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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Infelizmente nada vai mudar!


As próximas eleições brasileiras, agendadas para 3 de outubro de 2010 em primeiro turno, caminham em ritmo monótono. Os favoritos estão cada vez mais favoritos - tanto na eleição para presidente com Dilma Rousseff, quanto para governador de São Paulo com Geraldo Alckmin - e já se comenta que sequer haverá segundo turno nessas disputas. Na realidade é muito cedo para conclusões definitivas mas, uma coisa é certa: infelizmente nada irá mudar politicamente neste País.
No horário eleitoral: José Serra, ao som de Elba Ramalho, fala de sua origem humilde e feitos na saúde. Dilma, com sua origem clara como a de muitos, só falou do estudo na universidade que cursou em Minas Gerais e mais nada! Partiu para loas ao Governo Lula, até o final; Marina, por falta de tempo, nem deu para entender! Imagens que retratam o "fim do mundo", que até podem vir a ser reais, com uma única fala: O povo espera mais!
Dos candidatos a governador por São Paulo: Geraldo, o mais sério, vai direto ao ponto; Mercadante, repeteco de todos os candidatos do PT, só fala de Lula. Dos candidatos ao Senado, deputados federais e estaduais, falas rápidas, que mal se consegue compreender; mas um marca: Tiririca, com uma tirada fantástica, traduz o sumo do programa: "Você sabe o que faz um deputado federal? Nem eu! Vote em mim que eu conto!"
No horário eleitoral do rádio e na TV, não se realiza nenhum confronto de ideias e projetos para o País. O que notamos é um cenário de uma disputa comum, sem grandes novidades ou avanços com candidatos, na sua maioria, despreparados, oportunistas e aventureiros. E esse quadro permanece o mesmo no conjunto de deputados federal, estadual e senador.
Esperávamos o quê?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Relógio de repetição


Relógio de repetição, aquele cujo maquinismo é próprio para repetir as horas. (Também se diz, por ironia, das pessoas que se limitam a repetir o que dizem os outros.)
Vocês já repararam como há pessoas cujos comentários de hoje estão sempre baseados no noticiário da TV de ontem e cujas opiniões nunca são pessoais e sempre consequência das afirmativas alheias, geralmente um entrevistador ou qualquer figura midiática que se aproveita da popularidade para confundir os telespectadores e ouvintes? O que mais se vê por aí. Louras famosas passando-se por mestras de auto-ajuda ou apresentadores que surgem como arautos da verdade e do bem, numa mediocridade de assustar.
E que faz muito mal porque manipula os que se recusam a pensar por si ou que são fracos o suficiente para receber a influência desses aproveitadores, muitos chamados de “carismáticos” (fico trêmulo ao ouvir a palavra, tão mal empregada) ou “iluminados”. Em política, então, é o que mais acontece.
É lamentável porque torna tantos e tantos títeres sociais ou figuras sem identidade, conduzidas pelos marqueteiros de plantão. Só conseguimos nos encontrar com a nossa identificação quando sabemos organizar nossas ideias, de forma a confrontá-las com as propostas externas, ao invés de abafá-las pela velada imposição dos outros.
Essa é a saudável adequação ou a necessária adaptação, e não quando deixamos as influências formarem um falso pensamento em nós, um bloco de princípios e conceitos que não são nossos. É o que forma a capacidade de análise, síntese e dedução. De depurar as informações, o que realmente acrescenta, ilustra.
E com isso reforçar o querer, uma das maiores forças do ser humano. O biólogo inglês Ian Willmut (O homem que espantou o mundo em 1996 com o nascimento do primeiro mamífero clonado (a ovelha Dolly) a partir de uma célula adulta), em seu livro A segunda criação proclama o reforço do querer por si e não pela pressão externa. Ele mostra que as células sempre querem e nada é melhor para o organismo do que a determinação.
Mas, para se organizar essa benção que são as nossas ideias, é preciso um treinamento da capacidade de escolher, atentos ao que sentimos antes, durante e depois de cada escolha, afiando o ouvido para escutar a voz do coração.
Enquanto só repetimos ou aceitamos influências, nos tornamos mesmo relógios de repetição. E os outros fazem de nós o que quiserem. Triste, não?
(baseado em crônica de Luiz Gonzaga Alca de Sant’Anna)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Para que eleições presidenciais?

