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quarta-feira, 30 de julho de 2008

O trágico avanço do "crack"


Antes considerado uma droga de pobre, o crack está passando a ser largamente consumido entre os jovens de classe média dos centros urbanos. Uma desgraça, que levou o ministro José Gomes Temporão, da Saúde, a criar um grupo de trabalho destinado a planejar a implantação de um esquema de tratamento do vício pelo SUS. Decisão oportuna, porém, em outra área, a da polícia, também precisam ser ampliadas ao máximo as ações de combate ao comércio do produto.
Os especialistas definem o crack - um subproduto grosseiro da pasta de cocaína - como simplesmente devastador. É muito mais forte e agressivo, em apenas 10 segundos está agindo sobre o cérebro e causa dependência extremamente rápida. Para piorar, é barato, ou seja, acessível às pessoas de poucos recursos. Fala-se que uma pedra da droga, em certos lugares, custa menos do que uma garrafa de cerveja.
Diante disso, é necessário e urgente que todos os setores com responsabilidades na questão, no poder público, sobretudo, mas igualmente na esfera privada, se mobilizem com vigor e persistência para enfrentar o terrível problema, que a cada dia cresce de dimensão. É uma luta que não admite tréguas e, certamente, ela deve ter tanto no âmbito das famílias quanto no das escolas dois dos seus principais e indispensáveis baluartes.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cair

Por que está pensando que, pelo fato de ter errado tantas vezes, não vê o caminho da sua conversão?
Não se atormente com isso.

Mire-se no exemplo de um bebê. Ele tenta caminhar. Cai muitas vezes. Tenta de novo. Cai mais vezes. Mas, não desanima, vai tentando até que caia menos e até que não caia mais.

Vá procurando caminhar sem cair, você também. Este é o seu verdadeiro destino e o que lhe dará o prêmio de que lutou e venceu por si mesmo.

domingo, 27 de julho de 2008

Males morais

O brasileiro tem sofrido conseqüências traumáticas e prejudiciais em vários âmbitos.
A mais danosa com certeza é a corrupção, em que indivíduos desonestos, através da influência no seu próprio meio social, revertem a seu favor benefícios morais ou financeiros de outrem.
Essa desmoralização instalou-se em quase todos os segmentos da sociedade, e, somada à violência, acentua a desarmonia e o descrédito em muitas organizações que regem a Ordem e Justiça de nosso País.
Muitas vezes deparamos com a Justiça sendo sorrateiramente e covardemente manipulada por mãos corruptas, quando também até criminosas, quando o cidadão honesto, desapontado e envergonhado, acaba derrotado pela influência, má-fé e esperteza de pessoas irresponsáveis no cumprimento de regulamentos determinados nas leis do nosso Brasil.
Alguns indivíduos preparam-se durante anos para defender a verdade, moral e os bons costumes, mas levados pela ganância, orgulho e sede de poder acabam instalando entre nós a lei paralela.
Preparam ciladas vergonhosas, indignas até de suas vestimentas e insígnias. Organizam seus motins baseados em mentiras, arrolam provas contrárias à verdade, e debocham silenciosamente nos obscuros umbrais da desonestidade, da ainda pouca existência de credibilidade do humilde cidadão nas autoridades sérias, honestas e profissionais de nosso País.
Nesse tipo de antinomia instala-se desgraçadamente, para a nossa sociedade, a injustiça na justiça, onde acabam prejudicados a apuração dos fatos e os verdadeiros acontecimentos.
Porém, existe uma justiça que ninguém pode tirar ou acrescentar nada sem que um dia a verdade transpareça, mesmo que isso aconteça através de outros episódios.
O tempo traz por si só a cobrança justa em qualquer situação, e o verdadeiro vencedor será sempre aquele que espera de “cabeça erguida”, porém com humildade e paciência, acreditando não no ser humano, mas principalmente na lei natural da existência. (Cleuza Veloso)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ingrid e as Farc


