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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os espertos


Diariamente os usuários de Internet são alvo dos mais diversos golpes através de e-mails maliciosos, contendo arquivos anexados, alguns bem arquitetados, com o objetivo de provocar a curiosidade. O internauta incauto que clicar no arquivo permite que um programa “assaltante” seja instalado em seu computador e a partir daí vai capturar senhas de acesso a bancos.
Ultimamente um e-mail é enviado com um sugestivo título: “Nossas fotos no motel”, “Essas fotos são para você se lembrar de mim”. É claro que não existe nenhuma foto, e sim um arquivo que invade o seu computador. Outro tipo de e-mail é o que informa que existe uma soma de milhões de dólares deixada por uma pessoa que morreu com toda sua família. O emitente do e-mail faz proposta para que a vítima assuma ser herdeiro e reivindique o dinheiro, que será “repartido entre nós”, diz ele. Facilidade para ser milionário igual a esta proposta, não existe igual, certo?
A mente e o instinto criminoso fazem parte do ser humano. Desde que o mundo é mundo, a transgressão existe. E é evidente que os criminosos utilizam as ferramentas disponíveis para atacar, roubar, enganar. Não é surpresa, portanto, que a Internet, hoje meio utilizado por milhões de pessoas, inclusive para transações financeiras, seja um alvo privilegiado, e de difícil monitoramento ou controle.
O surpreendente de tudo isto é a facilidade como muitas pessoas caem no “conto do vigário”, usando uma antiga expressão. Apesar de todos os alertas que são repetidos à exaustão, pessoas são enganadas através do celular, das falsas ligações telefônicas e dos e-mails. E há indivíduo que ainda é presa fácil de artimanhas tão antigas e conhecidas como o famoso golpe do “bilhete premiado”.
A história do “bilhete premiado” é emblemática. Por que alguém, abordado por uma pessoa na rua, que nunca viu ou conhece, acredita e dá dinheiro em troca de algo que não existe? O golpista tem lá sua dose de competência e “conversa”, sem dúvida. Mas não é só isso: na maioria dos golpes, inclusive nos casos cibernéticos, a verdade é que a vítima vislumbra a oportunidade do ganho fácil, e não hesita.
O criminoso é esperto o suficiente para sempre despertar a cobiça e a curiosidade da vítima. E esta é facilmente enganada pela história ou na mensagem: nessa luta de espertos e malandros, ganha sempre o criminoso.
O melhor caminho a ser seguido é o de deixar de lado a esperteza e parar de sonhar com vantagens e lucros que cairiam do céu.

sábado, 17 de outubro de 2009

A morte não está nem aí para nós (Arnaldo Jabor)


