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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Financiamento do crime organizado

“Quem compra drogas financia o crime organizado;
quem paga imposto, também!”

quarta-feira, 9 de maio de 2012

“Veja” agora pode ser a bola da vez na CPI (Ricardo Kotscho)

Agora não tem mais jeito, não dá mais para esconder. A CPI, que começou com o nome de Cachoeira (por que não Demóstenes?) e ameaçou virar CPI da Delta, pode tomar um novo rumo, investigando pela primeira vez, além de corruptos e corruptores, atividades nebulosas de setores da imprensa brasileira.
Ao terminar de assistir à demolidora reportagem sobre as íntimas relações entre Cachoeira, a Delta e a maior revista semanal do país, exibida na noite deste domingo, no programa Domingo Espetacular, da TV Record, não tenho mais dúvidas: a "Veja" agora pode ser a bola da vez da CPI.
As gravações das escutas telefônicas, apresentadas com exclusividade pelo repórter Afonso Mônaco, denunciam que o contraventor Carlinhos Cachoeira não era apenas uma "fonte" da revista, como nós jornalistas chamamos quem nos dá informações.
Cachoeira aparece também muito à vontade fazendo o papel de pauteiro e até de editor da "Veja", sugerindo em qual espaço e data suas "matérias" deveriam ser publicadas. Cinco capas da revista nasceram assim, como mostram as gravações da Polícia Federal.
Após a publicação, comemorava com Cláudio Abreu, diretor da Delta, também preso, o resultado do trabalho de Policarpo Júnior, um dos redatores-chefes da revista, baseado em Brasília.
"Poli" ou "PJ", como era carinhosamente chamado por Cachoeira e Abreu, foi o co-autor da denúncia sobre a corrupção nos Correios, em 2005, que deu origem à crise do mensalão. Por ordem de Cachoeira, o jornalista da "Veja" recebeu de Jairo Martins, araponga do staff do contraventor, o vídeo mostrando um diretor dos Correios, embolsando uma propina de R$ 3 mil. Foi um trabalho de parceria.
Será que Carlinhos Cachoeira utilizou Policarpo Júnior apenas para combater a corrupção nos Correios, preocupado com a moralidade nos negócios públicos? Ficaria claro algum tempo depois que o "empresário de jogos" fez isso para derrubar um grupo corrupto e colocar outro em seu lugar nos Correios, mais afinado com seus interesses.
As gravações reveladas pelo Domingo Espetacular, mostram também que foi o mesmo Jairo Martins quem forneceu à revista o vídeo do hotel em que se hospedava José Dirceu em Brasília, utilizado, no ano passado, para a capa "O poderoso chefão", episódio em que um repórter subordinado a Policarpo tentou invadir o apartamento do ex-ministro.
Como se vê na reportagem, as relações entre Cachoeira e Policarpo são antigas e variadas, mas até agora ainda pouco se sabe sobre o conteúdo das mais de 200 ligações feitas entre os dois personagens e gravadas pela PF.

O pouco que vazou até agora e a reportagem que a Record colocou no ar domingo, no entanto, quebrando a cortina de silêncio dos barões da mídia reunidos no Instituto Millennium, já foi suficiente para que tanto o presidente da CPI, Vital do Rego, como o relator, Odir Cunha, admitissem no próprio programa que a imprensa pode, sim, ser investigada também.
Para o deputado federal Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, não só o jornalista Policarpo Júnior deveria ser convocado pela CPI, mas também o proprietário da Editora Abril, Roberto Civita: "Na minha opinião, ele é o principal responsável. Ele é o dono dessa revista, e ele operou com vontade".
As famílias proprietárias da grande imprensa nem admitem ouvir falar nesta possibilidade, ao contrário do que aconteceu com o magnata Rupert Murdoch, convocado a depor em comissão do Parlamento britânico e agora ameaçado de perder o seu império.
A direção da Abril não se manifestou oficialmente sobre o assunto até o momento. Apenas foi publicada, na versão on-line, onde escrevem alguns bate-paus da revista, uma espécie de "carta de princípios", assinada pelo diretor de redação Eurípedes Alcântara, em que não cita fatos nem nomes ligados ao escândalo.
Tudo poderá agora ser esclarecido pela CPI. É para isso mesmo que ela foi criada: investigar tudo e todos.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Corrupção no Brasil: um crime sem castigo!