Tomamos conhecimento pela imprensa as visitas e homenagens que recebe a sra. Ingrid Betancourt. Passou seis longos anos aprisionada pelas FARC ou FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia–Exército do Povo (em castelhano Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia–Ejército del Pueblo)), na selva colombiana. As FARC são consideradas organização terrorista pelo governo da Colômbia, pelo governo dos Estados Unidos, Canadá e pela União Européia. Os governos de outros países latino-americanos governados por presidentes de esquerda, como Equador, Bolívia, Brasil, Argentina e Chile não lhes aplicam esta classificação. O presidente Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação em Janeiro de 2008 e apelou à Colômbia como outros governos a um reconhecimento diplomático das guerrilhas enquanto “força beligerante”, argumentando que elas estariam assim obrigadas a renunciar ao sequestro e atos de terror a fim de respeitar a Convenção de Genebra. Cuba e Venezuela adotam o termo “insurgentes” para as FARC.
Esta guerrilha, juntamente com a ELN (Exército de Libertação Nacional da Colômbia (em castelhano
Ejército de Liberación Nacional,) é uma organização guerrilheira, de inspiração comunista e de caráter político-militar, criado em Simacota em 7 de janeiro de 1965, por Fábio Vasquez Castano, inspirado pela experiência bem sucedida da Revolução Cubana. É o segundo maior grupo rebelde da Colômbia (após as FARC), mantém em torno de 2.500 prisioneiros, conforme divulgou a imprensa há poucos meses. A sra. Ingrid, em entrevista, não faz menção aos tempos que ficou detida. Não fala sobre os guerrilheiros e se demonstra muito saudável, ao contrário do que seus familiares e interessados em sua libertação apregoavam.
Agora, sendo recebida pelos mandatários dos países de maior evidência e destaque, inclusive pelo Papa, não só poderia, como deveria se empenhar na libertação de seus antigos pares, que lá permanecem. Mas não. Para espanto geral, não menciona o sistema guerrilheiro e seus cativos. Não se empenha, como imaginávamos que faria, pelo fim desta guerrilha; trouxesse um plano, uma proposta para que as partes encontrem uma solução final a este respeito. Deve ter aprendido muito e visto muito do que se sucede nestes acampamentos. É racionalmente difícil de entender a questão.
Política, filha de diplomata, freqüentou os melhores colégios e universidades da Europa. Potencial candidata à presidência da Colômbia, tem um perfil bem qualificado para ser porta-voz de uma causa. Ao se libertar, tem consciência dos que lá permanecem, e das condições a que são submetidos. Mas não demonstra uma vontade férrea e contundente para pôr fim à questão e não se sensibiliza com os demais, que lá permanecem, a menos que aquilo seja um SPA, ou um cenário de Horizonte Perdido.
É difícil imaginar e indaga-se, diante destas evidências, se seu possível empenho traria solução ou se ela, é parte do problema? Imagine-se sendo retirado do convívio de seus familiares e amigos, permanecendo cativo no meio da mata, acorrentado, e de repente ganha a liberdade deixando para trás 2.500 companheiros de infortúnio. O que faria por eles? Qual seria sua proposta, tendo a tribuna do mundo à sua disposição?
(baseado em texto de Valter José Vieira)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Caráter

O caráter é a marca da dignidade humana.
O valor de um indivíduo está na dimensão do seu caráter.
Caráter é a capacidade permanente de agir e a manifestação intrínseca de ser.
Nunca meça nem julgue alguém pelo que ele tem e, sim, pelo que ele é.
TER é coisa acidental. O essencial é SER.
A diferença entre TER e SER é que um é só quantidade, enquanto o outro é essência de vida, é qualidade de viver.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Como ajudar a evitar o aquecimento global?


Adotando práticas cotidianas que ajudem a reduzir a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa, que é a causa do aquecimento. Lá vem aquela história de trocar o carro pela bicicleta, pegar carona e utilizar os dois lados da folha de papel? Sim.
Nos sites http://www.florestasdofuturo.org.br/ e http://www.thegreeninitiative.com/ é possível calcular o quanto emitimos de gás carbônico em nossas atividades diárias, como andar de carro ou ligar um computador, e quantas árvores precisamos plantar para acertar as contas com a natureza. E mais: prefira os móveis de madeira certificada - uma forma de combater o desmatamento -, faça coleta seletiva de lixo - 0s resíduos domésticos são causa direta do aquecimento, pois aterros e lixões liberam metano, um dos gases "vilões" -, dê preferência a produtos reciclados e reutilizados e compre menos. Isso mesmo. A produção de qualquer material, de uma simples caixa de fósforos à roupa que você veste agora, impacta o meio ambiente.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Agressão


