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segunda-feira, 31 de março de 2008

ANIMAL HUMANO (Marlene Constantino)


Neste mundo cão,
tenebrosa selva humana ...
Quem tem visão longínqua
faz-se obrigar a cegueira.
Quem sabe falar
calado tem que ficar...
Quem tem sentimento
tem mesmo que sufocar ...

Cadê os conscientes?
Quem vê racionalidade ?
Quem vê inteligência ?

Cada dia que se passa
tropeçamos no animal,
que não por instinto de sobrevida
mas por sádica vivência,
habita o mundo como praga
num círculo opressor,
mentiroso e omisso.

Se neste mundo miserável
algum humano existir,
peço perdão, eu me redimo,
E, que não me tirem a razão,
pois a visão é o prever.
O prover vem do verbo.
Na consciência podemos
entender e passar a lição.


^A^Söl*

domingo, 30 de março de 2008

INSS


Conforme noticiado em jornais, o ministério público federal (MPF), concedeu mais dez dias ao INSS para que levante dados referente à investigação que realiza sobre a formação de filas virtuais que a população enfrenta quando do agendamento eletrônico de seus serviços. A apuração feita preliminarmente pelos procuradores descobriu que uma vez realizado o pedido de atendimento ao INSS, o serviço era efetivamente prestado meses depois, chegando a 150 dias na capital de São Paulo e a 106 dias em cidades do interior, como por exemplo, em Santos.
Desde as absurdas filas que derrubaram o petista Ricardo Berzoini do Ministério da Previdência Social e a “exigência” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não admitiria (???) mais tal problema, o INSS tem executado reformas nas agências e utilizado procedimentos mais modernos. Porém, percebe-se que há um sério gargalo que impede uma solução. De nada adianta adotar um serviço moderno que poupa os usuários do cansaço físico, mas não os atende a tempo. Por outro lado, é muito conveniente ao administrador público trocar as reclamações dos segurados na rede física pela paciente espera em casa após um agendamento eletrônico. Portanto, espera-se que as medidas do MPF não arrefeçam e finalmente beneficiem os brasileiros.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Tudo mudou


"Nascemos nos anos 30, 40 e 50... foi barra para mudar todos os conceitos de várias gerações.
Faz apenas 50 anos que apareceu a televisão, o chuveiro elétrico, a declaração dos direitos humanos e a revista Playboy.
Casar era para sempre, sustentar filhos era somente até quando eles conseguissem emprego, as certezas duravam a vida toda e os homens eram os primeiros a serem servidos na mesa de jantar.
As avós eram umas velhinhas, hoje, essas mulheres de 40 ou 50 anos viraram um "mulherão".
Todos nos vestimos como nossos filhos.
Não existem mais velhos como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo.
Culpa da guerra, da pílula, da internet, da globalização, do muro de Berlim, da televisão e da tecnologia.
Até morrer ficou diferente. Na minha rua havia um velhinho que morria aos poucos. Ficou uns dez anos morrendo e isto aconteceu logo depois de completar 57 anos. Hoje se morre com 80 ou aos 90 e é um vapt-vupt.
Com a pílula, a mulher teve os filhos que quis e ela sempre quis poucos. Como não conseguimos mais sustentar uma família, elas foram à luta e saíram para poder pagar a comida congelada, a luz e o telefone.
Se a coisa não vai bem: é fácil a separação, difícil é pagar a pensão.
Na realidade, as mães são solteiras com doze anos. Depois serão chefes de família, com muitos filhos de muitos pais.
Em 50 anos tiraram a filosofia da educação básica, e como o pensamento era reprimido pela revolução, tudo virou libertação. Pedagogia da libertação, Teologia da libertação, Psicologia da libertação. Deu no que deu. Burrice liberada. Burrice eleita.
Para as pessoas de mais de 50 anos, palhaço era o Carequinha. Hoje o povo inteiro é meio palhaço, meio pateta. Ladrão era o Meneghetti e o Bandido da Luz Vermelha; hoje os ladrões tomaram conta dos palácios, da Câmara Federal e de uma cidade que não existia, chamada Brasília.
Ângela Guadagnin dançaria só na zona do baixo meretrício. Presidente da República era alfabetizado.
Experiência com feijão e algodão germinando a gente fazia na escola primária e não em vôo espacial, pago a 12 milhões de dólares.
Movimento social era reunião dançante.
Dia da mentira não era data nacional.
Piercing quem usava era índio botocudo.
Tatuagem era em criminoso do bas-fond.
Mansão do lago era algo de filme de terror e não lugar onde ministro divide dinheiro.
Caseiro não era mais ético do que ministro.
Quadrilha era dança junina e não razão de existir de partido político.
O Clube dos Cafajestes eram uns inofensivos playboys cariocas e não um País inteiro.
As pessoas de mais de 50 estão assim meio tontas, mas vão levando. Fumaram e deixaram de fumar. Beberam whisky com muito gelo, hoje tomam água mineral. Foram marxistas até descobrir quem eram Harpo, Chico e Groucho, e que o marxismo é um grande engodo.
Ninguém tem mais certeza de mais nada e a única música dos Beatles a tocar é "Help".
Pára Brasil, que os caras de mais de 50 anos querem descer!!!
Ao ler esta mensagem dá um aperto no coração só de pensar que tudo isso é verdade! Que a nossa realidade está de fazer vergonha! E o pior, será que alguém sabe o que é "vergonha"?