Depois de certa idade, começamos a pensar na morte. Meu avô me disse uma vez: "Acho triste morrer, seu Arnaldinho, porque nunca mais vou ver a Avenida Rio Branco..." Isso me emocionou, pois ele ia diariamente ao centro da cidade, onde tomava um refresco de coco na Casa Simpatia, depois passava na Colombo, comprava goiabada cascão, queijo de Minas, e voltava para casa, de terno branco e sapato bicolor. Entendo meu avozinho, porque o morto fica desatualizado logo, logo. As notícias vão rolar e eu nada saberei. Haverá crises mundiais, filmes que estréiam, músicas lindas, e eu ficarei lá embaixo, sem saber das novidades. "Como morrer num dia assim, com um sol assim, num céu assim?" — cantou Olavo Bilac. Como ficar por fora das artes, da política, das doces fofocas?
O Drauzio Varella acaba de escrever um livro, que sairá brevemente, onde ele conta suas experiências no contato com a morte em sua profissão de cancerologista. No livro, vemos que a morte é variada. Não há uma só morte. Há um menu de mortes. As mortes são vividas de mil maneiras, ou melhor, não se vive a morte, óbvio, pois o que há são os últimos minutos no furo da tragédia, no olho do fim. Filosofar sobre a morte não dá em nada.
A morte não está nem aí para nós. Ela nos ignora, ignora nossos méritos, nossas obras. Ela é simples, uma mutação da matéria que pouco se lixa para nós. Só nos resta viver da melhor maneira possível até o fim. Há muitos anos, pegou fogo no edifício Joelma em São Paulo, torrando dezenas. Até hoje eu me lembro da foto em cores de um homem de terno, pastinha James Bond, agachado numa janela do vigésimo andar, com o fogo às costas. Seu rosto mostrava dúvida: O que é melhor para mim? Morrer queimado ou me jogar? Ele se jogou.
Às vezes, quando tenho vontade de morrer, penso: E vou perder o espetáculo da vida? Por exemplo, escrevo agora diante do mar da Bahia. Vou deixar esse grande céu azul colado no grande mar azul que bate em pedras negras há milhões de anos, com o sol se afogando no horizonte? Vou sair dessa eternidade para ir aonde? Daí, penso: já estamos na eternidade, o universo “é” a eternidade e viver é ter o infinito privilégio de ver Deus, que está entranhado em tudo. Sei que o "viver" humano é doloroso por ser um "exílio", por termos perdido a simbiose com a natureza, perdido a paz dos pássaros, macacos e peixes. Mas, apesar dessa dor do exílio — que nos deu a linguagem (essa maravilhosa anomalia) — temos a chance de ver o universo de fora, estando dentro. Parafraseando Cézanne, somos a consciência do universo que se pensa em nós. A gente acha que verá Deus quando morrer. Essa é a grande burrice; Deus é isso aí, bichos, Deus está nos telescópios, Deus é o hidrogênio que está em toda parte. Deus não está no universo; Deus é o universo. Deus não está em nós; Deus é "nós". Viver é ver Deus, ali, na galáxia e no orgasmo, no buraco negro e no coração batendo. Mas, como a vida é em geral uma bosta social e política, no deserto do Iraque ou na miséria carioca, imaginamos que Ele esteja em outro lugar. Não. Está aqui, escrevendo comigo, movendo meus dedos, espelhando o mar da Bahia em meus olhos cansados. (Santo Deus, como a boneca está filosófica, hoje...)
Por isso, quando me penso morto, eu, o único que não irei ao meu enterro, tremo de pena de mim mesmo. Deixarei de ver, para ser natureza cega.
Por exemplo, acho triste a lagoa azul e roxa no fim da tarde e eu longe, sem ver nada. Como? O jazz tocando num piano-bar e eu ausente? Não terei saudades de grandes amores, megashows do mundo de hoje, excessivo e incessante. Não. Debaixo da terra, terei saudade de irrelevâncias essenciais para mim, terei saudades de algumas tardes nubladas de domingo que só o carioca percebe, quando fica tudo parado, com os urubus dormindo na perna do vento, com o radinho do porteiro ouvindo o jogo, terei saudades do cafezinho, de beiras de botequins, do uisquinho ao cair da tarde em Ipanema — minha morte é carioca.
Terei saudades dos raros instantes sem medo ou culpa, de momentos de felicidade sem motivo que sentia ao ouvir, digamos, "Sophisticated Lady", no sopro arfante do sax de Ben Webster e com Billie Holiday, mas não terei saudades do excesso de sangue e de notícias, nada do mundo febril, só quietudes, Erik Satie, João Gilberto, Matisse, Rimbaud, João Cabral, "Cantando na chuva", terei saudades de Fred Astaire dançando "Begin the beguine" com Eleanor Powell felizes para sempre dentro do universo onde estamos, nada de grandes prazeres globais, só calmarias, "Deus e o Diabo", "Oito e meio", Pina Bausch, o silêncio entre amigos na paz de um bar, papos de cinéfilo, risos proletários e camaradagem de subúrbio, Lapa, Avenida Paulista de noite, a chacona da Partita em Ré-Menor de Bach, Francis Ponge, que também amava o irrisório, o samba com o clima de amor que nos envolve nas rodas pobres, Noel Rosa, pernas cruzadas de mulheres lindas e inatingíveis, terrenos baldios do subúrbio antigo, Paris (claro), uma corrida de Zizinho com a bola quando entendi a grande arte que Pelé depois recriou, o tremor de medo e desejo da mulher na hora do amor, a timidez, a delicadeza, a compaixão, a súbita alegria de uma vitória, a frágil lua nova, Borges, Eça de Queiroz, um fecho de ouro de orquestra ou de poema, o prazer da arte, Fellini, Chaplin, Shakespeare e Tintoretto em Veneza para sempre, terei saudades do odor de madressilvas, da fome de amor entre os jovens, da simpatia, do desejo nos rostos e do Brasil, claro, do meu Brasil.
O Drauzio me falou uma vez sobre duas mortes: súbita ou lenta. Você, frágil leitor, qual delas prefere? O súbito apagar do abajur lilás, num ataque cardíaco, ou o lento esvair da vida, sumindo com morfina? Eu queria morrer como o velho Zorba, o grego, em pé, na janela, olhando a paisagem iluminada pelo sol da manhã. E, como ele, dando um berro de despedida.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Favelas: uma rotina de perigos

