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segunda-feira, 18 de junho de 2007

Maniqueísmo (Rubens Shirassu Júnior)


Os dois caminhos oferecidos ao Homem, que se equilibra há milênios, são uma figura de retórica convenientemente vaga. Temos vagas visões como o inferno da escatologia cristã: tem-se o temor, mas não se tem os detalhes. Passa-se a eternidade numa grelha ou há períodos de folga?

São sempre os mesmos diabinhos a nos espetar ou há um rodízio?

Só sabemos que não queremos chegar lá para descobrir.

A ciência, pelo menos até Einstein, nunca pretendeu desafiar a metafísica dominante, mesmo quando desmentia seus dogmas. Em seu tratado revolucionário sobre o Universo heliocêntrico, Copérnico destruiu mil anos de ensinamento da Igreja. Mesmo assim, continuamos a ver nossas novelas e a pagar nossos carnês, e concluímos que o inferno é mais uma ficção repreensiva do que um fato. O caos completo ou o apocalipse nunca chegará ou, pelo menos, nunca será completo. Porque, quando pensamos no inferno imaginamos as imagens monstruosas e surrealistas e, por isso, tememos o que desconhecemos, pelo conceito imposto de fatalidade.

Melhor pensar que o juízo final será, brasileiramente, adiado para sempre – ou nunca passará da retórica à realidade. O diabo é que tem gente que leva a metáfora a sério e parece estar sempre aproveitando do desespero nacional, para saber até onde é possível ir aos limites da manipulação e do amedrontamento. E, é claro que os que desafiam as normas maniqueístas não sofrerão os efeitos de seu fundamentalismo: no caso de a gente cair no abismo de fogo, não espere ver outros caindo junto.

Estamos fritos?

Se não é verdade é um bom achado, além de negócio rentável, livre também de estelionato porque você não assina nenhum documento , como comprovante, parafraseando Galileu. Uma coisa torna essa política unânime, desde a idade média: na língua dos números (ou do dinheiro) não existe retórica, nem jargão e nem duplo sentido – existe, sim, a língua dos artifícios, como o bem colocado termo “a salvação eterna”. Você pode contestar os argumentos, ser convincente com mais números, mas não tente questionar sobre a verdade, o seu caráter e suas motivações.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Boi Renan....

O trabalho jornalístico da Globo, ontem (14/07/2007) no Jornal Nacional mostrou claramente que a justificativa do presidente do Senado, Renan Calheiros, para o dinheiro obtido para pagar a pensão à sua filha é uma verdadeira montagem para tentar descaracterizar a “ajuda” financeira de empreiteira. Os repórteres checaram a origem dos 70 recibos que comprovariam transações de venda do gado das fazendas do senador no interior de Alagoas. A maioria é uma “senhora” fraude. Até o gerente das fazendas, Everaldo de Lima Silva, diz que o número de animais é menor que o citado nos documentos de Renan.Os valores das transações só seriam verdadeiros se os bois de Alagoas fossem os mais caros do Brasil. Por muito menos, em 2001 os senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda renunciaram.
Apesar de tudo isto, hoje (15/07/2007), o Conselho de Ética (?????) do senado vota o pedido de arquivamento do processo contra Renan.Mas não é somente isto não. Para mostrar que o “ilícito” é protegido, o governo Lula conseguiu enterrar a CPI destinada a investigar corrupção e fraudes em licitações para obras públicas executadas pela Construtora Gautama. Mas a Polícia Federal ainda não desistiu. Ela encaminha hoje (15/06/2007) ao procurador-geral da República relatório no qual aponta indícios de que os deputados federais Paulo Magalhães (DEM-BA) e Maurício Quintella (PR-AL) receberam dinheiro da construtora Gautama.
(Fontes: Jornal Nacional - Blog Noblat - O Estado de São Paulo - Folha de São Paulo)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Não se espante... é no Brasil mesmo!


STF protege autoridades...
O plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu ontem (13/06/2007) que a lei criada para punir corrupção no serviço público não pode ser aplicada contra autoridades, como presidentes da República, ministros de Estado, governadores e prefeitos. A decisão joga para o arquivo cerca de 10 mil ações movidas pelo Ministério Público em todo o País. Mas, essa decisão pode ser revertida (será?). O julgamento começou há quase cinco anos e quatro dos ministros votantes já deixaram o tribunal. Em caso semelhante, os novos ministros do STF já condenaram o deputado federal e ex-prefeito Paulo Maluf (PP)

....e as autoridades se protegem entre si

De forma sumária, o relator Epitácio Cafeteira pediu o arquivamento do processo no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, Renan Calheiros por "absoluta ausência de provas ou indícios" de quebra de decoro parlamentar. Sua investigação durou dois dias. Ele não ouviu nenhuma testemunha. Assim, quem não é inocente? (Fontes: O Globo e o Estado de São Paulo)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Motivo de piada


terça-feira, 12 de junho de 2007

O que você acha?

Há algo de muito errado acontecendo em Brasília... quanto mais se puxa mais se acha...
É assustador perceber que temos vivido numa república de escuridão e desconfiança...
O que falta acontecer?

O congresso cair ?

O presidente ser deposto?

