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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Operação abafa

Caminho para a riqueza:
Evolução
O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, multiplicou por 20 seu patrimônio entre 2006 e 2010, quando era deputado federal
Julho de 2006
Candidato a deputado federal, declara bens no valor de R$ 375 mil. Neste mesmo mês, funda a Projeto, empresa de consultoria.
Outubro de 2006
Palocci é eleito deputado.
Dezembro de 2009
A Projeto compra um escritório por R$ 882 mil, para onde se muda.
Novembro de 2010
A Empresa adquire um apartamento por R$ 6,6 milhões.
Dezembro de 2010
Quatro dias antes de Palocci assumir a Casa Civil, empresa passa a se chamar Projeto Administração de Imóveis, e deixa de ser uma consultoria.
Janeiro de 2011
Palocci assume a Casa Civil, com um patrimônio de cerca de R$ 7,5 milhões.

Primeiro foi José Dirceu. Depois Dilma, quando teria pedido à Lina Vieira, para a Receita “maneirar” com o Sarney. Em seguida Erenice Guerra. Agora Palocci. Sempre na Casa Civil? Por que sempre na Casa Civil?
Ministro da Casa Civil é o cargo mais importante do Palácio do Planalto depois do presidente. Pelas mãos do ministro passam todas as principais decisões de governo. Ele acompanha o dia-a-dia da administração e articula as relações com o Congresso.
Palocci cita em sua defesa pessoas que enriqueceram após sair do governo (o seu caso) e pessoas que já ganhavam bem na iniciativa privada ou eram empresários quando ocuparam pela primeira vez cargos de primeiro escalão na administração pública federal (nada a ver com o seu caso).
Maílson e Malan, nenhum dos dois, voltou ao governo depois de ganharem dinheiro dando conselhos a empresários. Pode-se argumentar que não tiveram a oportunidade de voltar porque são opositores do governo do PT. Mas, voluntariamente ou não, jamais voltaram a ocupar um cargo público que os colocasse na berlinda novamente.
Armínio Fraga, Henrique Meirelles e Alcides Tápias, eram de empresas e interesses conhecidos. Essa informação torna possível monitorar, mesmo que parcialmente, o comportamento deles nos cargos públicos que ocuparam e ver se há relação com as empresas onde atuaram antes.
Arida e Lara Resende. Ambos tiveram carreiras entremeadas entre funções públicas (nos governos Sarney e Fernando Henrique) e no mercado financeiro, como banqueiros/investidores.

“Embora sejam fortes os indícios de anormalidades em relação ao acentuado aumento do patrimônio do ministro Antônio Palocci, chefe da Casa Civil do Governo Dilma, nem a Procuradoria Geral da República nem a Comissão de Ética da Presidência, atuando politicamente, veem elementos para investigar o caso. A apuração dos fatos, todavia, se faz necessária, diante do peso da denúncia feita no último final de semana pelo jornal Folha de S.
Paulo: em apenas quatro anos, de 2006 a 20010, como deputado federal, viu seus bens se multiplicarem várias vezes, passando de declarados R$ 375 mil para mais de R$ 7 milhões ao assumir o posto atual, em 1º de janeiro deste ano. Seus vencimentos parlamentares, no entanto, limitaram-se a R$ 974 mil, brutos, no total. Diz o ministro que os ganhos vieram de uma firma sua de consultoria. Não se sabe, porém, para quem trabalhou esse empresa,
que tipo de serviços efetivamente prestou aos clientes, e quanto faturou. Foi revelado, somente, que foi em nome dessa empresa, da qual ele possui 99,9% do capital, que Palocci adquiriu dois imóveis em áreas nobres de São Paulo: um conjunto de escritórios, por R$ 882 mil, e um apartamento residencial, por R$ 6,6 milhões. Este último, pago em duas parcelas, de R$ 3,6 milhões e R$ 3 milhões. Ou seja: uma transação típica de magnata, categoria à qual o ex-prefeito de Ribeirão Preto não parece pertencer.
Surpreendido pela acusação, o Governo fez o de praxe: procurou blindar o titular da Casa Civil. O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tido como a segunda voz da presidente Dilma, logo veio a público dizer que Palocci já deu as explicações devidas, e o assunto está encerrado. Sem ter ainda completado seis meses e estando empenhado num duro combate contra a inflação, obviamente que será muito ruim para o Governo ver uma de suas figuras de proa envolvida em escândalo, daí a rapidez da "operação abafa". Tudo agora, portanto, ficaria na dependência do comportamento da oposição, de sua insistência em cobrar esclarecimentos. Quanto a isso, um balde de água fria veio do senador Aécio Neves (PSDB-MG) que pediu "serenidade" diante do episódio. Algo do tipo "vamos devagar". Se ocorrer
realmente isto, Palocci poderá se safar, a menos que surjam novas revelações comprometedoras contra ele, o que não é improvável, em face de sua própria declaração, de que ex-ministros (da Fazenda, como foi) são "muito valorizados" no mercado. Por certo, sabe bem do que está falando.
De qualquer forma, um flanco vulnerável se abriu na estrutura governista, e é impossível, por ora, prever seus desdobramentos. Mesmo mantido no cargo, Palocci inegavelmente perde força e vê diminuído seu raio de ação e de influência política. Uma situação comemorada nos bastidores por setores do PT que, contrários a ele, buscam ampliar seus espaços no poder.”
“(Fonte: www.atribuna.com.br)”

O problema não está na ida para o governo, mas na ida e volta, que realimenta a interação entre os interesses públicos e privados. Mais do que isso não se pode concluir, apenas especular. Tudo depende de haver respostas às questões:
1) Quem foram os clientes atendidos por Palocci em seus serviços de consultoria?
2) Quando cada um desses contratos/serviços começou e acabou?
3) Quanto cada um pagou e por qual tipo de consultoria?
4) Esses ex-clientes ainda têm acesso ao redivivo ministro?
5) Algum dos ex-clientes tentou aproveitar a boa relação com o ministro para fazer lobby no atual governo, seja através dele ou usando seu nome?

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