“Felizmente não houve vítimas fatais nem feridos graves no violento incêndio que destruiu no domingo de 11/10/2009 mais de 300 barracos na favela do Jaguaré, em São Paulo – uma ocorrência que as cenas mostradas pela televisão autorizavam pensar num saldo trágico, para além das perdas materiais sofridas pelos moradores do lugar, e que, para muitos deles, foram totais. Não obstante, vale mais uma vez chamar a atenção para o problema da favelização das nossas cidades, que não para de aumentar, e principalmente para a extrema precariedade desses núcleos miseráveis, onde o cotidiano das famílias constitui um penoso exercício de sobrevivência, quando não, até, uma aventura perigosa. Neste incêndio da favela do Jaguaré, talvez em razão de o fogo ter começado ainda com dia claro, não houve mortes a lamentar; as pessoas tiveram condições de por-se a salvo, mas poderia ter sido diferente. Ressalte-se que, no caso, embora habitada por 1.300 famílias, nem se tratava da maior favela paulistana. Outras a superam em larga medida, naturalmente com um potencial de risco correspondente à dimensão de cada uma, e sempre dos mais elevados.
Os governos não dão conta de deter a proliferação das favelas, e tampouco de construir conjuntos residenciais para abrigar essa faixa da população. Fazem só o que é possível, dentro de suas disponibilidades financeiras. Já que é assim, deveriam agir para melhorar a infraestrutura desses locais, de forma a proporcionar mais segurança aos seus moradores. Erguidas em geral clandestinamente em terrenos alheios, a legislação proíbe obras de urbanização nas favelas, porém, alguma solução tem de ser encontrada para esse assunto, pois não dá para aceitar que milhares de pessoas sejam obrigadas a viver em estado de medo permanente, seja de incêndio, seja de deslizamentos de terra, seja de inundações provocadas pelas chuvas, e por aí afora. Sempre que barracos são consumidos pelo fogo, o que é freqüente, a primeira causa cogitada é um curto-circuito no emaranhado de “rabichos“ da rede elétrica. Ora, não há como se dar um jeito nessa situação irregular? Por que tal iniciativa não se concretiza? É o que precisa ser apurado, para se identificar o obstáculo. E como esta, outras questões certamente existirão nesse âmbito, a requerer um enfrentamento mais racional e objetivo.
As favelas são fruto do inchaço das cidades e, sobretudo, das dificuldades financeiras que afligem um grande número de famílias. O desenvolvimento econômico é o caminho para a sua erradicação, mas o processo, em nosso País, é lento, não se completará em poucas décadas, se é que um dia isto acontecerá. A saída, então, é tentar minimizar as deficiências, no sentido de que elas não se perpetuem como sérias ameaças às comunidades pobres. Meros paliativos, sem dúvida, mas que podem evitar terríveis tragédias.”

domingo, 11 de outubro de 2009

Até quando?