Boa parte da humanidade logo pela manhã passa a agredir o organismo, usando uma das armas mais temíveis, porque sutil, que é o fumo. Também os que exageram no álcool praticam a mesma agressão, debilitando, portanto, o organismo. Queixam-se, depois, da vida. Dela, entretanto, não se lembram para edificá-la realizando um pouco só do muito que Jesus ensinou. Preciso, pois, é cuidar do corpo para que o espírito também fique melhor.

domingo, 20 de julho de 2008

Os jovens, a família e a violência (Haifa Mada)


A violência não tem uma raiz biológica, é um fenômeno construído pela sociedade e, por isso, pode e deve ser desconstruído. Existem várias formas de violência: física, psicológica, sexual ou mesmo a negligência ou o abandono. Além de sofrer com este mal em sua própria família, a criança ou jovem estão sujeitos a violência na escola ou no bairro em que vivem.
Todos sabem que o ser humano tende a reproduzir o meio, principalmente se convive com situações negativas no início da infância. Alguns pesquisadores relacionam a juventude com a violência e a mídia explora esse tipo de ocorrência, geralmente, sentenciando a nova geração e dando pouca importância ao papel de quem os educou.
O jovem de hoje é fruto da permissividade, do autoritarismo ou do abandono da família que, em algum momento, dele se distanciou, ignorando que educar é dar limite. Muito mais difícil do que permitir, como a maioria dos pais faz, é deixar que o jovem possa tudo sem nunca ouvir um não.
O início da adolescência ocorre por volta dos 12 anos e o jovem ainda não tem suporte emocional para usufruir da liberdade sem controle, num mundo em que a violência urbana, a erotização da mídia, o consumismo, a oportunidade de obter dinheiro fácil, o acesso ao álcool e às drogas seduzem mais que o respeito à vida, a solidariedade e o amor ao próximo.
A liberdade deve ser conquistada com demonstrações de maturidade e responsabilidade, pois a adolescência é marcada por vastas transformações nas quais se enlaçam processos de amadurecimento físico, mental, emocional, social e moral, que são influenciados pelas peculiaridades inerentes a cada sujeito, pelo seu ambiente sociocultural e pelo momento histórico.
Para superar essa crise, surge a necessidade de integrar um grupo. É nesse momento que os pais devem estar atentos porque, na maioria das vezes, os pais da turma nem se conhecem e perdem a oportunidade de combinarem regras comuns.
É em grupo que o jovem se torna intolerante e cruel na exclusão dos outros, os que são diferentes, como se fosse uma defesa a sua perda de identidade. Os conflitos geram agressões mútuas por motivos banais, que escondem uma enorme fragilidade e por serem frágeis estão mais vulneráveis aos riscos dos excessos.
O jovem precisa aprender a canalizar essa grande energia para ações construtivas, tomando em suas mãos o poder da transformação social, ao lado da família, da escola, na figura do educador, da Justiça e do Estado. E o ambiente escolar deve contribuir para estimular essas ações, seja por meio dos grêmios estudantis ou da própria instituição.
A sociedade, da qual cada um de nós faz parte (com nossos exemplos e ações), também contribui, dia a dia, para essa aprendizagem. Por isso, devemos sempre nos questionar sobre qual exemplo estamos dando aos nossos filhos e a nossa comunidade.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Outras lições de Isabella