As ligações clandestinas de corrupção que diariamente são destacadas na imprensa brasileira, tem como local central, o Congresso Nacional (Senado Federal, com seus 81 senadores que deveriam representar as unidades federativas e o distrito federal e Câmara dos Deputados com seus 513 deputados federais que deveriam representar o povo), além é claro, do poder executivo federal, estadual e municipal. Tudo isto nos mostra que existe uma verdadeira máfia estatal, complexa e perigosa, com mil cabeças e mil mãos bobas.
O brasileiro que não faz parte da organização mafiosa (a maioria), trabalha, trabalha, paga impostos religiosamente, faz vista grossa aqui e ali, mas não deixa de remoer a raiva ao saber que o dinheiro de impostos arrecadados do resultado do árduo trabalho diário, foi literalmente para os ralos e canais da corrupção institucionalizada em que vive o País.
Eleições recheadas de mentiras e hipocrisias chegam e passam - como sempre - nada avança no sentido de punições exemplares para com os “mafiosos”.  O que acontece é que os maiores líderes e políticos da nação, de uma certa maneira, assumem um tom de escárnio para com os brasileiros que insistem na conversa de corrupção na máquina estatal.
“Nos governos anteriores sempre foi assim e é assim que ele funciona!”.
“Isto não é exclusividade do Brasil, acontece nas maiores economias do planeta!”.
“Que conversa furada é esta de ética, de moral nacional?”
“Não se mexe em time que está ganhando!”
O que fazer com estas quadrilhas passando impassível ao largo? O que o “espelho meu” responderá para a pergunta:  espelho, espelho meu, em que área está o mais corrupto neste País?