Uma guerra civil?
Dizem que não estamos vivendo uma crise institucional, então o que é?

domingo, 10 de junho de 2007

Guilhotina neles (Eunice Tomé)


A França já nos deu muitos exemplos no passado. Na política, a Revolução Francesa foi um marco no mundo ocidental e os ideais traçados de liberdade, igualdade e fraternidade passaram a ser universais. Pena que muitos países ficaram na vontade de cumprir suas práticas de ética, de justiça, de honestidade. Até a própria França, pós-revolução, teve lá suas dificuldades.
Isso foi no passado. Agora, em pleno Século XXI, depois de sofrer com as manifestações recentes dos menos favorecidos e imigrantes desempregados, elege um novo presidente Nicolas Sarkosy, da linha de centro, conservador. Não importa. As primeiras medidas, após a posse, agradam: enxugar a máquina administrativa, começando pelos ministérios. Seu gabinete passa de 30 cadeiras para 15 ministérios plenos.
A partir dessas primeiras medidas, para observadores como nós e nascidos no Brasil, difícil é ficar sem estabelecer comparações. Nosso governo só tem ampliado sua equipe, cada vez mais política e incompetente, para não dizer corrupta e, recentemente, mais um dos seus elos foi incluído como membro dos navalhas.
Hoje são 37 ministérios, considerando as duas novas secretarias com status de primeiro escalão, de Portos e de Ações de Longo Prazo. Há que se destacar que cada um desses gabinetes agrega uma infinidade de setores que muitas vezes se atropelam e nada decidem. Os cofres públicos são esvaziados com tantos salários e mordomias. As verbas para os setores prioritários são escassas, sendo que o da educação, que se entende ser a base de tudo, chega a quinto lugar em recursos, ficando com R$27 bilhões. Novamente vem o exemplo da França, que tem essa área dividida em dois ministérios – Educação e Educação Superior e Pesquisa, demonstrando uma prioridade e atenção especial com a formação das gerações.
Cada país conta com seus problemas e as mesmas decisões e acertos nem sempre se mostram adequados, mas, no caso da educação, está mais do que provado que será a saída a médio e longo prazos para eliminar grande parte dos problemas sociais. O Brasil não quer ouvir essa verdade e continua batendo cabeça e errando em seus princípios.
Coincidentemente, a Pinacoteca de São Paulo está com uma exposição de peças de arte e mobiliários que pertenceram ao Palácio de Versailles e foram usados pelos últimos reis absolutistas, os “Luizes”, antes de suas quedas pela Revolução Francesa. O filme Maria Antonieta mostrou recentemente esse luxo e os descaminhos dos poderosos que se fecham nos castelos, enquanto o povo morre de fome. A guilhotina foi o castigo. Seria bom que cabeças também rolassem no Brasil, servindo de exemplo contra a impunidade. Centenas, talvez alguns milhares de bandidos de colarinho branco estão a merecer. O povo iria aplaudir de pé.

sábado, 9 de junho de 2007

Zuleidos e Valérios


É atribuída a Tim Maia a frase de que só no Brasil “prostituta se apaixona, cafetão sente ciúme, traficante cheira e pobre é de direita”.
Não sei se é verdade, mas não vem ao caso. O que sei é que se Tim Maia estivesse vivo ele aumentaria sua frase com novos exemplos. Descobrimos muito recentemente que cá na terrinha juiz vende liminar, policial protege bandido e empreiteiro corrupto se diz adepto do zen-budismo. Gretchen, a rainha do bumbum, está num partido que um dia congregou comunistas de estirpe. Bruna Surfistinha, garota de programa... deixa pra lá, os exemplos são muitos e apenas nos mostram, como diria Caetano, que alguma coisa está fora de ordem.
Os mais afoitos dirão que vivemos uma débâcle moral. Outros talvez culpem os novos tempos, antevendo sinais de que o apocalipse se aproxima. Não sei, apenas me assusto quando passo por bancas de jornais e vejo a enorme quantidade de revistas que vendem fofocas de um tipo de gente que, por convenção, chamamos agora de “celebridades”... Substituímos antigas referências por gente como Alemão do BBB, e movemos nossas preocupações cotidianas para saber quem será o novo affair de Grazzi ou a nova partner do Gianechini...
São tempos vazios. Consumimos informações que não sobrevivem a uma noite, e que não acrescentam absolutamente nada a nossas vidas, a não ser o prazer vicário de gozar com a fama alheia. Se prestarmos atenção, nos tornamos potencialmente corruptos. Só não o somos na prática por falta de oportunidade, por não ter a chance de privar os mesmos espaços e gabinetes de Zuleidos e Valérios. Como brincava o Barão de Itararé, “negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados”. É isso: falta o convite, a sedução...
Estamos no Fio da Navalha, para usar um termo em voga no momento. Temos Proálcool, mas movido a trabalho escravo. Temos democracia, e um dos Congressos mais corruptos da história. Temos a modernidade da internet, e uma juventude desinformada e desinteressada.
Está na hora de descer do muro. De um lado, a vida com seus percalços. Do outro, a fama fácil e a riqueza provida por Zuleidos e Valérios. (Alexandre Pelegi)