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quarta-feira, 26 de março de 2008

Fiasco americano no Iraque

No dia 20 de março de 2008 fez cinco anos que, durante uma tarde de Março de 2003, os olhos do Mundo estiveram centrados na Base das Lajes, Açores, onde o presidente norte-americano e os então primeiros-ministros britânico, espanhol e português protagonizaram a “Cimeira da Guerra” no Iraque.
No meio do Atlântico, George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar, recebidos pelo primeiro-ministro português de então, Durão Barroso, reuniram-se, na tarde de 16 de Março de 2003, naquela que também ficou conhecida como a Cimeira das Lajes, que culminou, 4 dias depois, na madrugada de 20 do mesmo mês, com o início da intervenção militar no Iraque.
Desencadeada por uma coligação militar internacional, liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, e apoiada por Portugal e Espanha, entre outros países, a operação conduziu à ocupação militar do Iraque, que se mantém, e ao derrube do regime do ditador Saddam Hussein, que viria a ser capturado e morto, por enforcamento, depois de julgado e condenado à pena capital por um tribunal iraquiano.
De 80 mil a 655 mil (dependendo da estatística) civis iraquianos mortos, 4 mil soldados americanos com o mesmo fim e cerca de 4 milhões de refugiados. Constante tensão entre palestinos e israelenses, fortalecimento de grupos terroristas e a consolidação do Irã como uma nova força política e militar no Oriente Médio. Este é o convulsivo quadro dessa região do planeta após cinco anos de invasão e posterior ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e seus aliados.
Na semana passada, o presidente americano George Bush, em “comemoração” à data, fez uma defesa enfática da grande obra de seu governo, esta famigerada guerra. Durante discurso no Pentágono, ele disse que os EUA têm sido muito bem-sucedidos no conflito, tanto no combate a Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda ainda não capturado, como na derrubada do ditador Saddam Hussein. Bush alegou que as mortes dos militares americanos são parte de um “preço alto”, mas ”necessário” e alfinetou os candidatos democratas. Conforme o presidente, a promessa deles de retirada acelerada das tropas após as eleições tem sido justificada pelo alto custo – de US$ 1 trilhão a US$ 3 trilhões – e não pela violência, que está em queda.
A conclusão que se pode tirar é que Bush meteu os EUA numa enrascada impressionante. Além das perdas de vidas das duas nações, a guerra exigiu um esforço material que colaborou para a expansão do déficit astronômico americano. Esgotado politicamente pelos percalços do belicismo, o presidente agora não consegue centrar seu foco na crise que varre os setores financeiro e imobiliário de Nova Iorque à Califórnia. Internacionalmente, o fiasco é total. Enquanto o ataque de 11 de setembro trouxe solidariedade aos EUA e aprovação à derrubada da milícia Taleban do poder no Afeganistão, o início das ações em 20 de março de 2003 (dia 19 no Brasil), que contou com um expressivo apoio dentro dos Estados Unidos, se esvaiu nos anos seguintes.
A presença americana naquele ponto da Ásia aprofundou o previsível conflito entre sunitas e xiitas antes unidos à força ditatorial e atraiu o terror da Al-Qaeda e outros grupos assemelhados, que encontraram terreno ideologicamente e religiosamente fértil para levantes contra as tropas invasoras. Justificativas falsas ou incomprovadas de arsenal de armas químicas e ligação com a Al-Qaeda colaboraram para minar o apoio do eleitorado dos EUA à operação no Iraque, que hoje é estimado em apenas um terço. Além disso, nesse período o Irã ganhou importância na região, tornando-se um aliado do Hezbollah, grupo terrorista que desestabilizou o Líbano. Portanto, está mais do que provado que as estratégias do ataque preventivo e do unilateralismo não passam de erros do conservadorismo bushista que, espera-se, sejam enterrados pelo próximo governo, pois o atual não tem mais salvação.