“A opinião pública foi abalada nos últimos meses, com fatos que nos fizeram defrontar com violências absurdas em famílias de classe média. São crimes terríveis que teriam sido praticados por pais contra filhas, no caso brasileiro provavelmente colaborando com as próprias mãos para o seu assassinato, no caso austríaco destruindo a filha física e psicologicamente com calabouços, abusos, tortura. As matérias jornalísticas se multiplicaram, nesses casos, numa cobertura diária e espetacular, mas a verdade é que a humanidade sempre deu grandes espaços para violências de todos os tipos não só em jornais, mas na produção literária, cinematográfica, televisiva, nas conversas.
Pelo que se observa, o impacto desses crimes frente ao público, na ficção ou no jornalismo, depende da ampla caracterização dos suspeitos como verdadeiros monstros e dos demais como autênticas vítimas, além de fomentar ilimitadas curiosidades em torno das histórias e personagens, e no caso dos crimes atuais não foi diferente. Produziu-se um mundo repartido em pessoas pacíficas e boas, de um lado, violentas e ruins, do outro, o que, se não possui correspondência com a realidade, pelo menos serve para inocentar todos que não somos diretamente autores dos crimes. O que poucos conseguem perceber é que é justamente tal visão, que considera a violência externa, localizada e personalizada, que nos torna parte integrante e fundamental nos crimes.
Como poderão os parentes, os vizinhos, as sociedades não serem coniventes com os crimes se são tantos os sinais e atitudes apresentados por essas famílias, por anos a fio? Seremos realmente uma sociedade pacífica, atenciosa e protetiva como queremos crer ou teremos também características de negligência, omissão e violência?
Qualquer profissional da área social sabe que uma mulher, uma criança, uma vítima de violência apresentam inúmeros e claros sintomas da situação que sofrem, sinais que, via de regra, são sumariamente negligenciados por família, parentes, vizinhos, escola, sistema de saúde, e nos mais variados ambientes que as pessoas freqüentam. Machucados reincidentes,mudanças repentinas de comportamento, choro e hipersensibilidade, agressividade, tom de voz alterado, desenhos escuros e angustiados, postura corporal pesada, visões de mundo distorcidas, faltas e desorganizações desfilam em nossa frente todos os dias sem lhes darmos a mínima atenção. Além disso, sabe-se que a quase totalidade dos agressores de hoje são os agredidos de ontem que a sociedade simplesmente não foi capaz de acolher, educar e tratar.
Nem sequer perceber. O que essas enormes tragédias nos mostram é que nós não nos olhamos nos olhos. Nossa sociedade é individualista, competitiva,muitas vezes omissa, e isso é, sim, parte importante dos crimes, pois nos tem tornado incapazes de distinguir e atuar sobre essa violência que depois nos escandaliza. Se não somos diretamente a mão criminosa, somos o ambiente que viabiliza o crime, pois temos nos mostrado reincidentemente incapazes de perceber absurdos terríveis que ocorrem sob nossos narizes.
Por mais cômoda que seja, é preciso abolir essa postura escandalizada contra os criminosos pois, se fomos surpreendidos por esses crimes agora é porque, como coletividade,fomos omissos antes. Os criminosos são a infeliz expressão de uma cultura, de uma sociedade omissa os quais precisarão, sim, ser apartados, tratados e punidos como nosso sintoma mais gritante, mas, definitivamente, não são a doença em si. Somos todos responsáveis, e podemos mudar essa situação.
A maior homenagem a Isabella e a todas as outras vítimas que tanto nos emocionam não é xingar o pai e a madrasta, nos revoltar contra o avô paterno, ansiar pela condenação máxima de todos. O maior culto que se pode fazer a uma vítima é perceber que a violência doméstica está fundamente alicerçada em nossa forma de agir,nas relações existentes em nossa sociedade e dedicarmo-nos, em todos os ambientes, a um processo de humanização das relações sociais de forma a nos tornar capazes de perceber e acolher as violências assim que surjam. Só mesmo percebendo as raízes do mal para cortar o mal pela raiz.”

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Realidade policial

“O policial militar vive um momento de angústia e sofrimento, extensivo aos familiares, como nunca ocorreu anteriormente.
O Estado de São Paulo, o mais rico do País, proporciona aos seus policiais um dos piores salários, além da pressão psicológica em que o policial vive, ameaçado e condenado à morte freqüentemente pelo crime organizado.
O policial militar é um trabalhador assalariado e que deveria ter direitos iguais aos demais trabalhadores brasileiros, como: previdência justa, assistência à saúde e jornada de trabalho regulamentada.
Entretanto, trabalha em horários e dias dos mais variados, às vezes extrapolando o tempo normal, trabalha quando a sociedade necessita e, assim, ultrapassa a carga legal de trabalho.
Apesar dessa realidade, não recebe hora extra, não possui fundo de garantia e outros direitos trabalhistas assegurados aos demais trabalhadores, inclusive o de ser sindicalizado e, ainda, sofre o estresse geral decorrentes dos chamados “bicos”.
Dentro dessa perspectiva, a fim de tentar corrigir essa distorção, deveria haver a justiça salarial para garantir uma vida digna aos policiais e familiares, após quase 14 anos sem aumento de salário. Estas observações estão sem considerar a agonia dos inativos, relegados à condição de párias, inclusive sem ter direito às gratificações dadas apenas aos ativos.
Homenagens são sempre bem-vindas, todavia, dentro desse clima, sequer atingem os objetivos almejados pelos ilustres e bem intencionados autores! Uma pena! Finalmente, uma polícia mal-remunerada, sem estímulo e que ainda vive o cotidiano amargo e apavorante, o que pode oferecer à sociedade?”