“Vivemos num mundo onde o amor é uma raridade.
Onde o carinho é trocado pela ofensa.
Onde a violência nos faz prisioneiros em nossas residências, enquanto os verdadeiros bandidos estão à solta.
Vivemos num mundo onde roubar, matar e violentar os direitos humanos, já virou rotina.
Um mundo sem paz, sem pão, sem vida, sem ação, ou melhor, sem boas ações.
Vivemos num mundo de onde saímos para trabalhar, beijamos nossos filhos, sem saber que esse gesto tão comum pode ser um adeus.
Vivemos num mundo que foi corrompido, mutilado, ferido, e maltratado dia após dia e como resposta aos desagrados causa ferimentos, machuca e maltrata a todos nós.
Vivemos num mundo onde se mata por nada, onde tudo se torna nada, onde num instante se destrói uma família apenas para roubar.
Vivemos num mundo onde se tira um pai de família da convivência dos seus entes queridos, tira-se o pão da boca de seus filhos, para roubar-lhe a vida, o carro e o celular, não sabem esses bandidos que levam junto consigo não só a vida, mas os sonhos, as esperanças, e tudo aquilo que o cidadão lutou para conquistar.
Até quando esse mundo sem amor, com tanta dor, vai durar?
Até quando a violência será nosso algoz? Fazendo de nós seus prisioneiros, reféns da vida, da dor e da morte.
Até quando viveremos neste mundo sem paz, sem amor, sem pão, sem luz, sem esperanças e sem vida?
A cada dia uma nova ferida, uma nova dor...
A cada vez que se assassina um pai de família mata-se também a esperança, a dignidade, a vontade de lutar.
Até quando?
Até quando as lágrimas irão destruir os sorrisos, a dor vai substituir o amor, até quando a morte nos roubará a vida?
Vivemos num mundo onde a violência é predominante, onde o silêncio sufoca os justos e deixa livres os assaltantes.”

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Carta de um homem a todas as mulheres

'Eu aprendi... que sempre posso fazer uma prece por alguém quando não tenho força para ajudá-lo de alguma outra forma'. (William Shakespeare )
- Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual. Isso quer dizer, se tem forma de guitarra.... Está bem.
Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas. As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas... Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo.
As muito magrinhas que desfilam nas passarelas seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays, e odeiam as mulheres, e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas, e agridem o corpo que eles odeiam, porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade. A elegância e o bom trato são equivalentes a mil viagras.
A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem!
Para andar de cara lavada, basta a nossa.
Os cabelos,quanto mais tratados, melhor.
As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas. Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco?
Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras, e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão, e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulímica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática tranqüila e cheia de saúde.
Entendam de uma vez! Trate de agradar a nós, e não a vocês, porque nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.
Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 30 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por Karina Mazzocco, Eva Longaria, Angelina Jolie ou Demi Moore, somos capazes de atravessar o Atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.
Entretanto,uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento, ou está se auto-destruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio, e sabem controlar sua natural tendência à culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes); quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se sabota e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol', nem em spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe.
É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no!
Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto. Tudo junto!
Assinado: UM HOMEM

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dia do sexo


Um dia, em uma sala de espera de uma empresa, estava folheando uma revista nacional de grande circulação quando vi um anúncio de uma clínica especializada em tratamento de problemas como a disfunção erétil e a ejaculação precoce. Discreto, mas eficiente, o anúncio tinha o sugestivo título de “Sexo é vida”, e oferecia diagnóstico especializado, tratamentos personalizados e salas de espera individuais, de maneira a atrair clientes que receiam expor seus problemas sexuais e o que fiquei surpreso é que o anúncio, também informava que o dia 6 de setembro é o “dia do sexo”.
Setembro é um mês especial, mesmo. Constatei isso não só porque assinala, aqui no hemisfério sul, a chegada da primavera, com suas flores, alegrias e um pouco de calor. Descobri que, além do dia do sexo (no dia 6), é comemorado o “dia do amante” no dia 22, data estendida a toda semana, dedicada, portanto, a ele (ou ela, é claro).
É evidente que essas datas são criadas pelo marketing e pela propaganda. Com todo respeito, não escapam a essa regra nem os famosos Dia dos Pais e Dia das Mães, quando o comércio vende como nunca. E mesmo festas religiosas importantes como a Páscoa ou o Natal tornam-se momentos para compras desenfreadas, seja de ovos de chocolate ou presentes para parentes e amigos.
Mas não resisti a pensar na atenção ao sexo (e aos amantes). O tema é recorrente hoje, na mídia: não há dia em que ele não seja abordado. Alguns dirão que foi banalizado, reduzido a mercadoria. Talvez seja verdade, mas não há como deixar de registrar que sexo é natural e intrínseco à natureza humana. Infelizmente, durante séculos, ele foi varrido para debaixo do tapete (sem, contudo, jamais deixar de mostrar a sua força e vigor), transformado em algo pecaminoso e vergonhoso.
Algo tão normal – e gostoso – foi e é motivo para tantos problemas, traumas, vícios. Desde o século XIX, o romantismo trouxe para a cena a importância do amor como fundamental para a vida, e, assim, apaixonar-se passou a ser a aspiração máxima de todos, especialmente das mulheres. No entanto, construiu-se a moral baseada no repúdio ao sexo. Aos homens, a tolerância do sexo casual com prostitutas; às mulheres a renúncia ao prazer.
A revolução sexual dos anos 60 mudou bastante esse quadro. Mas creio que ainda não temos uma postura aberta e franca em relação ao assunto. Ele ainda é tabu em muitos ambientes, e continua provocando crises e frustrações. Talvez ainda vá demorar que passemos a encarar sexo como normal e natural, necessário à vida.
E os amantes? Prefiro não encarar a questão como a relação extraconjugal, escondida, proibida. Acho melhor usar a palavra para representar duas pessoas que estão atraídas uma pela outra, que se amam, que se gostam, e que decidem viver esses momentos sem pressões ou culpas. O ser humano foi feito para amar durante todos os dias de sua vida. E sexo é a manifestação mais perfeita do amor.
(baseado em texto de Alcindo Gonçalves)