Lendo as notícias sobre as próximas eleições, fico pensando porque realizá-las se a candidata do senhor Lula (pensa que é o único que salva o Brasil????) e do partidão (sem ele o Brasil afunda????) vai ganhar com um pé nas costas de qualquer candidato. Infelizmente, a maioria que vota é comprada pelo bolsa-família e uma outra boa parcela da população é comprada pelas vantagens do lucro financeiro.
Quem trabalha mesmo, neste País, não tem poder de voto e em eleições é minoria e voto vencido.

“Pesquisa do Instituto Sensus encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou nesta quinta-feira (05/10/2010) liderança da petista Dilma Rousseff na corrida presidencial. Ela registra 41,6% da preferência do eleitorado, ao passo que o tucano José Serra, seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, tem 31,6%. A ex-ministra Marina Silva (PV), por sua vez, aparece com 8,5% dos votos, conforme o levantamento.
Na simulação espontânea, quando o entrevistado aponta seu candidato a presidente sem ter acesso a uma lista com possíveis candidatos, Dilma Rousseff também ocupa a posição dianteira, com 30,4%. Neste cenário, José Serra tem 20,2% e Marina Silva outros 5,0%. José Maria Eymael (PSDC) tem 3,0%. Votos brancos e nulos são 3,8%. Eleitores indecisos são 27,9%. Apesar de não poder concorrer, o presidente Lula foi citado por 5,0% dos entrevistados.
Em um eventual segundo turno, Dilma Rousseff venceria o tucano José Serra por 48,3% contra 36,6%. Neste contexto, os votos brancos e nulos chegam a 5,7%. Os eleitores indecisos são 9,6%.
Se disputar contra a verde Marina Silva, Dilma também sairia vitoriosa com 55,7% da preferência do eleitorado. A ex-ministra do Meio Ambiente teria 23,3%. Brancos e nulos são 9,4%. Eleitores que não sabem em quem votariam são 11,7%.
Em uma terceira hipótese de José Serra e Marina Silva se enfrentarem em um eventual segundo turno, o tucano teria 50,0% dos votos, ao passo que a senadora teria 27,8%. Os brancos e nulos neste caso são 9,9%. Eleitores indecisos contabilizam 12,4%.
O levantamento CNT/Sensus mediu ainda o nível de rejeição dos três principais presidenciáveis. José Serra lidera este quesito com 30,8%, seguido de Marina Silva, com 29,7%, e de Dilma Rousseff, com 25,3%. A expectativa de vitória para as eleições presidenciais, independentemente de em quem o eleitor vai votar, dá liderança, de acordo com a pesquisa CNT/Sensus, para Dilma Rousseff, com 47,1%. Serra aparece com 30,3%, e Marina Silva tem expectativa de vitória de apenas 2,2%.
Encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, a pesquisa foi realizada entre os dias 31 de julho e 02 de agosto, com dois mil entrevistados, e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 29 de julho de 2010, sob o número 21411/2010. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Carta aos candidatos, sobre a utopia do possível