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Reflexão sobre o senso crítico (Juliano Schiavo)

“Abrir as páginas de um jornal, livro ou simplesmente assistir TV não significa, propriamente, despertar o senso crítico. Os meios que existem para se consultar informações e se municiar de dados, muitas vezes, compactuam com o senso comum e colaboram para que o ato de questionar fique relegado a segundo plano. E é aí que o senso comum nasce.
Nesse jogo de gato e rato, há sempre os interessados em estimular a aceitação de um fato – seja por motivos religiosos, partidários, econômicos ou afins. O poder que emana das grandes corporações, agrupamentos políticos, religiosos e todo tipo de força constituído pode, de forma geral, compactuar para que a reflexão sobre um fato seja banida. Questionar é uma ferramenta que enche o saco de quem não quer que o outro saiba a resposta. Por isso, o senso crítico joga luz sobre as pedras do caminho.
E como estimular esse senso crítico? Como entender o mundo por meio de questionamentos? A tarefa não é fácil, principalmente quando há quem esteja interessado em manter tudo do jeito que está. A fome de uns é fortuna de outros. A falta de educação é sinônimo de poder para quem tem coragem de utilizá-la como massa de manobra – e isso não é difícil de ser visto atualmente.
Falta, infelizmente, senso crítico na própria formação escolar. Só se aprende regras e fórmulas decoradas, que são um dia jogadas no ralo do esquecimento. Para que guardar algo que não possui serventia? O cérebro apenas as utiliza pelo período necessário, depois disso, adeus...
As escolas deveriam ensinar a questionar, a entender o que é ser cidadão e também a pesquisar informações por esse mundo afora, seja na forma de troca de conversas, ou até mesmo pela leitura de um bom livro. Não ter vergonha de perguntar – mesmo que a pergunta seja a mais estúpida possível do ponto de vista pessoal – deveria ser algo trabalhado diariamente. Mas falta um senso crítico sobre o próprio senso crítico – as velhas fórmulas são mais cômodas e não mexem na zona de conforto que as pessoas geralmente se colocam. O questionar, por si só, mexe em várias feridas. E isso não é bom, quando essas feridas pertencem a quem não quer ser incomodado.
Se a tela da TV encanta, se o mundo virtual se abre num emaranhado de hiperlinks que permitem a interatividade, se o rádio traz as notícias pela manhã, o que cabe a cada pessoa dentro da sociedade? Ingerir essas informações? Não. É necessário ver que, por detrás de cada linha escrita, cada palavra proferida, cada foto exibida, há um olhar humano. Esse olhar, passado diariamente, deve ser questionado e rebatido por cada um. A tarefa deve ser constante, pois o espírito crítico só existe quando as questões povoam a mente. Resignar ante os fatos é morrer aos poucos. E morrer aos poucos é não questionar a vida.”

