Parodiando um personagem antigo, do comediante Jô Soares, o macaco Sócrates: “Não precisa explicar, eu só queria entender.”No discurso de posse que fez em 01/2007, no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou rapidamente a crise ética que abalou o País em 2005/2006 (e ainda abala atualmente), com as investigações de escândalos de corrupção como os do mensalão, dos sanguessugas e do dossiê Vedoin."O Brasil ainda precisa avançar em padrões éticos e em práticas políticas", afirmou Lula para, em seguida, anunciar a convicção de que, naquela oportunidade, o País estava melhor: "Muito melhor na eficiência dos seus mecanismos de controle e na fiscalização sobre seus governantes."A corrupção é uma atividade que, segundo Lula, nunca foi tão combatida como no seu governo. "Nunca se combateu tanto a corrupção e o crime organizado. Muita coisa melhorou na garantia dos direitos humanos, na defesa do meio ambiente, na ampliação da cidadania e na valorização das minorias", disse na ocasião.
Realidade 1:
Conforme divulgação do Instituto Heritage e o Wall Street Journal, o Brasil em 2003, ocupava a 58ª. posição no ranking das economias livres (considera-se 163 nações) e, em 2007, despencou para o 101º. lugar em razão dos expressivos índices de corrupção que impedem o bom funcionamento da economia. Entre os 29 países do continente americano, o Brasil aparece na 21ª posição em liberdade econômica, bem atrás de nações como o México (44º lugar), Peru (55º) e Paraguai (77º).
Como isso é possível, se nos últimos anos extirpou tumores, escancarou tramóias, prendeu senhores de colarinho-branco e estourou fronteiras de corrupção com as megaoperações da Polícia Federal? Como justificar o crescimento da corrupção, se o governo eleva a voz para enaltecer o mais feroz combate às negociações e aos cambalachos de que se tem notícia na história deste país? As operações policiais e a ação do Ministério Público foram somente show de pirotecnia?
O Palácio do Planalto vai gastar, em 2008, R$ 154.000.000,00 para vender “o peixe social” do governo, forma sutil de atrair a simpatia dos pobres e lembrar-lhes que foram iluminados pelo programa Luz para Todos e salvos pela grana do Bolsa-Família (esperamos que não sejam através de empresas do Sr. Duda e do Sr. Valério). No ano em que se elegerão 5.564 prefeitos, isso não cria desequilíbrio, conforme denuncia o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio? A caneta vai ser usada de modo descarado para consolidar a imagem de um lulismo auto-suficiente, arrogante, prepotente, exercendo um poder absoluto que não presta contas a ninguém.
Realidade 2:
O despudorado financiamento público para as campanhas eleitorais de 2008. Milhões serão despendidos para a administração federal fazer a louvação dos programas assistencialistas. O maestro da orquestra, o presidente da República, fará as massas carentes cantarem, em uníssono, o hino das glórias recebidas. Em 2007, a conta da glorificação chegou perto de R$ 1.000.000.000,00. Este ano, milhares de prefeitos aliados ao governo serão eleitos, formando gigantesco capital eleitoral para 2010. Isso é financiamento com dinheiro do povo. Quem tem “máquina” pública a favor já entra com um handicap na campanha.
Realidade 3:
A história dos cartões de crédito corporativos é uma ABERRAÇÃO. A imagem é a de um cheque assinado em branco utilizado sem critério.
O saque direto na boca do caixa eletrônico, em 2007, atingiu o montante de R$ 58.700.000,00, de R$ 75.600.000,00 contabilizados. Para onde foi essa dinheirama?
Conclusão:
Assim como muitos brasileiros, eu estou cansado. Cansado de ficar impotente diante das impunidades, diante de tanto cinismo, diante da falta de representatividade. Diante da falta de perspectiva de mudanças, diante de tanto roubo, e diante de uma falta de governo que, com sua ausência, assassina friamente cidadãos que usam os serviços regiamente pagos ao governo, e enganados com a informação de que está tudo funcionando normal, usam os serviços para morrer tragicamente como aconteceu nos acidentes da GOL e da TAM. O dinheiro arrecadado com as taxas de embarque - mais cara do mundo - não foi utilizado para o fim que se destinava e deu no que deu e ainda está dando problemas. A agência reguladora responsável pelo bom desempenho dos serviços, parece que enganou até um juiz e mentiu e apresentou provas falsas para manter um aeroporto sem condições em funcionamento. Apenas neste exemplo, indiretamente, esta agência aparelhada com o pessoal despreparado contribuiu e é cúmplice da morte de pessoas inocentes, no maior acidente aéreo da aviação brasileira.
Sempre fui totalmente contra qualquer golpe de estado que contrarie as condições democráticas de direito. Os golpes invariavelmente terminam com afrontas à liberdade e com autoritarismo total que sempre culminam como um atraso social direto.
Mas no momento atual em que vivemos isto já está acontecendo, e um golpe mais forte já foi tentado ao arrepio da lei, e não vingou pela pressa em aplicá-lo (mensalão foi uma tentativa de comprar o estado de direito, e isto é golpe) e para se deter esta tendência, somente vejo uma forma, que seria um golpe apenas para desmanchar esta rede que foi formada nos últimos 25 anos e aplicar à força, medidas que colocariam o Brasil em outro rumo e senhor de seu destino. Devemos sim lutar por isto e nunca esquecer os conselhos do Rui Barbosa:
“Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!”
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