quinta-feira, 27 de março de 2008

Leilão de político

Caros leitores.
Vejam que vergonha....

quarta-feira, 26 de março de 2008

Fiasco americano no Iraque

No dia 20 de março de 2008 fez cinco anos que, durante uma tarde de Março de 2003, os olhos do Mundo estiveram centrados na Base das Lajes, Açores, onde o presidente norte-americano e os então primeiros-ministros britânico, espanhol e português protagonizaram a “Cimeira da Guerra” no Iraque.
No meio do Atlântico, George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar, recebidos pelo primeiro-ministro português de então, Durão Barroso, reuniram-se, na tarde de 16 de Março de 2003, naquela que também ficou conhecida como a Cimeira das Lajes, que culminou, 4 dias depois, na madrugada de 20 do mesmo mês, com o início da intervenção militar no Iraque.
Desencadeada por uma coligação militar internacional, liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, e apoiada por Portugal e Espanha, entre outros países, a operação conduziu à ocupação militar do Iraque, que se mantém, e ao derrube do regime do ditador Saddam Hussein, que viria a ser capturado e morto, por enforcamento, depois de julgado e condenado à pena capital por um tribunal iraquiano.
De 80 mil a 655 mil (dependendo da estatística) civis iraquianos mortos, 4 mil soldados americanos com o mesmo fim e cerca de 4 milhões de refugiados. Constante tensão entre palestinos e israelenses, fortalecimento de grupos terroristas e a consolidação do Irã como uma nova força política e militar no Oriente Médio. Este é o convulsivo quadro dessa região do planeta após cinco anos de invasão e posterior ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e seus aliados.
Na semana passada, o presidente americano George Bush, em “comemoração” à data, fez uma defesa enfática da grande obra de seu governo, esta famigerada guerra. Durante discurso no Pentágono, ele disse que os EUA têm sido muito bem-sucedidos no conflito, tanto no combate a Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda ainda não capturado, como na derrubada do ditador Saddam Hussein. Bush alegou que as mortes dos militares americanos são parte de um “preço alto”, mas ”necessário” e alfinetou os candidatos democratas. Conforme o presidente, a promessa deles de retirada acelerada das tropas após as eleições tem sido justificada pelo alto custo – de US$ 1 trilhão a US$ 3 trilhões – e não pela violência, que está em queda.
A conclusão que se pode tirar é que Bush meteu os EUA numa enrascada impressionante. Além das perdas de vidas das duas nações, a guerra exigiu um esforço material que colaborou para a expansão do déficit astronômico americano. Esgotado politicamente pelos percalços do belicismo, o presidente agora não consegue centrar seu foco na crise que varre os setores financeiro e imobiliário de Nova Iorque à Califórnia. Internacionalmente, o fiasco é total. Enquanto o ataque de 11 de setembro trouxe solidariedade aos EUA e aprovação à derrubada da milícia Taleban do poder no Afeganistão, o início das ações em 20 de março de 2003 (dia 19 no Brasil), que contou com um expressivo apoio dentro dos Estados Unidos, se esvaiu nos anos seguintes.
A presença americana naquele ponto da Ásia aprofundou o previsível conflito entre sunitas e xiitas antes unidos à força ditatorial e atraiu o terror da Al-Qaeda e outros grupos assemelhados, que encontraram terreno ideologicamente e religiosamente fértil para levantes contra as tropas invasoras. Justificativas falsas ou incomprovadas de arsenal de armas químicas e ligação com a Al-Qaeda colaboraram para minar o apoio do eleitorado dos EUA à operação no Iraque, que hoje é estimado em apenas um terço. Além disso, nesse período o Irã ganhou importância na região, tornando-se um aliado do Hezbollah, grupo terrorista que desestabilizou o Líbano. Portanto, está mais do que provado que as estratégias do ataque preventivo e do unilateralismo não passam de erros do conservadorismo bushista que, espera-se, sejam enterrados pelo próximo governo, pois o atual não tem mais salvação.