sábado, 12 de julho de 2008

A tragédia da fome no mundo

(Imagem original daqui)
“Na reunião em Tóquio do G-8 (os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia), o destaque da abertura foi a entrevista do presidente do Banco Mundial, o americano Robert Zoellick, o qual exortou as nações desenvolvidas a tomarem medidas urgentes para evitar o “desastre” que virá em decorrência da escassez de alimentos. Segundo ele, a fome e a desnutrição, que já atingiam quase um terço da humanidade (2 bilhões de pessoas), nos últimos meses atingiram outros 100 milhões de indivíduos, e o total tende a crescer mais, caso os centros globais de decisões se mantenham alheios ao problema, ou tratando-o com paliativos. “Precisamos agir com rapidez”, afirmou Zoellick, “e não temos o direito de errar”. Suas sugestões, basicamente, são: 1) o envio emergencial de comida, na forma de doação humanitária, às populações dos países muito pobres; 2) adoção de políticas de estímulo aos pequenos agricultores, nesses mesmos países e também nos emergentes; e 3) a eliminação de restrições à exportação de alimentos vigentes em 26 países.
Uma tal proposta tem chances de vingar talvez só em sua face cosmética. Toneladas de gêneros alimentícios serão enviadas aos lugares onde a fome é mais crítica, e fica-se nisso. A velha história de se dar o peixe, mas não ensinar a pescar. As grandes ações que permitiriam aumentar exponencialmente a produção de alimentos, estas não saem do papel. Não se gasta em pesquisa para incentivar as lavouras nos países atrasados. Não se dá assistência técnica, nem as máquinas mais simples, nem sistemas de armazenagem, nem crédito para viabilizar o plantio. Falta tudo, e na escala mais dramática possível. Enquanto isso acontece,os países prósperos impõem barreiras burocráticas e tarifárias para impedir que os excedentes da produção dos pobres chegue aos seus territórios, a preços mais baratos. Como isso pode prejudicar seus próprios agricultores, o negócio é bloqueado, e assim se instala um círculo vicioso dentro do qual uns têm demais e outros não têm nada – fator que contribui decisivamente para a penúria ora registrada no planeta.
Robert Zoellick é um homem de prestígio no comércio internacional. Falou coisas certas, porém, faltou-lhe coragem para dizer que uma irrisória parcela dos recursos consumidos em projetos militares e de armamentos, provavelmente não mais de 5% de US$ 900 bilhões anuais, bem aplicados durante uma década, bastaria para matar toda a fome do mundo. Em definitivo, de acordo com estudos de organizações especializadas. Como os poderosos do mundo jamais se preocuparam verdadeiramente com o assunto, não se vai além do superficial. Mas a advertência está colocada. Se desta vez ela trouxer algum resultado concreto, mínimo que seja, já será um avanço. Dará para pensar em ampliá-la ao nível necessário, num processo gradativo.”

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Erro imperdoável


“A tragédia da vez, neste Brasil tão violento e inseguro, é a morte do menino João Roberto, de 3 anos,metralhado na cidade do Rio de Janeiro por policiais militares que aparentemente confundiram o carro onde ele viajava, dirigido pela mãe, com outro veículo ocupado por bandidos. As cenas do pai desesperado, mostradas pela televisão, narrando os fatos e clamando contra o despreparo da polícia, emocionaram o País – mesmo já tão acostumado a casos brutais -, na noite da última segunda-feira (07/07/2008).
Sabe-se que os policiais trabalham diariamente sob forte tensão, o que pode prejudicar seu desempenho, sobretudo dos de menor experiência. Todavia, justamente para impedir que isto aconteça é que existe treinamento, não apenas técnico, para o combate direto aos bandidos, como também psicológico, no sentido de que consigam manter a lucidez inclusive nas situações mais delicadas. Nesse episódio citado, tal não ocorreu. Ao contrário, a condutora deu sinais claros de que seu automóvel não era o dos marginais. De nada valeram, e a desgraça consumou-se.
E agora? Agora temos uma família destroçada e uma polícia com a pecha de incompetente. É preciso que o caso sirva de lição, para que se tomem as providências necessárias, a fim de se buscar garantir que equívocos do gênero não voltem jamais a se repetir.” (Fonte: jornal A Tribuna-09/08/2008)

