
"Sabe quando, de uma hora para a outra, aprendemos algo que tentam nos ensinar há séculos? Creio que tenha sido o que aconteceu com um colega recentemente.
Foi em uma manhã de sexta-feira. Meu colega acabara de receber uma encomenda de uma loja e notou que não havia nenhum cheque em seu talão para pagar o rapaz responsável pela entrega. Sendo assim, precisou ir até o banco. O rapaz da loja o acompanhou. Chegando lá, notaram que havia apenas quatro pessoas na fila para os caixas. Meu colega preferiu esperar os caixas convencionais a utilizar os eletrônicos. Após alguns minutos, o rapaz da loja comentou que a fila estava um tanto quanto lenta, e meu colega sugeriu então que fossem para os caixas eletrônicos. Sairam da fila e correram para um daqueles horrorosos terminais que nos recepcionam sempre que entramos em uma agência. Infelizmente, não conseguiu nem o talão de cheques, nem o dinheiro. Resultado: tiveram de voltar para a fila. Só que agora havia cerca de dez pessoas à sua frente. Em menos de um minuto conseguiram perder mais de vinte. Entretanto, antes que meu colega se acomodasse no último e mais desafortunado lugar, o rapaz que estava com ele apontou para um homem no início da fila e lhe disse que aquele era o seu lugar. Relutou por um instante, mas... que mal havia em aceitar uma justa camaradagem? Se o homem oferecia seu lugar de volta, nada mais inteligente do que aceitá-lo. Então, retornou e perguntou ao generoso homem se estava tudo bem para ele. Ele lhe respondeu que não estava reclamando de nada. Permaneceu ali. Logo foi atendido pelo caixa, sacou o dinheiro e entregou-o ao rapaz da loja. Se despediram e meu colega voltou para casa com uma estranha apreensão. Algo o incomodava. Não gostou da forma como o homem que lhe cedera o lugar lhe tratou. Então, lembrou-se de que o seu real lugar na fila não era aquele.
Originalmente, estavam à frente de uma mulher. O rapaz da loja fez confusão; ninguém lhe ofereceu nada e acabou por furar a fila, literalmente. Por esta razão, aquele homem fora tão seco. Meu colega ficou superarrependido, e nem tinha mais como se desculpar. Então, ficou imaginando o que ele teria para contar a respeito do que viu. Provavelmente, chegaria em casa dizendo à família que o nosso povo não tem mesmo jeito, e que a falta de respeito e educação impera na sociedade. Usaria meu colega como exemplo, dizendo que dois rapazes descaradamente tomaram o seu lugar na fila. Ele, amedrontado, não se queixara na hora. Especialmente após ver que um deles estava retirando dinheiro vivo para entregar ao outro. Isto os denunciava como traficantes, “aviões” ou simplesmente usuários de drogas. Gente perigosa. Não valia a pena correr o risco de levar um tiro e perder a vida por um simples lugar na fila de um banco.
É claro que isto é um exagero e que não podemos ter qualquer certeza sobre as reais impressões daquele homem. Mas aquilo fez meu colega pensar. Sabia que não estava errado. E ele também sabia que não estava. Entretanto, ambos se julgam vítimas: meu colega do julgamento dele e ele da falta de educação do meu colega. Acontece que nenhum dos dois fez nada de errado. Um simples mal-entendido.
Fico imaginando, quantas vezes na vida nos encontramos na pele daquele homem, julgando e condenando pessoas que tomam atitudes, cujas razões desconhecemos. Quem se intitula errado? Quem se acha ruim? Mal-educado? Todos têm suas razões para serem humanamente incompletos, despreparados e incômodos. Quando vamos entender isto? Como podemos julgar alguém que faz algo que provavelmente faríamos também se estivéssemos em seu lugar?
Que fique bem claro que este texto não faz nenhuma apologia ao erro. Nós, humanos, erramos e erramos muito. Todos os dias. Em todos os momentos. E jamais devemos nos acostumar com isto. Precisamos estar sempre alertas para novos aprendizados e trabalhando para que os velhos erros não se repitam. Mas é preciso que entendamos que o próximo também é humano, e que sempre terá razões diferentes das nossas. Ele não aprendeu o mesmo que você e não vive como você vive, como se já não bastasse o fato de ser outra pessoa. Se não conhece o porquê das atitudes de alguém: não julgue. Caso conheça, verá que seu julgamento quase sempre terminará em absolvição. Pense nisso.
Certa vez, um sábio disse que antes de julgarmos alguém, deveríamos nos lembrar que este alguém teve uma história completamente diferente da nossa. Somente assim conseguiremos assimilar isto. Espero ter conseguido compartilhar essa “descoberta” com você."
