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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Vide bula


Vamos falar aqui sobre a validade da bula que acompanha os medicamentos.
Já na caixa está uma orientação para que saibamos tudo sobre o medicamento, lendo a bula interna e que o medicamento deve ficar fora do alcance das crianças.
Dentro, um papel impresso dobrado (geralmente em oito vezes) com “todas” as instruções sobre o produto, tais como – composição, indicações, riscos medicamentosos, advertências, modo de uso, efeitos colaterais etc; isso na secção de “Informações ao Paciente”.
Já nesta secção ficamos alarmados com o poder “destruidor” da substância, a qual pode causar sérios danos a todos os órgãos e, em raros casos, levar o paciente a óbito.
Ficamos sabendo que o uso continuado pode causar efeitos adversos e que o médico deve ser cientificado na ocorrência de qualquer sintoma descrito.
Aí pensamos – “O médico não nos disse nada sobre isso – apenas nos perguntou se éramos alérgicos à substância x, o que não sabíamos, pois nunca havíamos ingeridos tal coisa”.
A outra parte da bula (mais extensa) é dedicada aos profissionais da saúde, repetindo tudo e utilizando expressões científicas que só os médicos entendem.
Daí a primeira pergunta: se é o paciente quem compra o remédio e o utiliza, por que informações técnicas aos profissionais da saúde, que já conhecem o medicamento e sabem das suas implicações e complicações quando receberam amostras grátis e literatura específica dos representantes farmacêuticos?
Será que não seria bom levar a bula para o médico ler, antes de tomarmos e ver se está tudo bem?
Há quem diga – “Se você ler a bula, não toma”. Interessante é que o médico prescreveu o medicamento com sua denominação e orientou para tomá-lo X vezes aos dia e mais: com uma letra quase ilegível, incompreensível para nós, pobres pacientes. A propósito, até farmácias ligam para o médico confirmando a denominação correta.
Quanto mais lemos a bula, mais apreensivos ficamos com os riscos que estaremos correndo ao utilizar um produto tão perigoso. E, sabedores disso, quaisquer sintomas descritos na bula já nos apavorarão, especialmente os impressionáveis e hipocondríacos.
No entanto, entendemos que o laboratório cerca-se de todas as precauções e, informando o paciente dos riscos, estará a salvo de uma eventual ação judicial por danos físicos.
Portanto, a bula deveria ser mais objetiva, dirigida ao usuário do produto, em linguagem direta, aliás, como parece determinar a legislação sobre o assunto.
E aos profissionais da saúde seriam fornecidas as especificações técnicas relativas à composição, indicações e interações medicamentosas, que não são do entendimento do paciente usuário.
Resumindo, nos parece que o recado é claro:”Não diga que não avisamos. O risco é todo seu.” Ler ou não ler a bula, eis a questão. (Lindolfo Pires Valdívia)