“Felizmente não houve vítimas fatais nem feridos graves no violento incêndio que destruiu no domingo de 11/10/2009 mais de 300 barracos na favela do Jaguaré, em São Paulo – uma ocorrência que as cenas mostradas pela televisão autorizavam pensar num saldo trágico, para além das perdas materiais sofridas pelos moradores do lugar, e que, para muitos deles, foram totais. Não obstante, vale mais uma vez chamar a atenção para o problema da favelização das nossas cidades, que não para de aumentar, e principalmente para a extrema precariedade desses núcleos miseráveis, onde o cotidiano das famílias constitui um penoso exercício de sobrevivência, quando não, até, uma aventura perigosa. Neste incêndio da favela do Jaguaré, talvez em razão de o fogo ter começado ainda com dia claro, não houve mortes a lamentar; as pessoas tiveram condições de por-se a salvo, mas poderia ter sido diferente. Ressalte-se que, no caso, embora habitada por 1.300 famílias, nem se tratava da maior favela paulistana. Outras a superam em larga medida, naturalmente com um potencial de risco correspondente à dimensão de cada uma, e sempre dos mais elevados.
Os governos não dão conta de deter a proliferação das favelas, e tampouco de construir conjuntos residenciais para abrigar essa faixa da população. Fazem só o que é possível, dentro de suas disponibilidades financeiras. Já que é assim, deveriam agir para melhorar a infraestrutura desses locais, de forma a proporcionar mais segurança aos seus moradores. Erguidas em geral clandestinamente em terrenos alheios, a legislação proíbe obras de urbanização nas favelas, porém, alguma solução tem de ser encontrada para esse assunto, pois não dá para aceitar que milhares de pessoas sejam obrigadas a viver em estado de medo permanente, seja de incêndio, seja de deslizamentos de terra, seja de inundações provocadas pelas chuvas, e por aí afora. Sempre que barracos são consumidos pelo fogo, o que é freqüente, a primeira causa cogitada é um curto-circuito no emaranhado de “rabichos“ da rede elétrica. Ora, não há como se dar um jeito nessa situação irregular? Por que tal iniciativa não se concretiza? É o que precisa ser apurado, para se identificar o obstáculo. E como esta, outras questões certamente existirão nesse âmbito, a requerer um enfrentamento mais racional e objetivo.
As favelas são fruto do inchaço das cidades e, sobretudo, das dificuldades financeiras que afligem um grande número de famílias. O desenvolvimento econômico é o caminho para a sua erradicação, mas o processo, em nosso País, é lento, não se completará em poucas décadas, se é que um dia isto acontecerá. A saída, então, é tentar minimizar as deficiências, no sentido de que elas não se perpetuem como sérias ameaças às comunidades pobres. Meros paliativos, sem dúvida, mas que podem evitar terríveis tragédias.”
Os governos não dão conta de deter a proliferação das favelas, e tampouco de construir conjuntos residenciais para abrigar essa faixa da população. Fazem só o que é possível, dentro de suas disponibilidades financeiras. Já que é assim, deveriam agir para melhorar a infraestrutura desses locais, de forma a proporcionar mais segurança aos seus moradores. Erguidas em geral clandestinamente em terrenos alheios, a legislação proíbe obras de urbanização nas favelas, porém, alguma solução tem de ser encontrada para esse assunto, pois não dá para aceitar que milhares de pessoas sejam obrigadas a viver em estado de medo permanente, seja de incêndio, seja de deslizamentos de terra, seja de inundações provocadas pelas chuvas, e por aí afora. Sempre que barracos são consumidos pelo fogo, o que é freqüente, a primeira causa cogitada é um curto-circuito no emaranhado de “rabichos“ da rede elétrica. Ora, não há como se dar um jeito nessa situação irregular? Por que tal iniciativa não se concretiza? É o que precisa ser apurado, para se identificar o obstáculo. E como esta, outras questões certamente existirão nesse âmbito, a requerer um enfrentamento mais racional e objetivo.
As favelas são fruto do inchaço das cidades e, sobretudo, das dificuldades financeiras que afligem um grande número de famílias. O desenvolvimento econômico é o caminho para a sua erradicação, mas o processo, em nosso País, é lento, não se completará em poucas décadas, se é que um dia isto acontecerá. A saída, então, é tentar minimizar as deficiências, no sentido de que elas não se perpetuem como sérias ameaças às comunidades pobres. Meros paliativos, sem dúvida, mas que podem evitar terríveis tragédias.”
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