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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ingrid e as Farc


Tomamos conhecimento pela imprensa as visitas e homenagens que recebe a sra. Ingrid Betancourt. Passou seis longos anos aprisionada pelas FARC ou FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia–Exército do Povo (em castelhano Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia–Ejército del Pueblo)), na selva colombiana. As FARC são consideradas organização terrorista pelo governo da Colômbia, pelo governo dos Estados Unidos, Canadá e pela União Européia. Os governos de outros países latino-americanos governados por presidentes de esquerda, como Equador, Bolívia, Brasil, Argentina e Chile não lhes aplicam esta classificação. O presidente Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação em Janeiro de 2008 e apelou à Colômbia como outros governos a um reconhecimento diplomático das guerrilhas enquanto “força beligerante”, argumentando que elas estariam assim obrigadas a renunciar ao sequestro e atos de terror a fim de respeitar a Convenção de Genebra. Cuba e Venezuela adotam o termo “insurgentes” para as FARC.
Esta guerrilha, juntamente com a ELN (Exército de Libertação Nacional da Colômbia (em castelhano
Ejército de Liberación Nacional,) é uma organização guerrilheira, de inspiração comunista e de caráter político-militar, criado em Simacota em 7 de janeiro de 1965, por Fábio Vasquez Castano, inspirado pela experiência bem sucedida da Revolução Cubana. É o segundo maior grupo rebelde da Colômbia (após as FARC), mantém em torno de 2.500 prisioneiros, conforme divulgou a imprensa há poucos meses. A sra. Ingrid, em entrevista, não faz menção aos tempos que ficou detida. Não fala sobre os guerrilheiros e se demonstra muito saudável, ao contrário do que seus familiares e interessados em sua libertação apregoavam.
Agora, sendo recebida pelos mandatários dos países de maior evidência e destaque, inclusive pelo Papa, não só poderia, como deveria se empenhar na libertação de seus antigos pares, que lá permanecem. Mas não. Para espanto geral, não menciona o sistema guerrilheiro e seus cativos. Não se empenha, como imaginávamos que faria, pelo fim desta guerrilha; trouxesse um plano, uma proposta para que as partes encontrem uma solução final a este respeito. Deve ter aprendido muito e visto muito do que se sucede nestes acampamentos. É racionalmente difícil de entender a questão.
Política, filha de diplomata, freqüentou os melhores colégios e universidades da Europa. Potencial candidata à presidência da Colômbia, tem um perfil bem qualificado para ser porta-voz de uma causa. Ao se libertar, tem consciência dos que lá permanecem, e das condições a que são submetidos. Mas não demonstra uma vontade férrea e contundente para pôr fim à questão e não se sensibiliza com os demais, que lá permanecem, a menos que aquilo seja um SPA, ou um cenário de Horizonte Perdido.
É difícil imaginar e indaga-se, diante destas evidências, se seu possível empenho traria solução ou se ela, é parte do problema? Imagine-se sendo retirado do convívio de seus familiares e amigos, permanecendo cativo no meio da mata, acorrentado, e de repente ganha a liberdade deixando para trás 2.500 companheiros de infortúnio. O que faria por eles? Qual seria sua proposta, tendo a tribuna do mundo à sua disposição?
(baseado em texto de Valter José Vieira)

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