
A Casa Civil chamava-se Gabinete Civil e seu titular quase não tinha força política. Era uma espécie de conselheiro do presidente para assuntos civis. Passou a ter grande importância quando o general Ernesto Geisel escolheu para o Gabinete o general Golbery do Couto e Silva (de 15 de março de 1974 até 15 de março de 1979)
No governo de José Sarney (15.03.1985 a 15.03.1990 ) o Gabinete Civil teve no início uma função mais técnica. Tanto é que Sarney manteve no posto José Hugo Castelo Branco, escolhido por Tancredo Neves. Com Marco Maciel, Ronaldo Costa Couto e Luiz Roberto Ponte, sucessores de Castelo Branco, o Gabinete Civil passou a ter um viés também político.
Durante o governo de Fernando Affonso Collor de Mello (1990 a 1992 ) todas as funções técnicas e administrativas foram entregues ao Gabinete Civil, comandado por Marcos Coimbra. Collor só se preocupou em buscar um político para o posto quando seu governo já caminhava para o precipício. Foi quando nomeou Jorge Bornhausen.
No governo de Itamar Augusto Cautiero Franco (1992-1994) o ministério passou a se chamar Casa Civil. Itamar pôs no posto o amigo Henrique Hargreaves, que deu ao cargo feição técnica e política: aconselhava Itamar e negociava votações no Congresso. Henrique Hargreaves, foi envolvido em denúncias, fruto de investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional, entre 1993 e 1994, que apontavam irregularidades na elaboração do Orçamento da União. Imediatamente, Itamar Franco retirou-o da Casa Civil para que se averiguassem as denúncias. Comprovada sua inocência, retornou ao Palácio do Planalto.
No governo de Fernando Henrique Cardoso (1995/2002) a Casa Civil manteve um perfil mais técnico do que político. Mas passou a concentrar poder de fato no governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011). José Dirceu de Oliveira e Silva, o primeiro ministro da pasta na gestão Lula, recebeu a incumbência de assistir direta e indiretamente o presidente. Dirceu era ainda, na ausência do presidente, o chefe do Conselho de Governo e o secretário executivo do Conselho da República. Essa concentração de poder foi mantida nas gestões de Dilma e de Erenice.
Desde janeiro de 2003 até 2011, a Casa Civil transformou-se na “casa do barulho” com recorrentes denúncias de corrupção envolvendo os responsáveis por esta Casa. Parodiando Lula, podemos dizer: "Nunca antes na história desse País houve tantos problemas neste ministério".
Sob o comando de José Dirceu (1 de janeiro de 2003 até 21 de junho de 2005), em fevereiro de 2004, Waldomiro Diniz, então subchefe de Assuntos Parlamentares, apareceu em um vídeo pedindo propina para o empresário de jogos Carlinhos Cachoeira, em um caso que envolvia extorsão, corrupção passiva e gestão fraudulenta.
Um ano e quatro meses depois do escândalo, foi a vez do maior abalo do governo Lula: a revelação, pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), do escândalo do mensalão. Jefferson acusou o então titular da Casa Civil, José Dirceu, de comandar “uma sofisticada organização criminosa, especializada em desviar recursos públicos”, segundo o próprio procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, em denúncia acatada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um esquema que ia muito além da simples compra de votos de parlamentares.
Foi aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para apurar as denúncias. Acabaram caindo a cúpula do PT e os principais líderes dos partidos que apoiavam o governo. Roberto Jefferson, então deputado federal, e José Dirceu foram cassados e mais 40 pessoas denunciadas pelas irregularidades, entre parlamentares, lobistas e empresários.
Os escândalos não cessaram com a substituição de José Dirceu. Na gestão de Dilma Vana Rousseff (de 21 de junho de 2005 até 30 de março de 2010 a “mãe do PAC-Programa de Aceleração do Crescimento”, o maior embuste da história recente de nossa República ) a Casa Civil foi acusada de montar um dossiê contra os familiares do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em represália à atuação dos oposicionistas na CPI dos Cartões Corporativos, em 2008. O comando da montagem do dossiê foi atribuído a Erenice Guerra, que substituiria (de 30 de março de 2010 até 16 de setembro de 2010) Dilma Rousseff e se envolveria em mais um escândalo da problemática Casa Civil.
Agora em 2011, o responsável pela “Casa”, é um prodígio das finanças, o médico Antonio Palocci Filho, que em pouco mais de quatro anos, simplesmente, multiplicou por 20 ( ou 60?) seu patrimônio pessoal, por meio de “assessoria” a grupos empresariais propiciada por sua notória capacidade de “operar” nas estruturas de poder nos governos Lula e Dilma. Palocci é velho conhecido da sociedade brasileira desde sua passagem, como prefeito, pela prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Palocci foi acusado de chefiar um esquema de corrupção da época em que era prefeito. Através da cobrança de "mesadas" de até 50 mil reais mensais de empresas que prestavam serviços à prefeitura, o ex-ministro da fazenda alimentava os cofres do seu partido, o PT, com dinheiro ilícito. Nada, porém, foi provado até este momento. Em 27 de março de 2006, Palocci foi demitido pelo presidente Lula do cargo de ministro da Fazenda. Sua situação ficou insustentável a partir da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, testemunha de acusação contra Palocci no caso da casa do lobby, mansão alugada pela chamada "República de Ribeirão Preto" para servir de sede para reuniões de lobistas e encontros com prostitutas, conforme investigações da CPI dos Bingos.
O que deixa o brasileiro de boa índole abismado é que os argumentos apresentados na defesa são os mais despudorados já vistos na história política da República, como o de que para esse governo (de maioria petista) não importa a vida pregressa dos nomeados, o que em qualquer administração séria deveria ser o primordial para a escolha. Infelizmente a administração governamental petista tem se notabilizado em trabalhar em silêncio, mesmo causando um enorme barulho no que concerne à frouxidão moral no trato da coisa pública.
Diante destes inúmeros escândalos, todos os brasileiros devem conhecer, e entender, duas coisas que podem transformar o cidadão em milionário de uma hora para a outra: “Casa Civil e uma empresa de Consultoria."
Veja este exemplo:
O Globo - 24/05/2011
PRINCIPAL ASSESSOR DE PALOCCI MANTÉM CONSULTORIA PRIVADA
Agência O Globo: Leila Suwwan e Tatiana Farah
Assim como o chefe, o braço-direito do ministro Antonio Palocci e hoje assessor especial da Casa Civil, Branislav Kontic, também é dono de uma consultoria de gestão empresarial em São Paulo, a Anagrama. A empresa foi criada em 1997 e continua ativa, segundo registros oficiais. Tem como endereço formal uma pequena sala no Centro de São Paulo e atua nos setores de consultoria em gestão empresarial, entre outros. Brani, como é conhecido, também é sócio minoritário de Luis Favre, ex-marido da senadora Marta Suplicy (PT), em outra empresa, a Epoke Consultoria, que atua no ramo de prestação de serviços de informação.

Assim é demais!!!!!!!
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