou ainda os efeitos das energias gravitacionais nos campos estelares binários. Para a maioria das pessoas, o uso da inteligência pode representar uma espécie de barreira à normalidade social (como podemos conversar com um intelectual sem cair naqueles assuntos rebuscados – e algo entediantes – que eles tanto gostam?), ou pelo menos uma estranha forma de viver. Na escola ou universidade, costumamos desprezar nossos colegas muito inteligentes, considerando-os desajeitados socialmente, feios, separados da realidade "legal" das festas e da superficialidade divertida. Pois, sob muitos aspectos, o conhecimento pode se tornar opressivo, sério, confrontador. A grande maioria dos seres humanos pouco conhece, ou elabora, aqueles assuntos considerados complexos demais, alienígenas demais. Ao mesmo tempo, a idéia de que possamos falar idiotices diante de pessoas brilhantes nos aflige, nos deixa na defensiva, temendo a humilhação inevitável que o confronto intelectual pode conduzir a todo indivíduo que ousa enfrentar as tortuosas vias do conhecimento.
De certo modo, existe realmente um aspecto pedante na inteligência. É possível encontrar homens ou mulheres de grande conhecimento, e que no entanto sofrem com excesso de orgulho ou vaidade intelectual. Eu até mesmo considero esta uma das mais graves moléstias passíveis de ocorrer na mente humana, quando ela sucumbe aos excessos opinativos, à inúteis elucubrações, ao exercício do conhecimento puramente acumulado e sem nenhuma sabedoria. Mas não devemos imaginar que este processo existe devido à inteligência em si; ele ocorre única e exclusivamente em função dos limites egoístas que podem acometer a uma pessoa, e o egoísmo vem a ser uma moléstia que provoca o desequilíbrio perceptivo sob muitos prismas, de muitas formas.
Mas, afinal, uma pessoa de conhecimentos é uma pessoa inteligente? Qual seria o critério que determina o sentido último da capacidade intelectual humana? Na verdade, a inteligência (como fenômeno perceptivo) possui uma natureza insuspeita, muito além do simples acúmulo de idéias, técnicas ou "expertise". Sim, eu sei que novas propostas sobre a natureza da inteligência surgiram nas últimas décadas, mas não é minha intenção apresentar uma abordagem pioneira sobre o assunto; meu interesse é simplesmente refletir sobre o papel na inteligência no exercício da compaixão. (...)"
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Tam Huyen Van (2007)
Em: http://mentessobredotadas.blogspot.com/
De certo modo, existe realmente um aspecto pedante na inteligência. É possível encontrar homens ou mulheres de grande conhecimento, e que no entanto sofrem com excesso de orgulho ou vaidade intelectual. Eu até mesmo considero esta uma das mais graves moléstias passíveis de ocorrer na mente humana, quando ela sucumbe aos excessos opinativos, à inúteis elucubrações, ao exercício do conhecimento puramente acumulado e sem nenhuma sabedoria. Mas não devemos imaginar que este processo existe devido à inteligência em si; ele ocorre única e exclusivamente em função dos limites egoístas que podem acometer a uma pessoa, e o egoísmo vem a ser uma moléstia que provoca o desequilíbrio perceptivo sob muitos prismas, de muitas formas.
Mas, afinal, uma pessoa de conhecimentos é uma pessoa inteligente? Qual seria o critério que determina o sentido último da capacidade intelectual humana? Na verdade, a inteligência (como fenômeno perceptivo) possui uma natureza insuspeita, muito além do simples acúmulo de idéias, técnicas ou "expertise". Sim, eu sei que novas propostas sobre a natureza da inteligência surgiram nas últimas décadas, mas não é minha intenção apresentar uma abordagem pioneira sobre o assunto; meu interesse é simplesmente refletir sobre o papel na inteligência no exercício da compaixão. (...)"
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Tam Huyen Van (2007)
Em: http://mentessobredotadas.blogspot.com/
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