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sábado, 27 de junho de 2009

Sarney em seu momento crítico



Não há dúvida de que as novas revelações sobre escândalos no Senado, ainda que alguns deles precedendo a sua atual gestão no comando da Casa, tornam muito delicada – para não dizer insustentável – a posição do senador José Sarney. Além de vários familiares seus terem sido contemplados com empregos na instituição, o que se diz do veterano político é que, ao longo de todos esses anos, ele foi cúmplice, conivente ou, na melhor das hipóteses, omisso em relação às trapaças que lá se faziam, e cujas faturas sempre coube ao erário público pagar. Os últimos episódios divulgados se referem, por exemplo, aos atos secretos, através dos quais se faziam nomeações de funcionários e se autorizava pagamentos extras e liberação de verbas, e a uma conta bancária clandestina paralela, mantida pelo Senado, à margem das auditorias regulares dos órgãos da União. Tudo isto acontecia, e o presidente do Senado, que era o próprio Sarney, não sabia de nada. Indagado sobre tal ignorância, saiu-se com uma resposta insólita: a de que foi eleito para presidir politicamente a instituição, não para limpar a sua lixeira. Quer dizer: ocorram as sujeiras que ocorrerem, não pertencem à sua alçada. Uma declaração no mínimo espantosa, que não honra seu autor.
O problema é que as acusações se avolumam e há evidências bastante consistentes de que altos funcionários do Senado, do seu setor administrativo, praticavam ilícitos, e hoje são acobertados por senadores. As investigações até agora foram de fachada, e continuarão sendo, se promovidas por elementos do mesmo grupo suspeito. Ou seja, não há isenção, e os inquéritos, apesar de todos os indícios de fraudes e outros atos escusos, parecem fadados a dar em nada. Não é isto que o País exige. O que se defende é uma apuração séria, sem alardes desnecessários, que vá a fundo nos subterrâneos do Senado, para identificar os abusos, os desvios, as burlas e, em especial, quem os cometeu, e também quem vem apadrinhando esses delinqüentes. Uma investigação para tirar tudo a limpo e, por conseguinte, a salvo de ingerências políticas, de que origem forem. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão aí para isso mesmo e, se chamados a fazê-lo, que ninguém veja nisso uma violência contra um outro poder.
O senador José Sarney deveria se afastar da Presidência do Senado, enquanto as denúncias que envolvem a Casa são averiguadas. Sua presença à frente do Legislativo tem sido causa de constrangimento geral, e não serve ao objetivo de se esclarecer os incontáveis pontos obscuros existentes. Por outro lado, ele erra ao culpar a mídia por toda essa situação, que o deixa tão mal, e acha que a razão é o apoio que dá ao presidente Lula. Pura teoria conspiratória, sem nenhuma base real. Se alguém tem culpa, como a experiência ensina, é quem se comportou de forma torta, jamais a simples testemunha do fato.
(Fonte: A Tribuna de Santos – 27/06/2009)

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