O brasileiro que não faz parte da organização mafiosa (a maioria), trabalha, trabalha, paga impostos religiosamente, faz vista grossa aqui e ali, mas não deixa de remoer a raiva ao saber que o dinheiro de impostos arrecadados do resultado do árduo trabalho diário, foi literalmente para os ralos e canais da corrupção institucionalizada em que vive o País.
Eleições recheadas de mentiras e hipocrisias chegam e passam - como sempre - nada avança no sentido de punições exemplares para com os “mafiosos”. O que acontece é que os maiores líderes e políticos da nação, de uma certa maneira, assumem um tom de escárnio para com os brasileiros que insistem na conversa de corrupção na máquina estatal.
“Nos governos anteriores sempre foi assim e é assim que ele funciona!”.
“Isto não é exclusividade do Brasil, acontece nas maiores economias do planeta!”.
“Que conversa furada é esta de ética, de moral nacional?”
“Não se mexe em time que está ganhando!”
O que fazer com estas quadrilhas passando impassível ao largo? O que o “espelho meu” responderá para a pergunta: espelho, espelho meu, em que área está o mais corrupto neste País?
No momento, mais um escabroso caso de corrupção e tráfico
de influência é destacado na mídia. O envolvimento do “senador” Demóstenes
Torres (ex-DEM, agora sem partido) com o megacontraventor Carlinhos Cachoeira
(preso em fev/2012 durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou
a máfia do caça-níqueis no Estado de Goiás. Nas escutas, políticos de pelo
menos seis partidos (PT/PTB/PP/PSDB/DEM/PPS) são citados ou mesmo flagrados em
conversas como suspeitos de participarem do grupo) – dono de uma rede de jogos
clandestinos e contumaz praticante de vários outros ilícitos, agora preso na
Polícia Federal em Brasília – não chama a atenção, apenas, pela alta
promiscuidade das relações entre ambos, já de longa data, desde quando aquele
“parlamentar”, também membro do Ministério Público, posava como paladino da lei
e da moralidade pública. O episódio tem evidenciado, ainda, a extensão em que a
corrupção se alastrou na estrutura governamental.
Como gravações telefônicas têm revelado, o “senador”, a
serviço de Cachoeira, traficava facilidades em diferentes setores, sempre com
boa acolhida. Nunca faltava quem se dispusesse a participar de negócios
escusos, e assim seguia o barco, até que um dia alguma coisa deu errado e a
casa caiu. O esquema foi desmontado (???), mas pergunta-se: quantas outras
quadrilhas continuam funcionando ativamente com sucesso, até agora não
descobertas? Inúmeras, com certeza, na Capital Federal e pelo País inteiro.Agora, uma Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) vai apurar as “irregularidades”. Reportagens na mídia, apuraram com parlamentares e interlocutores que a ministra Ideli Salvatti participou ativamente na escolha do relator Odair Cunha (PT-MG), mantendo uma série de reuniões com líderes e parlamentares. Nesta costura de componentes, certamente, alguma “blindagem” está sendo preparada. Infelizmente, a condução para montagem de uma CPI, não acontece publicamente no Congresso Nacional, mas em “outras esferas” e na “calada da noite”.
Pelo andar da “carruagem” esta CPI vai acabar na famosa “pizza”.
A causa disso é somente uma: IMPUNIDADE.
Como poderá dar certo uma CPI em que um quarto dos 32 parlamentares indicados para investigar o esquema de exploração do jogo ilegal comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, tem problemas com a Justiça.
Oito senadores e deputados respondem a inquéritos e ações penais que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), a maioria originada de problemas ocorridos na função de cargos públicos que os parlamentares já exerceram. Seis desses oito congressistas pertencem à base aliada do governo.
Os parlamentares “enrolados” com a Justiça são (em ordem alfabética):
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB): responde a dois inquéritos (fase preliminar de investigação que pode resultar ou não na abertura de ação penal), um por crimes da Lei de Licitações e outro por crimes eleitorais.
Delegado Protógenes (PCdoB-SP): responde a uma ação penal por quebra de sigilo funcional e fraude. O processo contra Protógenes refere-se a ações cometidas por ele como o responsável pela Operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas.
Fernando Collor (PTB-AL): é alvo de duas ações penais – corrupção passiva e peculato e crimes contra a ordem tributária.
Jayme Campos (DEM-MT): responde a uma ação penal por crimes contra a fé pública e a três inquéritos diferentes (crimes praticados por funcionários públicos contra a administração em geral, crime de responsabilidade e crime contra a Lei de Licitações).
Luiz Pitiman (PMDB-DF): responde a inquérito por crimes eleitorais.
Maurício Quintella Lessa (PR-AL): responde a um inquérito por peculato. Foi um dos parlamentares envolvidos na farra das passagens. Ele cedeu nove bilhetes para viagens de familiares e terceiros a Nova Iorque (EUA) e Montevidéu (Uruguai). É primo do ex-governador alagoano Ronaldo Lessa. O deputado votou favoravelmente ao projeto que pretendia legalizar a exploração de bingos, derrubado pela Câmara em 2010.
Silvio Costa (PTB-PE): responde a uma ação penal por crimes contra a honra – o deputado foi processado pelo ex-colega Raul Jungmann (PPS-PE), em 2009, por injúria, crime de menor gravidade. Em programa de rádio veiculado naquele ano, Silvio chamou Jungmann de corrupto, e a maioria dos ministros do STF aceitou a abertura de ação penal. Este cidadão é francamente a favor da legalização dos bingos. “Quem é contra a legalização dos bingos é a favor da contravenção”, costuma dizer
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM): responde a um inquérito por crimes eleitorais
No Brasil, salvo raríssimas exceções, corrupção não dá cadeia, e sequer a perda de bens ilegalmente adquiridos. Houvesse punições severas, e a situação seria outra. Corrupção, obviamente, jamais deixará de haver, mas em escala bem menor, o que já seria um ganho.

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