No momento, mais um escabroso caso de corrupção e tráfico de influência é destacado na mídia. O envolvimento do “senador” Demóstenes Torres (ex-DEM, agora sem partido) com o megacontraventor Carlinhos Cachoeira (preso em fev/2012 durante a Operação  Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou a máfia do caça-níqueis no Estado de Goiás. Nas escutas, políticos de pelo menos seis partidos (PT/PTB/PP/PSDB/DEM/PPS) são citados ou mesmo flagrados em conversas como suspeitos de participarem do grupo) – dono de uma rede de jogos clandestinos e contumaz praticante de vários outros ilícitos, agora preso na Polícia Federal em Brasília – não chama a atenção, apenas, pela alta promiscuidade das relações entre ambos, já de longa data, desde quando aquele “parlamentar”, também membro do Ministério Público, posava como paladino da lei e da moralidade pública. O episódio tem evidenciado, ainda, a extensão em que a corrupção se alastrou na estrutura governamental.
Como gravações telefônicas têm revelado, o “senador”, a serviço de Cachoeira, traficava facilidades em diferentes setores, sempre com boa acolhida. Nunca faltava quem se dispusesse a participar de negócios escusos, e assim seguia o barco, até que um dia alguma coisa deu errado e a casa caiu. O esquema foi desmontado (???), mas pergunta-se: quantas outras quadrilhas continuam funcionando ativamente com sucesso, até agora não descobertas? Inúmeras, com certeza, na Capital Federal e pelo País inteiro.
Agora, uma Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) vai apurar as “irregularidades”. Reportagens na mídia, apuraram com parlamentares e interlocutores que a ministra Ideli Salvatti participou ativamente na escolha do relator Odair Cunha (PT-MG), mantendo uma série de reuniões com líderes e parlamentares. Nesta costura de componentes, certamente, alguma “blindagem” está sendo preparada. Infelizmente, a condução para montagem de uma CPI, não acontece publicamente no Congresso Nacional, mas em “outras esferas” e na “calada da noite”.
Pelo andar da “carruagem” esta CPI vai acabar na famosa “pizza”.
A causa disso é somente uma: IMPUNIDADE.
 Como poderá dar certo uma CPI  em que um quarto dos 32 parlamentares indicados para investigar o esquema de exploração do jogo ilegal comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, tem problemas com a Justiça.
Oito senadores e deputados respondem a inquéritos e ações penais que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), a maioria originada de problemas ocorridos na função de cargos públicos que os parlamentares já exerceram. Seis desses oito congressistas pertencem à base aliada do governo.
Os parlamentares “enrolados” com a Justiça são (em ordem alfabética):
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB):  responde a dois inquéritos (fase preliminar de investigação que pode resultar ou não na abertura de ação penal), um por crimes da Lei de Licitações e outro por crimes eleitorais.
Delegado Protógenes (PCdoB-SP):  responde a uma ação penal por quebra de sigilo funcional e fraude. O processo contra Protógenes refere-se a ações cometidas por ele como o responsável pela Operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas.
Fernando Collor (PTB-AL):  é alvo de duas ações penais – corrupção passiva e peculato e crimes contra a ordem tributária.
Jayme Campos (DEM-MT):  responde a uma ação penal por crimes contra a fé pública e a três inquéritos diferentes (crimes praticados por funcionários públicos contra a administração em geral, crime de responsabilidade e crime contra a Lei de Licitações).
Luiz Pitiman (PMDB-DF):  responde a inquérito por crimes eleitorais.
Maurício Quintella Lessa (PR-AL):  responde a um inquérito por peculato. Foi um dos parlamentares envolvidos na farra das passagens. Ele cedeu nove bilhetes para viagens de familiares e terceiros a Nova Iorque (EUA) e Montevidéu (Uruguai). É primo do ex-governador alagoano Ronaldo Lessa. O deputado votou favoravelmente ao projeto que pretendia legalizar a exploração de bingos, derrubado pela Câmara em 2010.
Silvio Costa (PTB-PE):  responde a uma ação penal por crimes contra a honra – o deputado foi processado pelo ex-colega Raul Jungmann (PPS-PE), em 2009, por injúria, crime de menor gravidade. Em programa de rádio veiculado naquele ano, Silvio chamou Jungmann de corrupto, e a maioria dos ministros do STF aceitou a abertura de ação penal. Este cidadão é francamente a favor da legalização dos bingos. “Quem é contra a legalização dos bingos é a favor da contravenção”, costuma dizer
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM):  responde a um inquérito por crimes eleitorais

No Brasil, salvo raríssimas exceções, corrupção não dá cadeia, e sequer a perda de bens ilegalmente adquiridos. Houvesse punições severas, e a situação seria outra. Corrupção, obviamente, jamais deixará de haver, mas em escala bem menor, o que já seria um ganho.

sábado, 14 de abril de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mãe

“Vemos atualmente no mundo desordem, violência e conflito. Para curar esses males é preciso
descartar o egoísmo, a ganância e outras características ruins, e elevar-se acima da natureza animal. É por meio da caridade (altruísmo) que você alcança a pureza. Com pureza de coração você pode alcançar a Unidade que levará, então, à Divindade. A morada da vida humana deve ser construída sobre a caridade, a pureza, a unidade e a Divindade. As mulheres desempenham um papel crucial em cultivar esses quatro pilares. Verdade, sacrifício e paz são qualidades
predominantes nas mulheres. Uma boa esposa é de importância apenas para o marido, enquanto uma boa mãe é um patrimônio nacional. Apenas mães dedicadas podem oferecer à nação filhos que se esforçarão para o grande futuro do país.
Boas e tolerantes mães, que cuidam da pureza e do crescimento espiritual dos seus filhos e do bem-estar da comunidade, são a necessidade atual. ”

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A copa do mundo (2014) não será nossa! (Frei Betto)




Para bem funcionar, um país precisa de regras. Se carece de leis e de quem zele por elas, vale a anarquia. O Brasil possui mais leis que população. Em princípio, nenhuma delas pode contrariar a lei maior – a Constituição. Só em princípio. Na prática, e na Copa, a teoria é outra.