sábado, 3 de outubro de 2009

Senso da intimidade


No convívio com uma diversidade enorme de pessoas nos mais variados ambientes, podemos observar a grande dificuldade, nos tempos atuais, para demonstrar a um jovem, em termos das relações humanas, o que está no campo do público e no campo do privado e o que representa cada um para a nossa intimidade na vida cotidiana e profissional.
Conversando com pessoas da área de ensino secundário e universitário, ficamos sabendo o quanto é difícil para estes profissionais a batalha para mostrar aos seus alunos que as pessoas que não conseguem construir a sua privacidade, que se deixam invadir o tempo todo, que não possuem maneiras de defender-se, que não entendem o que é resguardar-se acabam “traumatizadas emocionalmente” pelas cobranças da sociedade consumista e enraizadas sem necessidade, não entendendo amigos de conhecidos e não dando valor para os relacionamentos familiares e íntimos.
Realmente, é muito complexa esta situação.
Nós que diariamente utilizamos a Internet, visitando blogs, Orkut ou o recente Twitter, observamos o quanto as pessoas colocam à vista suas particularidades, falando de coisas tão íntimas e sem qualquer cuidado que seus segredos venham a ser manipulados por indivíduos inescrupulosos, correndo o risco de até serem chantageadas. Outro absurdo que presenciamos, em termos de exposição, é a utilização do telefone móvel, o famoso celular. O usuário desta tecnologia, em sua maioria, fala alto, comenta sobre outras pessoas, revela condições de um negócio ao lado de estranhos, principalmente, quando utilizam de maneira inadequada um determinado aparelho de comunicação via rádio e com o viva-voz ligado, o Nextel ou quando é hábito mesmo, por falta de orientação e educação, aos altos brados.
A partir deste ponto, para se tornar comum e considerar amigo íntimo aquela pessoa conhecida no dia anterior, numa festa ou balada ou em uma reunião profissional, e terminar relatando toda a sua vida para ela, é como um estalar de dedos. Este tipo de atitude é preocupante e pode acabar em finais desastrosos, assim como querer levar assuntos familiares para o trabalho, misturando emoções e dúvidas e passar dos limites.
É comum ouvirmos pessoas comentando certos assuntos em público que nos deixam chocados. Por exemplo, o que interessa aos outros uma briga entre marido e esposa ou como é o relacionamento sexual? E se consideram liberadas, atuais, o supremo do supremo em personalidade, proporcionando um degradante e escandaloso ato de auto-invasão, de não consideração por um mundo que deveria respeitar e proteger. Não por medo, mas por afeição a privacidade.
A pessoa que não aprende a construir sua intimidade, que desconhece a diferença entre o que é público e privado, que permite abrir-se a qualquer um nunca terá conhecimento sobre a segurança de voltar a um mundo somente seu ou conviver com pessoas em quem possa confiar. Deixam de ter o precioso senso do íntimo, daquilo que é somente nosso ou de uns poucos. Tornam-se presas fáceis do espetacular, atordoadas pelos alardes que nada significam nos momentos cruciais da existência humana.