(Imagem original daqui)“Na reunião em Tóquio do G-8 (os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia), o destaque da abertura foi a entrevista do presidente do Banco Mundial, o americano Robert Zoellick, o qual exortou as nações desenvolvidas a tomarem medidas urgentes para evitar o “desastre” que virá em decorrência da escassez de alimentos. Segundo ele, a fome e a desnutrição, que já atingiam quase um terço da humanidade (2 bilhões de pessoas), nos últimos meses atingiram outros 100 milhões de indivíduos, e o total tende a crescer mais, caso os centros globais de decisões se mantenham alheios ao problema, ou tratando-o com paliativos. “Precisamos agir com rapidez”, afirmou Zoellick, “e não temos o direito de errar”. Suas sugestões, basicamente, são: 1) o envio emergencial de comida, na forma de doação humanitária, às populações dos países muito pobres; 2) adoção de políticas de estímulo aos pequenos agricultores, nesses mesmos países e também nos emergentes; e 3) a eliminação de restrições à exportação de alimentos vigentes em 26 países.
Uma tal proposta tem chances de vingar talvez só em sua face cosmética. Toneladas de gêneros alimentícios serão enviadas aos lugares onde a fome é mais crítica, e fica-se nisso. A velha história de se dar o peixe, mas não ensinar a pescar. As grandes ações que permitiriam aumentar exponencialmente a produção de alimentos, estas não saem do papel. Não se gasta em pesquisa para incentivar as lavouras nos países atrasados. Não se dá assistência técnica, nem as máquinas mais simples, nem sistemas de armazenagem, nem crédito para viabilizar o plantio. Falta tudo, e na escala mais dramática possível. Enquanto isso acontece,os países prósperos impõem barreiras burocráticas e tarifárias para impedir que os excedentes da produção dos pobres chegue aos seus territórios, a preços mais baratos. Como isso pode prejudicar seus próprios agricultores, o negócio é bloqueado, e assim se instala um círculo vicioso dentro do qual uns têm demais e outros não têm nada – fator que contribui decisivamente para a penúria ora registrada no planeta.
Robert Zoellick é um homem de prestígio no comércio internacional. Falou coisas certas, porém, faltou-lhe coragem para dizer que uma irrisória parcela dos recursos consumidos em projetos militares e de armamentos, provavelmente não mais de 5% de US$ 900 bilhões anuais, bem aplicados durante uma década, bastaria para matar toda a fome do mundo. Em definitivo, de acordo com estudos de organizações especializadas. Como os poderosos do mundo jamais se preocuparam verdadeiramente com o assunto, não se vai além do superficial. Mas a advertência está colocada. Se desta vez ela trouxer algum resultado concreto, mínimo que seja, já será um avanço. Dará para pensar em ampliá-la ao nível necessário, num processo gradativo.”
Uma tal proposta tem chances de vingar talvez só em sua face cosmética. Toneladas de gêneros alimentícios serão enviadas aos lugares onde a fome é mais crítica, e fica-se nisso. A velha história de se dar o peixe, mas não ensinar a pescar. As grandes ações que permitiriam aumentar exponencialmente a produção de alimentos, estas não saem do papel. Não se gasta em pesquisa para incentivar as lavouras nos países atrasados. Não se dá assistência técnica, nem as máquinas mais simples, nem sistemas de armazenagem, nem crédito para viabilizar o plantio. Falta tudo, e na escala mais dramática possível. Enquanto isso acontece,os países prósperos impõem barreiras burocráticas e tarifárias para impedir que os excedentes da produção dos pobres chegue aos seus territórios, a preços mais baratos. Como isso pode prejudicar seus próprios agricultores, o negócio é bloqueado, e assim se instala um círculo vicioso dentro do qual uns têm demais e outros não têm nada – fator que contribui decisivamente para a penúria ora registrada no planeta.
Robert Zoellick é um homem de prestígio no comércio internacional. Falou coisas certas, porém, faltou-lhe coragem para dizer que uma irrisória parcela dos recursos consumidos em projetos militares e de armamentos, provavelmente não mais de 5% de US$ 900 bilhões anuais, bem aplicados durante uma década, bastaria para matar toda a fome do mundo. Em definitivo, de acordo com estudos de organizações especializadas. Como os poderosos do mundo jamais se preocuparam verdadeiramente com o assunto, não se vai além do superficial. Mas a advertência está colocada. Se desta vez ela trouxer algum resultado concreto, mínimo que seja, já será um avanço. Dará para pensar em ampliá-la ao nível necessário, num processo gradativo.”
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