domingo, 6 de julho de 2008

Respeito e Desrespeito mútuo

"Hoje em dia vive-se uma tremenda contenda entre os seres humanos, entre as diversas classes sociais, em todos os sentidos, e em todos os lugares, tais como: nas escolas, nas ruas, no trabalho, com a vizinhança, no próprio lar entre os pais, pais e filhos, irmãos entre si, tios entre si, e entre os demais. Enfim, falta respeito entre as pessoas, animais, e até mesmo vegetais. E por falar em vegetais, alguém pode perguntar, por que nos vegetais? O bem também existe entre eles que não conhecem como se processa; entretanto, aqui está se colocando pelo lado do ser pensante sobre os vegetais, com as derrubadas das matas, e o uso de tóxicos que maltratam estas que não agüentam tal coisa. Neste sentido, é que, se vê o ecossistema definhar a cada dia, dado que o homem não sabe dosar os dispositivos de seu trabalho para o equilíbrio de todos.
Os desrespeitos que existem são muitos, e é preciso que as pessoas se conscientizem, de sua participação na sociedade, quando deixam as ruas sujas com cascas de frutas, que fazem as pessoas caírem com prejuízos, muitas vezes irreparáveis que ficarão para o resto da vida. O mau comportamento das pessoas para com as outras, constitui um desrespeito que se inicia no lar, quando os pais não têm educação suficiente para mostrarem aos seus filhos, um bom proceder, a prática do respeito mútuo, a ajuda uns para com os outros, e a compreensão que se têm que ter para a união de todos. As brigas no lar são constantes, começa entre os pais que servem de exemplo para os filhos que participam da sua primeira escola em seu aprendizado, pondo em prática com muita veemência, nos seus relacionamentos entre si, e com os colegas de fora do lar.
No contexto familiar, os pais têm o objetivo de proporcionar as primeiras lições de vida, os primeiros ensinamentos de comportamento, de relacionamento de uns para com os outros, e é nesta hora, que entra a educação doméstica, para que o respeito mútuo seja posto em prática; caso contrário, o que se vê com constância é o desrespeito mútuo. Os ensinamentos do lar transferem-se às ruas, surgem as delinqüências sociais, e aparece a patologia, própria de um sistema desigual, de desequilíbrio, e desrespeito. Os insultos de ruas, uns contra os demais é uma prova dos desrespeitos que existem entre as pessoas que não compreendem o caminho do amor, o entendimento da felicidade, e o sentir os graus de evolução de todos os seres viventes.O que se vê e sente em todos os lados, como a arrogância, o orgulho, a inveja, o ciúme, a ganância, e algumas outras maledicências, como predominância no dia a dia das pessoas, conseqüentemente, o desrespeito é o que impera na mente daqueles que não conhecem o caminho do bem, não tiveram educação doméstica para implantação do respeito mútuo.
A falta de respeito mútuo, leva o ser humano a viver em constante briga consigo próprio inicialmente, transferindo aos mais próximos a sua ira, a sua raiva, e o seu ódio, pois, após a família, os vizinhos, são atacados, e respondem com a mesma pedra, tendo em vista que o desrespeito também habita o seu interior. O que se observa no dia a dia das pessoas é que as intrigas são a tônica maior, considerando-se que a compreensão não bateu a sua porta com a devida veemência para ficar, já que não encontrou guarida naqueles que se locupletavam na maldade e no desrespeito mútuo. Não é preciso que o cidadão espere que os outros melhorem, entretanto, é fundamental que cada um compreenda a respeitar o seu próximo, com a força maior de quem já entende a situação de cada um que se apresenta com a sua ignorância do bem e dos circundantes. A compreensão é muitas vezes denominada de covardia, medo e, sobretudo, tremor, cuja verdade, depara-se com aqueles que sabem, ou entendem a pequenez dos irmãos ignorantes do bem, pois, a sabedoria se manifesta naqueles que buscam em si mesmos a causa primeira das coisas. Aceitar aqueles que atiram pedras em qualquer um que passa a sua frente, tal qual ele é, em sua ignorância do bem, esperando que ele possa compreender mais cedo, ou mais tarde, e vá entender que não é com violência que se combate a violência, é coisa muito difícil. A violência é combatida com a implantação da bondade, da resignação e da humildade, por saber das deficiências dos outros, tentando plantar as sementes da compreensão naqueles que alimentam o orgulho e a vaidade, como símbolo de glória e engrandecimento, onde tudo isto é ignorância, e nada mais.
O respeito mútuo elimina a competição, que nada mais é do que uma guerra para sobreviver, mas, ninguém sobreviverá, tendo como metodologia os conflitos, a força física, armas bélicas naturais, ou nucleares, e a arrogância de querer dominar tudo. O respeito mútuo é sentir que todos precisam uns dos outros, nas suas fraquezas, nos seus sucessos; e, porque não dizer no seu nível evolutivo dentro dos conhecimentos do verdadeiro caminho de amor, de felicidade e de encanto, onde todos cantam os hinos divinais, e sentem as energias das plantas elevando a todos. Finalmente, deve-se respeitar a humanidade, as outras religiões com seus rituais e crenças, as crianças, os velhos, as prostitutas, os homossexuais, enfim, todos os filhos de Deus que precisam do respeito para poder aprender a respeitar, para chegarem todos ao caminho da igualdade, fraternidade, liberdade, e felicidade plena, tal como dizem que fez JESUS."

