Quase duzentos Fábios, Júlios e Marias morreram ontem à noite no pior acidente aéreo da América Latina. Ao tentar pousar no aeroporto de Congonhas, um avião da TAM derrapou na pista molhada, passou em um vôo rasante sobre os carros que estavam na avenida Washington Luís e acabou explodindo ao se chocar contra um prédio da própria TAM e um posto de gasolina. Testemunhas contam que primeiro ouviram um estrondo. Depois, viram um clarão e uma gigantesca bola de fogo.
No caos do trabalho de resgate, policiais disseram ao jornal O Estado de São Paulo ter encontrado os corpos de uma mãe e uma criança carbonizados dentro de um carro que estava no posto de gasolina atingido pelo avião. As duas morreram abraçadas.
O jornal A Folha de São Paulo relata o tragédia de uma funcionária da TAM que se jogou da janela do prédio atingido pelo avião. Ela morreu na queda. Todas as TVs mostraram o despreparo da companhia em lidar com as famílias das vítimas em Porto Alegre.
Dramas como o de ontem exigem o melhor (e, muitas vezes, exibem o pior) da imprensa. Quem eram as vítimas? Como e por que o acidente aconteceu? E pode acontecer de novo? são perguntas naturais impossíveis de serem respondidas de imediato. Mas os jornais de hoje revelam várias possibilidades. Todos as TVs, sites, rádios e jornais lembram que a pista principal do aeroporto de Congonhas estava funcionando sem as ranhuras transversais - chamadas de grooving - necessárias para o escoamento de água. Sem o grooving, o piso poderia empoçar e causar aquaplanagem. Foi essa falha que, provavelmente, causou a derrapagem de avião da Pantanal anteontem, na mesma pista em que ocorreu o acidente da TAM. Pilotos contaram ao jornal O Globo que em Congonhas sob chuva os pneus surfam na água e o freio não consegue atrito.
A Folha de São Paulo denuncia que os controladores de tráfego aéreo da torre de Congonhas disseram ter pedido o fechamento da pista principal durante as chuvas. Oficiais da Força Aérea e autoridades da Infraero negaram o pedido por entender que não havia perigo.
“O acidente foi uma tragédia anunciada”, afirmou Carlos Camacho, diretor de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas ao jornal, Jornal do Brasil.
Três pilotos ouvidos pelo O Estado de São Paulo, afirmaram que um dos reversos do avião da TAM estaria "pinado". O termo, eles explicam, significa que a peça teria um pino para travar o freios. Isso impediria que a aeronave tivesse os freios ativados inesperadamente, como ocorreu na decolagem do Focker 100, em 1996.
Logo após esta tragédia, o presidente Lula organizou um gabinete de emergência com os ministros Waldir Pires (Defesa), Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), Dilma Roussef (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social) e determinou que a Polícia Federal investigue as causas do acidente. O jornal O Globo informa que o governo trabalha com a hipótese de que o acidente pode ter sido falha humana. O piloto teria tentado parar e tentou arremeter quando o avião já estava no chão.
Mais uma vez o governo quer culpar alguém e não assumir que o erro é seu. Aproveita com este tipo de tragédia para fazer demagogia e se esquece da raiz, do passado. Passado em que deveriam ser providenciadas medidas de segurança preventiva. Esquecem que colocam em funções de comando, apenas apadrinhados que não se preocupam com o povo mas, sim, apenas com seus interesses pessoais, principalmente, em "engordar" contas bancárias.
Realmente esta tragédia é fruto de falha humana. Falha humana do governo federal que há mais de três anos já deveria ter investido na melhoria e segurança da pista do aeroporto de Congonhas e não o fez. Por exemplo, porque ao invés de ter gasto uma fortuna na compra do “Aerolula”, não “gastou” na pista de pouso e decolagem de Congonhas?
Agora só nos resta orar a Deus para que os que foram descansem em paz e os familiares que ficaram tenham o seu consolo.
Um comentário:
Good impression!
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