segunda-feira, 24 de março de 2008

ACORDA, BRASIL!

Os sintomas vêm de longe. Foram se avolumando sem que providências efetivas e enérgicas fossem tomadas pelas autoridades competentes (incompetentes?), às quais cabe oferecer segurança aos cidadãos, pois esse é o primeiro dever do Estado como ensinou Thomas Hobbes.

Se a violência hoje se espalha por todo país, especialmente no Rio de Janeiro, a complacência para com bicheiros e traficantes em troca de votos transformou aquele Estado num estado de selvageria ou de natureza. Vale a lei do cão. Domina a barbárie que fez respingar o sangue de João Hélio no rosto de todos os brasileiros. Todavia, este é mais um crime na seqüência de crimes hediondos a ser esquecido, pois por aqui é tudo carnaval.

Alegria, alegria, minha gente, abram alas para o banditismo. Não existe pecado do lado de baixo do Equador. Aqui somos todos democraticamente iguais na esbórnia e na malandragem. Vamos aplaudir a comissão de frente composta pelos corruptos por nós eleitos. Vamos sambar a valer ao som das balas perdidas. No destaque dos casos alegóricos virão os monstros que arrastam crianças pelas ruas até a morte. Olha o bloco dos assassinos impiedosos para os quais não basta roubar, tem que matar. Que belas fantasias enfeitam os estupradores. Na outra ala misturam adereços os degoladores, os traficantes, os golpistas. Que espetáculo maravilhoso esse do país do samba. Como somos importantes. O mundo pára e vê o Brasil nessa explosão de alegria.

Lei? Para que lei? Em uma de suas campanhas para presidente em que amargou derrota, Luiz Inácio declarou que não dava a mínima para a lei, que o importante era a justiça. O que será que ele entende por justiça quando se declarou contra a redução da maioridade penal, alegando que essa medida não deveria ser discutida em meio à comoção causada quando do bárbaro assassinato do menino João Hélio? Fazendo coro com o presidente, como era de se esperar, plácida e fria, a ministra e presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, também se apoiou na questão emocional para rejeitar a passagem da responsabilidade criminal para dezesseis anos. Eles são autoridades guardadas, protegidas e nenhum de seus netos corre o risco de ser trucidado. Eles podem ser calmos e racionais.

De todo modo, o martírio do menino de seis anos fez fervilhar discussões. Ergueu-se o PT a favor dos bandidões menores de dezoito anos que podem votar e matar. Pontificaram juristas e rábulas, e um “doutor” chegou a dizer que não adiantariam prisões. Pois, então, que se solte todos os facínoras da República da impunidade. Um bando a mais, outro a menos, não fará a diferença, pois as legiões malditas já estão no comando dos morros, das ruas, das esquinas, espreitando para atacar sem distinção de cor, idade ou sexo. É a democracia do crime.

Aumenta a criminalidade sob o olhar amoroso das autoridades. Elas estão muito ocupadas. Nas sedes dos Poderes máximos correm soltas as propinas, os cambalachos, os arranjos, os jeitinhos, as negociatas. Brasília é Sodoma e Gomorra sem nenhum justo. E vem aí, com força total, para alegria dos mensaleiros, José Dirceu. Palocci já está lá com João Paulo, Genoino, Mentor e tantos mais. Confraternizam com Collor, com companheiros sanguessugas e muitos outros. Bem que Waldomiro Diniz podia ter se candidatado. Seria um deputado campeão de votos. E o Delúbio dos recursos não contabilizados, por que não concorreu? E não sei onde anda Marcos Valério que não saiu para senador da República. Ganharia na certa. No Congresso estão todos ótimos e o Executivo tudo dominou. Até o senador Jefferson Perez capitulou em apenas uma visita ao Planalto. Imaginemos os outros.
Para que presídios de segurança máxima? Que se afrouxe mais o cumprimento das penas, demorem mais as sentenças, os julgamentos e os olhos se fechem ao descalabro, ao caos, à violência.

