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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Telhado de vidro


“Ao contrário do que muitos imaginavam, o julgamento do mensalão não vai terminar em pizza. Com as sentenças até agora anunciadas, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a penas de prisão a maioria dos réus, e tudo indica que o mesmo irá suceder aos demais acusados, participantes de um dos maiores esquemas de corrupção política até hoje montados no País. A repercussão dos fatos é intensa. Nos meios partidários diretamente ligados ao assunto, o clima é de pânico. A tal ponto que, coincidindo as sessões do Supremo com o período precedente à eleição municipal, e estando o escândalo a exercer previsível influência sobre parcela dos eleitores, o PT e seus aliados correram a denunciar que a exploração do caso do mensalão na Campanha eleitoral, pelas legendas de oposição, constitui “golpismo”. Documento divulgado nesta semana, com endosso da presidente Dilma Rousseff, defende “a honra e a dignidade” do ex-presidente Lula e diz que os partidos adversários estão levando o Supremo Tribunal Federal a fazer um julgamento político e a reverter conquistas que marcaram o Governo anterior.

O PT distorce os fatos. O que está ocorrendo, no momento, no âmbito da mais alta corte de Justiça do País, é o exame de delitos graves, registrados na cúpula política, administrativa e parlamentar do País, delitos estes cometidos por determinadas pessoas, e a aplicação da lei às mesmas, caso fique plenamente comprovada ou reste solidamente evidenciada a culpabilidade delas. No episódio em questão, as transgressões, praticadas por elementos do PT e de outras siglas, têm sido expostas com cristalina clareza, e o STF outra coisa não tem feito se não reconhecer que os crimes realmente foram perpetrados, dando-lhes então as consequências penais cabíveis. Se tais eventos vêm suscitando explorações nas campanhas eleitorais em andamento, é problema para ser avaliado pela Justiça Eleitoral, que saberá tomar as providências pertinentes contra eventuais excessos ou falsidades. No mais, é o preço que o Partido dos Trabalhadores paga por haver se envolvido, na área federal, naquelas lambanças da compra de votos parlamentares em troca de apoio a projetos de interesse do Governo Lula e para financiar atividades partidárias que concorreriam para sua perpetuação no poder.

Em toda sua existência, o PT foi um campeão de denuncismo, apontando implacavelmente as mazelas alheias e exigindo castigo exemplar para os seus autores. Era o paladino da moralidade pública e das virtudes cívicas no Brasil. Quando porém se constatou que, como os outros – aqui, sem exceções – também fazia das suas – põe-se a reclamar de golpe e exploração política. Uma atitude que, obviamente, o coloca mal, tanto na visão do STF quanto sobretudo perante as parcelas esclarecidas da sociedade brasileira, mas que, certamente, não haverá de modificar o rumo dos acontecimentos.”

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