“Ao
contrário do que muitos imaginavam, o julgamento do mensalão não vai terminar em
pizza. Com as sentenças até agora anunciadas, o Supremo Tribunal Federal (STF)
condenou a penas de prisão a maioria dos réus, e tudo indica que o mesmo irá
suceder aos demais acusados, participantes de um dos maiores esquemas de
corrupção política até hoje montados no País. A repercussão dos fatos é
intensa. Nos meios partidários diretamente ligados ao assunto, o clima é de
pânico. A tal ponto que, coincidindo as sessões do Supremo com o período
precedente à eleição municipal, e estando o escândalo a exercer previsível
influência sobre parcela dos eleitores, o PT e seus aliados correram a
denunciar que a exploração do caso do mensalão na Campanha eleitoral, pelas
legendas de oposição, constitui “golpismo”. Documento divulgado nesta semana,
com endosso da presidente Dilma Rousseff, defende “a honra e a dignidade” do
ex-presidente Lula e diz que os partidos adversários estão levando o Supremo
Tribunal Federal a fazer um julgamento político e a reverter conquistas que
marcaram o Governo anterior.
O
PT distorce os fatos. O que está ocorrendo, no momento, no âmbito da mais alta
corte de Justiça do País, é o exame de delitos graves, registrados na cúpula
política, administrativa e parlamentar do País, delitos estes cometidos por
determinadas pessoas, e a aplicação da lei às mesmas, caso fique plenamente
comprovada ou reste solidamente evidenciada a culpabilidade delas. No episódio
em questão, as transgressões, praticadas por elementos do PT e de outras
siglas, têm sido expostas com cristalina clareza, e o STF outra coisa não tem
feito se não reconhecer que os crimes realmente foram perpetrados, dando-lhes
então as consequências penais cabíveis. Se tais eventos vêm suscitando
explorações nas campanhas eleitorais em andamento, é problema para ser avaliado
pela Justiça Eleitoral, que saberá tomar as providências pertinentes contra
eventuais excessos ou falsidades. No mais, é o preço que o Partido dos
Trabalhadores paga por haver se envolvido, na área federal, naquelas lambanças
da compra de votos parlamentares em troca de apoio a projetos de interesse do
Governo Lula e para financiar atividades partidárias que concorreriam para sua
perpetuação no poder.
Em
toda sua existência, o PT foi um campeão de denuncismo, apontando
implacavelmente as mazelas alheias e exigindo castigo exemplar para os seus
autores. Era o paladino da moralidade pública e das virtudes cívicas no Brasil.
Quando porém se constatou que, como os outros – aqui, sem exceções – também fazia
das suas – põe-se a reclamar de golpe e exploração política. Uma atitude que,
obviamente, o coloca mal, tanto na visão do STF quanto sobretudo perante as
parcelas esclarecidas da sociedade brasileira, mas que, certamente, não haverá
de modificar o rumo dos acontecimentos.”



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