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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Meu Deus, salve-nos!

Este texto objetiva expressar uma decepção pelo fato de sentir-me ludibriado , enganado como muitos outros brasileiros, tendo conhecimento de que os “políticos” usam recursos que poderiam ter sido usados em coisas mais urgentes e fundamentais, como por exemplo, no sistema educacional, saúde e segurança, mas não, usam nosso dinheiro como bem querem, de maneira inútil.
Na realidade o que me incomoda não são os escândalos que diariamente são informados através da imprensa. Incomoda-me o que os nossos “congressistas” fazem para acabar provocando os escândalos.
Brasília, infelizmente, mais parece a “casa da mãe Joana”, onde cada um faz o que quer e não se incomoda com o que pensam disso. Tudo acaba mesmo em pizza...
Eu acho que o povo já se acostumou ou seja, já se acomodou com os escândalos, brasileiro só quer saber de novelas e futebol, o resto que se dane.
O que mais decepciona é o fato de que tudo o que vem acontecendo, irá continuar porque existem duas classes (maioria) que sustentam a permanência dos “espécimes politicus” que continuarão, por muito tempo, a “reinar” em Brasília.
Uma classe é a do pessoal que recebe o Bolsa Família (moeda que compra votos). A outra classe são os “espertalhões” que:

- Compram recibos para abater na declaração do imposto de renda e pagar menos imposto;
- Mudam a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas;
- Quando viajam a serviço pela empresa, se o almoço custou R$ 10,00 pedem nota de R$ 20,00;
- Comercializam objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estacionam em vagas exclusivas para deficientes e idosos;
- Adulteram o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado;
- Compram produtos piratas com a plena consciência de que são piratas;
- Substituem o catalizador do carro por um que só tem a casca...;
- Diminuem a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem;
- Emplacam o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA;
- Frequentam os caça-níqueis e fazem uma fézinha no jogo de bicho;
- Etc., etc., etc...
Realmente, é lastimável a situação do Brasil onde tantas pessoas vivem com menos de um salário mínimo e a classe política realizando a maior “farra” com o dinheiro público.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Vir a Ser

A maioria das pessoas, nas grandes cidades do mundo, chegam em casa e tiram o paletó ou casaco, os sapatos, as meias. Este exercício já as deixam exaustas. Não possuem mais a vivacidade e nem mesmo a vontade que tinham há anos atrás.
Sentam-se para comer. Os pratos postos à mesa denunciam o que são: fritas, gorduras, álcool, condimentos. Não gostam de comida diet ou light. Gostam de comida "fight". Gostam de tudo que dizem fazer mal, mas que sem dúvida nenhuma é muito mais saborosa.
Ganham barriga, falta de cabelos e os poucos que restam, esbranquiçados, que agora são reais, ontem já não eram.
Os cardiologista, aconselham que mudem seus hábitos. Dizem que não podem fumar, não podem beber, deveriam fazer exercícios físicos diários. E mesmo que sejam proibidas, não cessam com o cigarro, com o uísque e não fazem um único exercício.
Nietzsche, em seu livro "Obras incompletas" tem um texto capitulado "A filosofia na época trágica dos gregos". Neste trecho ele comenta a visão de Heráclito de Éfeso sobre o problema do vir-a-ser de Anaximandro, filósofo grego pré-socrático. "O eterno e único vir-a-ser, a total inconsistência de todo o efetivo, que inconstantemente apenas faz efeito e vem a ser mas não é, assim como Heráclito o ensina, é uma representação terrível e atordoante, e em sua influência aparenta-se muito de perto com a sensação de alguém, em um terremoto, ao perder a confiança na terra firme..."
Quero chegar com as palavras floreadas de Nietzsche a uma degradação biológica constante que existe a cada milésimo de segundo que se passa no universo. Se o leitor chegou a conclusão de que fiquei louco, tenho a leve impressão de que está absolutamente correto. Mas posso me explicar.
Vamos supor que a expectativa de vida de uma pessoa seja de dois mil anos. Poderíamos muito bem ficar lendo esta crônica durante dois dias seguidos, sem pausa pro cafezinho. O que são dois dias comparados a dois mil anos. Alguns minutos. Mas a vida humana vive apenas oitenta anos em média. O que quer dizer que a cada milésimo de segundo a degradação biológica vai enfatizando-se até completar seu estado completo, ou seja, a morte. Mas nem após a morte essa degradação se completa. Augusto dos Anjos não nos deixa enganar. "Já o verme, este operário das ruínas, que o sangue podre das carnificinas come e a vida em geral declara guerra". Assim que somos concebidos caminhamos eternamente para a morte, e boa parte de pessoas ainda contribuem para essa maldita degradação com seu cigarrinho e suas bebidinhas. Além daquela maravilhosa carne mal passada, devidamente acompanhada da gordurinha. Aposto que muitas pessoas chegam a babar no teclado ao ler essas palavras. Como Nietzsche dizia, o "vir-a-ser" é eterno e único. Estamos sempre vindo a ser alguma coisa. Mas nunca seremos nada, pois a cada milésimo de segundo nos tornamos outro. Nossas células vão morrendo e se multiplicando ciclicamente. Acho que Nietzsche devia titular seu texto como "A degradação na época trágica do tempo".
(Baseado em texto de Tiago Xavier dos Santos)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Viver?