Um eleitor ou uma eleitora assume o exercício da cidadania política não somente com o voto no dia da eleição. Ele, ela pode influir no debate político atual. Tendo em vista que hoje o Brasil conta com uma malha importante de comunicação virtual, cada um e cada uma pode sugerir aos candidatos sua visão de Brasil.
As treze sugestões abaixo, escrevi para o primeiro e segundo mandato de Lula. Reescrevo hoje, esperando que cheguem até as mãos de Dilma, de Marina, de Plínio, e até as mãos de Serra! Todavia, Serra representa a continuidade do governo de FHC que deixou o Brasil em situação crítica. Muitas dessas sugestões em parte foram cumpridas, outras não. O desafio continua!
Eu continuo na teimosia da utopia do possível.
1. Qualquer candidato eleito à Presidência da República deverá ficar atento aos direitos humanos, à solidariedade social, ao desenvolvimento territorial integrado e sustentável, à justa partilha dos frutos do crescimento econômico, ao direito de um meio ambiente protegido, ao respeito pela diversidade cultural, lingüística, religiosa e partidária, combatendo todas as formas de preconceitos sociais e raciais.
2. Os programas sociais serão ainda mais dinâmicos no seu acompanhamento, no sentido de corrigir suas falhas. Todas as atividades e projetos serão mais orientados ao processo de inclusão social: só assim se evita o assistencialismo. Trabalhar com os excluídos exige ação bem articulada com outros ministérios implicados, com os governos locais e suas respectivas secretarias. Os programas sociais e de geração de trabalho e renda terão uma metodologia para articular todas as atividades e projetos, a fim de promover um desenvolvimento integrado, solidário e sustentável. Isso exige uma capacitação das pessoas implicadas nos diversos escalões do Estado.
3. A reforma rural não se pode fazer sem reforma urbana; a relação entre a cidade e o campo deve ser tratada de forma associada. A “favelização” das pequenas e médias cidades brasileiras foi o resultado da falta de uma política global. Isto revela a fragmentação da organização territorial. A fixação do homem à terra depende de uma nova concepção da relação espaço urbano/rural e da criação de alternativas que levem a inclusão social rural/urbana. Nesse sentido, os municípios serão mais estimulados a executar um verdadeiro programa de desenvolvimento territorial integrado, donde a questão da terra é revisada e planejada, desde as reservas indígenas, quilombadas, reservas extrativistas, florestais, desse modo, se evita conflitos desnecessários.
4. Deve-se superar o jargão da moda: o conceito de “desenvolvimento sustentável”, por vezes, vazio e sem fundamentação. O verdadeiro desenvolvimento leva em conta a dimensão cultural dos povos e trata de forma pluri-disciplinar os problemas que afetam a população onde o econômico, o social, o político, o meio ambiente formam um todo dentro de uma visão sistêmica da realidade. O centro de interesse de uma ação de desenvolvimento gira em função da dimensão humana. Daí todos os atores sociais de forma organizada devem participar da elaboração, na execução e no acompanhamento de qualquer ação que lhes concerne. O controle social integra-se ao exercício da cidadania ativa.
5. Continuar os esforços na área de educação, para que se possa melhorar a qualidade do ensino (do primário ao ensino superior); aumentar os recursos para capacitação dos professores em todos os níveis de ensino. Um salário digno para os professores do ensino fundamental até o segundo grau. Sabe-se que é nessa faixa etária que podemos dar uma formação à cidadania. Faz-se necessário e urgente de estabelecer no currículo escolar a educação cívica e transmitir aos nossos jovens os valores republicanos e um bom entendimento sobre o funcionamento do Estado. O que representa o Estado, essa abstração teórica criada pela inteligência humana. O que é um Bem Público. Como cidadão e cidadã, saber exercer seus direitos e cumprir com as obrigações face ao Estado democrático. Não vamos confundir educação cívica com nacionalismo. Trata-se de educar os jovens para o exercício futuro do poder: eles devem adquirir o aprendizado de saber lidar com a coisa pública, para entender o que é o poder, qual a função do poder político, quais são as qualidades necessárias para seu exercício. A exigência da educação cívica pode ser útil para sanear o vírus da corrupção presente na sociedade brasileira.
6. Propor ao corpo docente criar, também no currículo escolar, a educação para paz, a fim de desarmar a cultura da violência onipresente na sociedade brasileira. Enquanto os governos de todas as esferas não tratarem como prioridade a qualidade da educação, do jardim da infância à universidade, o Brasil continuará fabricando a exclusão e incivilidade.
7. O governo deve ter consciência que a miséria só será vencida no momento em que a educação for priorizada como fundamental. Ela deve ser tratada como uma temática transversal, presente em todos os programas sociais do governo. Um operário com um salário correto e com boa capacitação produzirá peças de qualidade, e saberá também exercer seus direitos e cumprir obrigações. Um funcionário público que usufrui de formação ao longo de sua carreira vai cumprir corretamente sua função. Terá uma concepção distinta do serviço público e da preservação do bem público. Na certa, terá mais resistência ao vírus da corrupção que um funcionário sem formação e mal remunerado.
8. O aprendizado da maquina da administração do Estado é fundamental e exige certas qualidades para seu bom funcionamento. Por isso, a competência, a idoneidade pública profissional são critérios necessários para nomear ministros (as) e outras pessoas aos cargos de direção, em qualquer instituição pública.
9. O Governo Lula adquiriu, em dois mandatos, a experiência de gestão de um Estado falido. Deve-se reconhecer que apesar de algumas falhas, conseguiu uma boa administração da crise econômica e agiu sem precipitação. Mudou o funcionamento da diplomacia brasileira e ela conseguiu forjar uma estratégia internacional de participação e não de submissão às regras multilaterais da governança mundial. Hoje o Brasil reúne condições para garantir uma política interna mais condizente com os anseios de seu povo. O governo Lula teve muita tática e esforços para sanear grande parte da divida publica e privada, criou credibilidade internacional, aumentou as reservas monetárias, possibilitando uma governabilidade capaz de promover a inclusão social. O próximo presidente deverá ter perspicácia e senso publico para dar continuidade a esse processo.
10. Continuidade da política de relações internacionais. Num mundo globalizado, é impossível governar um país sem estratégia de ação internacional. Deve-se saber construir alianças a fim de convencer as instituições da “governança” mundial que o Brasil é uma potência não-imperialista. O problema da miséria e das desigualdades sociais requer uma cooperação baseada na reciprocidade pautada no respeito das soberanias de cada nação, que tem a liberdade de escolher o modo de desenvolvimento mais compatível com sua realidade, concebido dentro de uma visão holística e não economicista do desenvolvimento.
11. Ao eleger seus deputados, senadores e seu presidente, o povo brasileiro espera que seus representantes sejam dignos dos mandatos. A casa do povo deve defender os interesses coletivos, não os privados. Espera-se dessa vez que os deputados e senadores votem a lei da reforma política para sanear Câmara e Senado, livrando-os do fisiologismo, que propaga o vírus da corrupção em todas as esferas do poder. A corrupção é uma questão de moralidade publica.
12. O próximo governo deve propor uma profunda reforma administrativa, para melhorar a gestão publica em todos os ministérios, secretarias e autarquias. Que nenhum deputado, nenhum senador tenha o direito ao cabide de empregos na administração publica, como em geral é costume nacional. Agindo desta forma, o governo federal pode eliminar da maquina administrativa os incompetentes, apadrinhados dos cargos públicos. O candidato a assumir cargos públicos deve ter experiência e currículo para exercer sua função.
13. A diplomacia brasileira vai continuar os esforços em criar ma sinergia continental, capaz de promover um equilíbrio geopolítico sem hegemonias, acabando desta forma com a subordinação do continente aos interesses imperialistas. Existe hoje, entre os novos governantes da esquerda democrática (moderada e radical), uma convergência sobre a necessidade de uma integração política, econômica e social dos espaços regionais do Cone Sul e dos países andinos. Há disposição para fortalecer a comunidade sul-americana das nações. Essa comunidade engloba 12 países, cobre 17 milhões de Km2, agrupa 361 milhões de habitantes e representa um PIB de mais de 970 bilhões de dólares. Sabe-se que dificilmente um país sul-americano isolado, poderá confrontar as regras do funcionamento do sistema multilateral ainda sob controle das grandes potências do norte: daí a necessidade de continuar o fortalecimento da solidariedade sul-americana.

