“Pai jogou filha pela janela”. Militares entregaram adolescentes para gangue rival”. “Policiais seqüestraram enteado de megatraficante”. “Polícia assassina menino de três anos”. “40% do Congresso Nacional têm a ficha suja”. A lógica do jornalismo prefere as manchetes do tipo “Homem mordeu cachorro” do que o inverso. O problema é que estamos nos acostumando. Os jornais descrevem uma nação que agoniza sem saber resolver suas mazelas. Já não temos mais desculpas para as perguntas das crianças. Prática corriqueira antes mesmo de D. João e sua corte chegarem aqui, há exatos 200 anos, o jeitinho brasileiro se enraizou na sociedade e, hoje, se confunde com mau-caratismo, pilantragem e contravenção em detrimento de valores essenciais de uma sociedade avançada. A corrupção e a impunidade nos fizeram incrédulos. Na década de 70, a novidade era levar vantagem em tudo. Todo mundo queria ser Gérson. A classe média alta acreditou que, protegida pelos muros e cercas de arame farpado dos condomínios de luxo, estaria segura de todas as impurezas sociais. Ledo engano. Vieram os seqüestros em série, a cracolândia, as rebeliões da FEBEM, a poluição do rio Tietê, as crianças nascidas sem cérebro em Cubatão, os massacres de eldorado dos Carajás e da Candelária, Champinha e tantos outros episódios repugnantes. Formamos, ao longo das décadas. Uma juventude tecnológica, atualizada e consumista, mas, em sua maioria, sem compromisso com a civilidade. Os jovens da periferia se agrupam em gangues, veneram a intolerância e praticam violência regada a sexo, drogas e funk. Precisamos de mais responsabilidade com a formação dos jovens, desde a educação básica. A sociedade, o meio-ambiente e a educação de qualidade devem estar à frente do planejamento futuro na construção da sociedade brasileira. A falta de valores, aliada à ineficiência da justiça e à impunidade, inspirou os Delúbios, os Dantas, os Jefferson e os Nardoni. Toda nação tem suas maçãs podres. Não é diferente em nenhum outro lugar. O que falta aqui é julgar e punir os culpados sem o espetaculoso, apenas justiça, rigorosa e cega. Somos um País de gigantes, mas não amadurecemos o suficiente para converter a pujança de nossa economia em conhecimento, desenvolvimento e prosperidade social. A elevação do Brasil ao grau de investment grade, em 2008, nos deu boas referências internacionais. Mas, enquanto isso, empresários, executivos, cientistas e uma trupe de brasileiros sérios e bem preparados deixam o País todos os anos para que seus filhos não sejam seqüestrados ou mortos por bandidos. Queremos abrir os jornais e ter esperança de um futuro melhor. Saber que diminuiu o número de homicídios no Recife. Que temos mais jovens na universidade. Que fomos bem avaliados no exame de proficiência do Pisa. Que despoluímos a Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas, principalmente, que temos orgulho de ser brasileiros. (Waldir José Lanza)
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Sobre jovens e gigantes
“Pai jogou filha pela janela”. Militares entregaram adolescentes para gangue rival”. “Policiais seqüestraram enteado de megatraficante”. “Polícia assassina menino de três anos”. “40% do Congresso Nacional têm a ficha suja”. A lógica do jornalismo prefere as manchetes do tipo “Homem mordeu cachorro” do que o inverso. O problema é que estamos nos acostumando. Os jornais descrevem uma nação que agoniza sem saber resolver suas mazelas. Já não temos mais desculpas para as perguntas das crianças. Prática corriqueira antes mesmo de D. João e sua corte chegarem aqui, há exatos 200 anos, o jeitinho brasileiro se enraizou na sociedade e, hoje, se confunde com mau-caratismo, pilantragem e contravenção em detrimento de valores essenciais de uma sociedade avançada. A corrupção e a impunidade nos fizeram incrédulos. Na década de 70, a novidade era levar vantagem em tudo. Todo mundo queria ser Gérson. A classe média alta acreditou que, protegida pelos muros e cercas de arame farpado dos condomínios de luxo, estaria segura de todas as impurezas sociais. Ledo engano. Vieram os seqüestros em série, a cracolândia, as rebeliões da FEBEM, a poluição do rio Tietê, as crianças nascidas sem cérebro em Cubatão, os massacres de eldorado dos Carajás e da Candelária, Champinha e tantos outros episódios repugnantes. Formamos, ao longo das décadas. Uma juventude tecnológica, atualizada e consumista, mas, em sua maioria, sem compromisso com a civilidade. Os jovens da periferia se agrupam em gangues, veneram a intolerância e praticam violência regada a sexo, drogas e funk. Precisamos de mais responsabilidade com a formação dos jovens, desde a educação básica. A sociedade, o meio-ambiente e a educação de qualidade devem estar à frente do planejamento futuro na construção da sociedade brasileira. A falta de valores, aliada à ineficiência da justiça e à impunidade, inspirou os Delúbios, os Dantas, os Jefferson e os Nardoni. Toda nação tem suas maçãs podres. Não é diferente em nenhum outro lugar. O que falta aqui é julgar e punir os culpados sem o espetaculoso, apenas justiça, rigorosa e cega. Somos um País de gigantes, mas não amadurecemos o suficiente para converter a pujança de nossa economia em conhecimento, desenvolvimento e prosperidade social. A elevação do Brasil ao grau de investment grade, em 2008, nos deu boas referências internacionais. Mas, enquanto isso, empresários, executivos, cientistas e uma trupe de brasileiros sérios e bem preparados deixam o País todos os anos para que seus filhos não sejam seqüestrados ou mortos por bandidos. Queremos abrir os jornais e ter esperança de um futuro melhor. Saber que diminuiu o número de homicídios no Recife. Que temos mais jovens na universidade. Que fomos bem avaliados no exame de proficiência do Pisa. Que despoluímos a Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas, principalmente, que temos orgulho de ser brasileiros. (Waldir José Lanza)
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