“Não me canso de admirar o poder do cérebro humano. Criado como um dos animais mais frágeis da natureza, em termos de força física e aptidão dos sentidos, o homem adaptou-se ao mundo hostil em que vive e, mediante a consciência e o raciocínio, operou maravilhas. Aprendeu a fazer fogo, construiu moradias confortáveis e seguras, inventou a roda, domesticou animais e vegetais que pôs ao seu serviço, criou cidades, Estados, impérios e civilizações. Sondou o íntimo da natureza e colocou a seu serviço forças fenomenais. Foi ao âmago da matéria e descobriu o átomo. Desvendou o segredo da vida. Aprendeu a se locomover com rapidez e conforto e até a voar. Não conseguiu, todavia, inventar uma fórmula de como viver com alegria, justiça e sabedoria. Afinal isso só se aprende vivendo. Quem sabe aprenda no correr das gerações! Jean-Paul Sartre constatou, a propósito: “Tudo já foi descoberto, exceto como viver”. E não está certo?”

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um olhar para a Porneia na atualidade

De acordo com a nova ortografia, a palavra, que se escrevia pornéia, deixou de ter acento: porneia.
O Dicionário Eletrônico Houaiss registra o substantivo (nome) feminino porneia, como oriundo do «gr[ego] porneía,as "prostituição", p[or] ext[ensão] "todo ato desonesto, esp[ecialmente] adultério"».
A palavra porneia significa «depravação de costumes; libidinagem, devassidão» e é «o mesmo que prostíbulo».
A porneia, uma distorção do relacionamento sexual, como, sodomia, fornicação, prostituição, adultério, incesto, etc. está presente, como nunca, nos dias de hoje e propagada pelos meios de comunicação em massa, pode-se dizer que vivemos num mundo pornificado.
Basta ficar sentado, a qualquer hora do dia ou da noite, diante da televisão para assistir ao noticiário. Ficamos surpreendidos que uma significativa parte dos programas são gastos na veiculação e discussão de assuntos que têm caráter sexual e um fundamento absurdamente insólito.
Os meios de comunicação têm sido utilizados para transpor barreiras, inclusive a da privacidade, isso gera patologias, em especial, na esfera da sexualidade, com a proliferação de sites pornográficos veiculando e estimulando bestialidades e promiscuidades sexuais. Diante dos meios de comunicação de massa, não pode-se tomar uma postura ingênua, pois esses, aos poucos, vão moldando os conceitos sobre sexualidade, tanto de adultos quanto de crianças. As cenas de nudez nos comerciais, filmes (até mesmo na “sessão da tarde”), telenovelas, talk-shows e inúmeras cenas de relações sexuais, insinuações de incesto e violência sexual perpassam a “telinha” dos lares, gerando com certeza, nos jovens e crianças, a idéia de que o sexo é algo banal, vulgar e “utilizável” só para o proveito pessoal, onde, alimentar-se e relacionar-se sexualmente não há diferença, visto que ambas as atitudes são para satisfação de necessidades básicas.