(Marilza de Melo Foucher é doutora em Economia, especializada em desenvolvimento territorial integrado e sustentável)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Amigos brasileiros: Lembram daquele Polvo que acertou todas as previsões da Copa do Mundo? Vejam o que aprontaram para o pobre animal.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uma definição da atualidade


Desde o século XX, em razão de uma industrialização crescente, robustecendo as médias e grandes cidades, houve uma verticalização do viver humano, aumentando consideravelmente, o número de pessoas morando em um mesmo espaço físico e, por ironia, começou um afastamento de pessoas entre si de tal maneira que todas trafegam, num vaivém contínuo, onde cada uma fica fechada em sua individualidade, numa indiferença sombria.
É preciso reverter este quadro de viver, senão, nosso mundo tornar-se-á um mundo de indiferentes.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O viver social


Vivemos e trabalhamos em contato com diversas pessoas todos os dias. Integramos uma sociedade. Desse modo, pois, estamos sempre sob uma possível ameaça dos outros seres humanos. Na mira de sua sede de domínio, sua violência e suas neuroses.
Não é fácil viver equilibradamente, em harmonia, com serenidade, em um mundo como este. Os ansiosos patológicos sempre se encontram em um estado de hesitação entre reagir e reprimir, entre falar e permanecer em silêncio, entre agredir e ser agredido, segundo o procedimento sadomasoquista do carrasco e da vítima. No primeiro caso, naquele do sadismo, sobressaem comportamentos de delinquência, os perversos. No segundo caso, o mais frequente, que é o masoquista, vêm à tona atitudes e comportamentos passivos, servis, complacentes, subservientes.
Ao viver conforme um procedimento sadomasoquista, a pessoa reagirá de modo exagerado a qualquer comportamento do outro, entendido ou experimentado como ameaçador ou perigoso em si.