Diante do megaevento da bola, tudo se enrola. A legislação corre o risco de ser escanteada e, se acontecer, empresas associadas à Fifa ficarão isentas de pagar impostos. A lei da responsabilidade fiscal, que limita o endividamento, será flexibilizada para facilitar as obras destinadas à Copa e às Olimpíadas. Como enfatiza o professor Carlos Vainer, especialista em planejamento urbano, um município poderá se endividar para construir um estádio. Não para efetuar obras de saneamento...

A Fifa é um cassino. Num cassino, muitos jogam, poucos ganham. Quem jamais perde é o dono do cassino. Assim funciona a Fifa, que se interessa mais por lucro que por esporte. Por isso desembarcou no Brasil com a sua tropa de choque para obrigar o governo a esquecer leis e costumes.

A Fifa quer proibir, durante a Copa, a comercialização de qualquer produto num raio de 2 km em torno dos estádios. Excetos mercadorias vendidas pelas empresas associadas a ela. Fica entendido: comércio local, portas fechadas. Camelôs e ambulantes, polícia neles!

Abram alas á Fifa! Cerca de 170 mil pessoas serão removidas de suas moradias para que se construam os estádios. E quem garante que serão devidamente indenizadas?

A Fifa quer o povão longe da Copa. Ele que se contente em acompanhá-la pela TV. Entrar nos estádios será privilégio da elite, dos estrangeiros e dos que tiverem cacife para comprar ingressos em mãos de cambistas. Aliás, boa parte dos ingressos será vendida antecipadamente na Europa.

A Fifa quer impedir o direito à meia-entrada. Estudantes e idosos, fora! E nada de entrar nos estádios com as empadas da vovó ou a merenda dietética recomendada por seu médico. Até água será proibido. Todos serão revistados na entrada. Só uma empresa de fast food poderá vender seus produtos nos estádios. E a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios, que vigora hoje no Brasil, será quebrada em prol da marca de uma cerveja made in USA.

Comenta o prestigioso jornal Le Monde Diplomatique: “A recepção de um megaevento esportivo como esse autoriza também megaviolação de direitos, megaendividamento público e megairregularidades.”

A Fifa quer, simplesmente, suspender, durante a Copa, a vigência do Estatuto do Torcedor, do Estatuto do Idoso e do Código de Defesa do Consumidor. Todas essas propostas ilegais estão contidas no Projeto de lei 2.330/2011, que se encontra no Congresso. Caso não seja aprovado, o Planalto poderá efetivá-las via medidas provisórias. Se você fizer uma camiseta com os dizeres “Copa 2014”, cuidado. A Fifa já solicitou ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro de mais de mil itens, entre os quais o numeral “2014”. (Não) durmam com um barulho deste: a Fifa quer instituir tribunais de exceção durante a Copa. Sanções relacionadas à venda de produtos, uso de ingressos e publicidade. No projeto de lei acima citado, o artigo 37 permite criar juizados especiais, varas, turmas e câmaras especializadas para causas vinculadas aos eventos. Uma Justiça paralela! Na África do Sul, foram criados 56 Tribunais Especiais da Copa. O furto de uma máquina fotográfica mereceu 15 anos de prisão! E mais: se houver danos ou prejuízo à Fifa, a culpa e o ônus são da União. Ou seja, o Estado brasileiro passa a ser o fiador da FIFA em seus negócios particulares.

É hora de as torcidas organizadas e os movimentos sociais porem a bola no chão e chutar em gol. Pressionar o Congresso e impedir a aprovação da lei que deixa a legislação brasileira no banco de reservas. Caso contrário, o torcedor brasileiro vai ter que se resignar a torcer pela TV.