Com toda certeza, os meio de comunicação são “lavadores de mentes” no que diz respeito a sexualidade em nossos dias. Pode-se dizer que a porneia penetra nas diversas camadas sociais através dos meios de comunicação de massa, transformando o sexo numa prática extremamente egocêntrica e utilitarista, e não mais uma expressão de carinho e compromisso.
O psicólogo Ageu Lisboa emprega um termo interessante para se referir a influência da mídia sobre as pessoas: Mid-idiotização! Ele afirma que: “Em novelas e romances vendidos nas bancas, nos programas de televisão para o público adolescente ou mesmo para o grande público, há um claro incentivo a qualquer forma de expressão da sexualidade. [...] É a cisão sem sofrimento nem culpa entre sexo e afeto. Atitude utilitária. [...] Um fato que choca a consciência e os valores de uma civilização podem ser trabalhados num estúdio de Hollywood [...] o resultado é um belo filme com uma trilha musical bem produzida, atores e atrizes irresistivelmente charmosos e um roteiro sentimentalmente envolvente, que pode criar uma adesão emocional ao que era primariamente repugnante. Mais dois filmes e depoimento de gente rica e famosa que viveu algo assim, como nos filmes e pronto! A resistência das consciências no plano coletivo vai diminuindo. Assim todos os interditos e limites vão sendo glamourizados e suprimidos”.
O que Lisboa esboça nas palavras acima é uma verdade lamentável, ainda que ele não diga nenhuma novidade, ao lermos suas palavras atentamos para essa realidade muitas vezes esquecida, ou melhor, ignorada, afinal já estamos tão acostumados, quem sabe até mid-idiotizados!
Rompendo sua relação com a pessoa (soma-corpo), o sexo torna-se insensivelmente uma mercadoria de consumo (porneia-imoralidade sexual). Essa instrumentalização percebe-se no fenômeno do erotismo e da pornografia, tal como ele é vivido atualmente em muitos meios.
Nessas condições, é natural que o sexo já não seja mais vivido como um compromisso da pessoa e sim como uma forma de entretenimento e diversão, como se tratasse de uma brincadeira infantil.
A consequência desse liberalismo sexual é um profundo sentimento de vazio e decepção. É relacionamento sexual reduzido ao genital e ao egoísmo, constituindo-se na instrumentalização do parceiro, ou seja, o que foi criado para ser fonte de prazer e satisfação mútua passa a ser fonte de desespero e mediocridade. O outro se torna um objeto para que eu satisfaça meus desejos egoístas, que na maioria das vezes está mascarado com a frase: Eu te amo!
A sexualidade compromete a fundo a pessoa. Ainda que a porneia tenha ganhado novas expressões conceituais, com o advento dos meios de comunicação em massa, o ser humano não mudou, continua tendo a mesma estrutura constitutiva, é soma, e nessa condição, hoje, pode-se tornar escravo da porneia.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Os pequenos da rua


