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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Caso Neymar x Dorival


Por atos de indisciplina contra o técnico e por ofensas até a seus companheiros de equipe do Santos Futebol Clube, Neymar foi multado e afastado do time. Pelas declarações tanto do treinador, quanto da direção do clube e do próprio Neymar, o que se supunha era que não tardaria para o jogador voltar ao time, sem que isso significasse leniência diante da indisciplina ou intolerável quebra de hierarquia. Tinha-se como certo, também, que diretoria e técnico, em conjunto, tomariam as decisões adequadas.
Aí veio a surpresa: o treinador estava dispensado.
A impressão predominantemente neste desenrolar dos fatos e seu desfecho é que Neymar, com seus maus modos e sua insubordinação, foi prestigiado pelo clube, em detrimento de princípios e valores sociais que de maneira alguma podem ser desprezados.
Não se pode deixar de registrar que o jovem jogador, ao reagir grosseiramente ao seu treinador, foi além dos limites de tolerância que a imaturidade lhe proporciona, e cometeu atos de notória insubordinação que precisam ser coibidos, mesmo que seja um craque de bola, cheio de fama e de dinheiro. “São coisas de um garoto de 18 anos”, dirão alguns. Nada disso. Tem muito menino dessa idade trabalhando duro, ajudando no sustento da família e servindo à Pátria. Com 18 anos, o jovem vota nas eleições e tira carteira de motorista. Deve estar ciente das suas responsabilidades, portanto. Deve saber o que está certo e o que está errado.
Os questionamentos que neste momento se fazem a Neymar são em benefício dele próprio, de sua formação como pessoa adulta. Vivemos numa sociedade que se tornou altamente permissiva, mas nem todos os valores, obrigações e exigências foram derrogados. Num outro nível, interesses econômicos e comerciais não devem nunca ser aqueles que dão a última palavra. Ainda existem princípios que precisam ser respeitados. E nem as inversões de valores podem ser admitidas, venham de onde vierem.
Não sabemos, por ora, que desdobramentos esse caso terá, mas bom será que as suas lições não se percam, nem para Neymar, nem para o Santos Futebol Clube, nem para qualquer outro dos envolvidos. Mais do que um mero entrevero, tão comum no mundo do futebol, o que tivemos foi uma distorção das práticas funcionais regulares, estimulada por fatores que não ficam bem na convivência pessoal e nas relações profissionais. E são ainda um péssimo exemplo, em especial para os milhares de jovens que acompanharam atentamente o que ocorreu, e não podem ser induzidos a pensar que agir errado compensa, pois no fim tudo se ajusta e todos saem felizes e contentes. No mundo real as coisas não são assim. Evitar que esse tipo de situação volte a se repetir é o que se impõe a todos.

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