Foi em uma manhã de sexta-feira. Meu colega acabara de receber uma encomenda de uma loja e notou que não havia nenhum cheque em seu talão para pagar o rapaz responsável pela entrega. Sendo assim, precisou ir até o banco. O rapaz da loja o acompanhou. Chegando lá, notaram que havia apenas quatro pessoas na fila para os caixas. Meu colega preferiu esperar os caixas convencionais a utilizar os eletrônicos. Após alguns minutos, o rapaz da loja comentou que a fila estava um tanto quanto lenta, e meu colega sugeriu então que fossem para os caixas eletrônicos. Sairam da fila e correram para um daqueles horrorosos terminais que nos recepcionam sempre que entramos em uma agência. Infelizmente, não conseguiu nem o talão de cheques, nem o dinheiro. Resultado: tiveram de voltar para a fila. Só que agora havia cerca de dez pessoas à sua frente. Em menos de um minuto conseguiram perder mais de vinte. Entretanto, antes que meu colega se acomodasse no último e mais desafortunado lugar, o rapaz que estava com ele apontou para um homem no início da fila e lhe disse que aquele era o seu lugar. Relutou por um instante, mas... que mal havia em aceitar uma justa camaradagem? Se o homem oferecia seu lugar de volta, nada mais inteligente do que aceitá-lo. Então, retornou e perguntou ao generoso homem se estava tudo bem para ele. Ele lhe respondeu que não estava reclamando de nada. Permaneceu ali. Logo foi atendido pelo caixa, sacou o dinheiro e entregou-o ao rapaz da loja. Se despediram e meu colega voltou para casa com uma estranha apreensão. Algo o incomodava. Não gostou da forma como o homem que lhe cedera o lugar lhe tratou. Então, lembrou-se de que o seu real lugar na fila não era aquele.
Originalmente, estavam à frente de uma mulher. O rapaz da loja fez confusão; ninguém lhe ofereceu nada e acabou por furar a fila, literalmente. Por esta razão, aquele homem fora tão seco. Meu colega ficou superarrependido, e nem tinha mais como se desculpar. Então, ficou imaginando o que ele teria para contar a respeito do que viu. Provavelmente, chegaria em casa dizendo à família que o nosso povo não tem mesmo jeito, e que a falta de respeito e educação impera na sociedade. Usaria meu colega como exemplo, dizendo que dois rapazes descaradamente tomaram o seu lugar na fila. Ele, amedrontado, não se queixara na hora. Especialmente após ver que um deles estava retirando dinheiro vivo para entregar ao outro. Isto os denunciava como traficantes, “aviões” ou simplesmente usuários de drogas. Gente perigosa. Não valia a pena correr o risco de levar um tiro e perder a vida por um simples lugar na fila de um banco.
É claro que isto é um exagero e que não podemos ter qualquer certeza sobre as reais impressões daquele homem. Mas aquilo fez meu colega pensar. Sabia que não estava errado. E ele também sabia que não estava. Entretanto, ambos se julgam vítimas: meu colega do julgamento dele e ele da falta de educação do meu colega. Acontece que nenhum dos dois fez nada de errado. Um simples mal-entendido.
Fico imaginando, quantas vezes na vida nos encontramos na pele daquele homem, julgando e condenando pessoas que tomam atitudes, cujas razões desconhecemos. Quem se intitula errado? Quem se acha ruim? Mal-educado? Todos têm suas razões para serem humanamente incompletos, despreparados e incômodos. Quando vamos entender isto? Como podemos julgar alguém que faz algo que provavelmente faríamos também se estivéssemos em seu lugar?
Que fique bem claro que este texto não faz nenhuma apologia ao erro. Nós, humanos, erramos e erramos muito. Todos os dias. Em todos os momentos. E jamais devemos nos acostumar com isto. Precisamos estar sempre alertas para novos aprendizados e trabalhando para que os velhos erros não se repitam. Mas é preciso que entendamos que o próximo também é humano, e que sempre terá razões diferentes das nossas. Ele não aprendeu o mesmo que você e não vive como você vive, como se já não bastasse o fato de ser outra pessoa. Se não conhece o porquê das atitudes de alguém: não julgue. Caso conheça, verá que seu julgamento quase sempre terminará em absolvição. Pense nisso.
Certa vez, um sábio disse que antes de julgarmos alguém, deveríamos nos lembrar que este alguém teve uma história completamente diferente da nossa. Somente assim conseguiremos assimilar isto. Espero ter conseguido compartilhar essa “descoberta” com você."
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