Nesse pequeno que passa, roto e sujo, pela rua, caminha o futuro. É a criança filha de ninguém, o garoto sem nome além de menino de rua.
Passa o dia entre as avenidas da cidade, as praças e por vezes nos amedronta, quando se aproxima.
Ele não vai à escola e todas as horas observa que se esgotam os momentos da sua infância.
Você atende os seus filhos, tendo para eles todos os cuidados.
Esmera-se em lhes preparar um futuro, selecionando escola, currículo, professores, cursos.
Acompanha, preocupado, os apontamentos dos mestres e insiste para que eles estudem, preparando-se profissionalmente para enfrentar o mercado de trabalho.
Você auxilia os seus filhos na escolha da profissão, buscando orientá-los e esclarecê-los, dentro das tendências que apresentam.
Você se mantém zeloso no que diz respeito à violência que seus filhos podem vir a sofrer, providenciando transporte seguro, acompanhantes, orientações.
São seus filhos. Seus tesouros.
Enquanto seus filhos crescem em intelecto e moralidade, aqueloutros, os meninos de rua prosseguem na aprendizagem das ruas, maltratados e carentes.
À semelhança dos seus filhos, eles crescerão, compondo a sociedade do amanhã. A menos que pereçam antes, vítimas da fome, das doenças e do descaso.
Cruzarão seus dias com o de seus rebentos e, por não terem recebido o verniz da educação, as lições da moral e o tesouro do ensino, poderão ser seus agressores, procurando tirar pela força o que acreditam ser seu por direito.
Você se esmera na educação dos seus e acredita ser o suficiente para melhorar o panorama do mundo.
No entanto, não basta. É imprescindível que nos preocupemos com esses outros meninos, rotos e mal cheirosos que enchem as ruas de tristeza.
Com essas crianças que têm apagada, em pleno vigor, sua infância, abafada por trabalhos exaustivos, além de suas forças.
Crianças com chupeta na boca utilizando martelos para quebrar pedras, acocorados por horas, em incômoda posição.
Crianças que deveriam estar nos bancos da escola, nos parques de diversão e que se encontram obrigados a rudes tarefas, por horas sem fim que se somam e eternizam em dias.
Poderiam ser os nossos filhos a lhes tomar o lugar, se a morte nos tivesse arrebatado a vida física e não houvesse quem os abrigasse.
Filhos de Deus, aguardam de nós amparo e proteção. Poderão se tornar homens de bem, tanto quanto desejamos que os nossos filhos se tornem. Poderão ser homens e mulheres produtivos e dignos, ofertando à sociedade o que de melhor possuem, se receberem orientação.
Por hora são simplesmente crianças. Amanhã, serão os homens bons ou maus, educados ou agressivos, destruidores ou mensageiros da paz, da harmonia, do bem.
Você sabia?
Que é dever de todos nós amparar o coração infantil, em todas as direções?
E que orientar a infância, colaborando na recuperação de crianças desajustadas, é medida salutar para a edificação do futuro melhor?
Sem boa semente, não há boa colheita.
Enfim: educar os pequeninos é sublimar a humanidade.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dificuldades


“As dificuldades, dores e aflições que a vida nos impõe – e todos as temos, variando, apenas, sua natureza e intensidade – devem ser encarados como testes da nossa capacidade e perseverança. Se as enfrentarmos com coragem, determinação e fé, não raro sairemos fortalecidos dessas crises. Caso, porém, nos entreguemos ao desalento, à revolta, à descrença e à inércia, podemos, até, ser destruídos ou, na melhor das hipóteses, perder o foco do nosso objetivo maior. Sempre que tenho oportunidade, recorro a George Bernard Shaw para dizer as grandes verdades da vida. E a propósito dos problemas que não raro se abatem sobre nós, encanta-me, de maneira especial, esta metáfora, que o laureado escritor irlandês escreveu: “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos”. Se nossa estrutura for de um metal nobre, sairemos “afiados” e mais aptos para viver. Caso contrário...”

terça-feira, 21 de julho de 2009

Acreditar e descrer


Há pessoas absolutamente crédulas, que acreditam em tudo o que ouvem, lêem ou vêem, sem o mínimo senso crítico. Com isso, jamais chegam à verdadeira sabedoria, que fica misturada, em suas mentes, a falsidades e superstições. No outro extremo estão os céticos empedernidos, que não crêem em nada, mesmo que haja irrefutável comprovação da verdade daquilo que duvidam. São piores do que o apóstolo Tomé. Mesmo pondo os dedos nas chagas de Cristo, não acreditam que estejam diante do Mestre. Deixam, portanto, de ser sábios, por não reconhecerem a sabedoria. O ideal é a média desses dois comportamentos. Ou seja, nem acreditar cegamente e nem descrer liminarmente. O gênio de Stratford-upon-Avon, William Shakespeare, afirmou, há quase 500 anos: “A dúvida prudente é considerada o farol do sábio”. Duvidar, no primeiro instante, sim, mas com prudência. Contudo, quando algo for comprovado, descrer dele é colocar permanente venda nos olhos.