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sábado, 3 de outubro de 2009

Senso da intimidade


No convívio com uma diversidade enorme de pessoas nos mais variados ambientes, podemos observar a grande dificuldade, nos tempos atuais, para demonstrar a um jovem, em termos das relações humanas, o que está no campo do público e no campo do privado e o que representa cada um para a nossa intimidade na vida cotidiana e profissional.
Conversando com pessoas da área de ensino secundário e universitário, ficamos sabendo o quanto é difícil para estes profissionais a batalha para mostrar aos seus alunos que as pessoas que não conseguem construir a sua privacidade, que se deixam invadir o tempo todo, que não possuem maneiras de defender-se, que não entendem o que é resguardar-se acabam “traumatizadas emocionalmente” pelas cobranças da sociedade consumista e enraizadas sem necessidade, não entendendo amigos de conhecidos e não dando valor para os relacionamentos familiares e íntimos.
Realmente, é muito complexa esta situação.
Nós que diariamente utilizamos a Internet, visitando blogs, Orkut ou o recente Twitter, observamos o quanto as pessoas colocam à vista suas particularidades, falando de coisas tão íntimas e sem qualquer cuidado que seus segredos venham a ser manipulados por indivíduos inescrupulosos, correndo o risco de até serem chantageadas. Outro absurdo que presenciamos, em termos de exposição, é a utilização do telefone móvel, o famoso celular. O usuário desta tecnologia, em sua maioria, fala alto, comenta sobre outras pessoas, revela condições de um negócio ao lado de estranhos, principalmente, quando utilizam de maneira inadequada um determinado aparelho de comunicação via rádio e com o viva-voz ligado, o Nextel ou quando é hábito mesmo, por falta de orientação e educação, aos altos brados.
A partir deste ponto, para se tornar comum e considerar amigo íntimo aquela pessoa conhecida no dia anterior, numa festa ou balada ou em uma reunião profissional, e terminar relatando toda a sua vida para ela, é como um estalar de dedos. Este tipo de atitude é preocupante e pode acabar em finais desastrosos, assim como querer levar assuntos familiares para o trabalho, misturando emoções e dúvidas e passar dos limites.
É comum ouvirmos pessoas comentando certos assuntos em público que nos deixam chocados. Por exemplo, o que interessa aos outros uma briga entre marido e esposa ou como é o relacionamento sexual? E se consideram liberadas, atuais, o supremo do supremo em personalidade, proporcionando um degradante e escandaloso ato de auto-invasão, de não consideração por um mundo que deveria respeitar e proteger. Não por medo, mas por afeição a privacidade.
A pessoa que não aprende a construir sua intimidade, que desconhece a diferença entre o que é público e privado, que permite abrir-se a qualquer um nunca terá conhecimento sobre a segurança de voltar a um mundo somente seu ou conviver com pessoas em quem possa confiar. Deixam de ter o precioso senso do íntimo, daquilo que é somente nosso ou de uns poucos. Tornam-se presas fáceis do espetacular, atordoadas pelos alardes que nada significam nos momentos cruciais da existência humana.

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