Acorda Brasil. Acorda brasileiro. Você pode ser o próximo, pois não só no Rio, mas em toda parte o governo fracassou miseravelmente em promover a segurança. Não adianta pedir paz. A paz se consegue com o cumprimento da lei, que é a única forma de se fazer justiça; com mais presídios e, dentro deles, disciplina, trabalho e instrução para os presidiários; com policiamento preventivo de policiais mais bem pagos, mais armados, mais treinados; com a redução da maioridade para dezesseis anos, com menos indultos. É para pedir essas coisas que se deve ir às ruas. Caso contrário, os monstros continuarão a matar impunemente. Acorda Brasil. Não basta eleger. É preciso cobrar do poder que nos controla. De outro modo seremos os eternos eleitores dos votos perdidos. (baseado em texto de Maria Lucia Victor Barbosa)

domingo, 23 de março de 2008

Para que tenha valido a pena


Nesta semana li um e-mail que relata, em minúcias, a morte física de Jesus, condenado à mais cruel de todas as execuções da época: a crucificação. A mensagem tem tom religioso-espiritual, mas não nos poupa de nenhum detalhe, ao descrever as conseqüências e reações do corpo jovem de Cristo às atrocidades contra Ele cometidas.
O suficiente para nos horrorizarmos com a crueldade a que podiam chegar os contemporâneos de Jesus. E vem a pergunta: como puderam fazer isso a quem só falava de amor, perdão e paz? Que razões políticas, que humanidade hipócrita insuflou e permitiu isso? E logo desfilam em nossas mentes outros lugares, épocas e personagens vivendo horrores impostos por seus semelhantes.
Há a mulher apedrejada até a morte pelos talibãs, em meio a um estádio de futebol lotado, em uma das mais pungentes cenas do filme O Caçador de Pipas. Condenada pelos igualmente hipócritas detentores do poder, estes sim, capazes de atitudes vis e repugnantes.
Por associação de idéias, retornamos aos anos depois de Cristo, quando cristãos eram jogados aos leões nas arenas, para diversão do populacho e por ordem dos que detinham autoridade e nenhum resquício de humanidade. E há as memórias das fogueiras medievais, das mulheres sacrificadas e apontadas como origem de todo o “pecado” na maioria das religiões formais, das guerras santas originadas dos mais abjetos interesses, das torturas e cruéis execuções ao longo dos séculos, desde muito antes da era cristã.
Escravidão de raças e povos, genocídios, um infindável desfilar de horrores. Como era cruel a humanidade! Ou, como ainda é cruel a humanidade em terras e civilizações distantes. Será? Não seremos nós também cruéis, hoje, aqui, agora? O que dizer do menino arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro, preso ao cinto de segurança de um carro? E da família queimada viva dentro de outro carro? Das pessoas envoltas pelas chamas dentro de pilhas de pneus velhos?
São tantos e tão perversos os requintes da violência! Idosos, crianças, mulheres, homens. Todos expostos à ação de auto-investidos carrascos, gente que, como os tristes exemplos da História, encara vidas humanas como moeda de troca ou como lixo.
Não só aqui, e não apenas ações de bandidos. Continuamos convivendo, em todo o mundo, com a violência das guerras, do terror, da ganância, da miséria. Pouco evoluímos. Mas, talvez, se esquecermos nossa própria hipocrisia e nos posicionarmos com coragem, possamos acender uma luz no fim do túnel.
Se deixarmos de discriminar, se controlarmos nossa violência nas banalidades do cotidiano, se estivermos atentos a nossos filhos e alunos para que não sejam alimento de cruéis e amorais traficantes, se nos esquecermos do inútil voto de protesto, se exigirmos o melhor dos governantes, se valorizarmos o conhecimento e a cultura, se soubermos impor limites aos jovens. Se, se, se...
São muitas as atitudes a serem tomadas. Por mínimas que sejam, farão com que tenha valido a pena a vinda de Cristo, com sua mensagem de mansidão e amor. E, certamente, nos afastarão do grupo de seguidores de Pôncio Pilatos
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(Baseado em texto de Ana Maria Sachetto – Jornal A Tribuna de 21/03/2008)