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Como sangue nas veias...(JB Conrado)

A prática da Arte pode ser a via que nos libertará do tédio e das submissões ordinárias. No mundo atual, mecanizado, programado, vigiado; a Arte é uma das poucas satisfações que nos restam... (J.J. Tharrats).

Vivemos numa sociedade auto-destrutiva onde predominam os efeitos devastadores de um sistema atroz que com raras exceções, está realmente compromissado com a formação equilibrada do cidadão. Somos tratados apenas como números promissores e massa manipulada que aos nossos dirigentes governamentais e ao capital internacional só interessa como fonte de consumo, que proporcione retorno financeiro certo, sem grandes comprometimentos e em curto prazo.
Nosso sistema educacional, infelizmente também está atrelado a esta poderosa “máquina mortífera” e diante de tamanho desafio, não sabe ou não encontrou ainda, força suficiente para reagir e propor uma nova direção que atenda às reais necessidades do ser humano. Neste contexto caminhamos cabisbaixos, a reboque e de pés e mão atadas.
Quando o ser humano deixa de respeitar a si próprio, como pode respeitar seus semelhantes? Quando o ser humano deixa de ouvir a sua voz interior, como pode ouvir e respeitar aqueles que estão ao seu lado? Quando deixamos de zelar de nossa própria casa, como poderemos zelar de nosso jardim, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso Estado, nosso País, da Natureza?
Quando a ordem social já não é mais capaz de zelar de seus próprios cidadãos, o sinal está vermelho e no meio da noite, o caos pode estabelecer-se e as trevas sorrateiramente assumir o trono.
Estamos todos doentes. Os vandalismos, as barbáries que pateticamente assistimos em nosso cotidiano, com olhar passivo e submisso, é o reflexo fiel de uma sociedade que não encontrou ainda, um espaço virtuoso de onde e como canalizar suas potencialidades, suas energias criativas... E toda “energia criativa” por mais positiva que seja, quando estagnada, adoece, cria ranço, e de alguma forma desastradamente tem que ser expressa, trazendo em seu rastro, o lado animalesco do bicho homem.
Sabemos que uma sociedade sadia essencialmente é o reflexo de cidadãos equilibrados. E o que tem o ensino de Artes a ver com tudo isto? Precisamos urgentemente de profissionais conscientes de seu ofício. Profissionais que não se prostituem e nem sejam mercenários do sagrado dom de Ensinar. Profissionais que vibrem com o despertar da alma humana e percebam com alegria, que, quem ganha com isto, é o legado humano, somos nós mesmos.
A Arte é um dos caminhos seguros que mais nos aproxima da Fonte Criadora. Seu campo de conhecimento, sua referência de pesquisa é a própria essência da Criação. Nos dias conturbados de hoje, com certeza precisamos urgentemente desta vivência artística, deste fazer Arte, como forma de se curar, de descobrir-se como pessoa, ser humano capaz de produzir algo que dignifique e enobreça nossa condição de seres inteligentes, cidadãos do Infinito. A Arte é o elo ainda perdido que essencialmente, dá vida e harmoniza a justa relação entre “o pensar, o sentir e o querer”. A Arte permeada na Educação é isto. Como o sangue que circula nas veias, é a genuína expressão de momentos vividos intensamente, momentos únicos onde almas sedentas de conhecimento, despem-se de seus preconceitos, temores, e abrem-se para o novo, a descoberta, o insólito, o salutar. Instantes compartilhados e de cumplicidade entre pessoas comprometidas com o ato de aprender e ensinar, ensinar e aprender, de dar e receber, de receber e dar.