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terça-feira, 19 de junho de 2007

A farsa para absolver Renan

Para entender como são mínimas as chances de punição ao presidente do Senado, Renan Calheiros, basta ler a pesquisa feita pelo jornal O Globo de 18/06/2007: em 39 anos o Supremo Tribunal Federal abriu 137 processos criminais contra deputados, senadores, ministros de Estado e presidente da República. Ninguém foi punido. Renan será julgado hoje pelo Conselho de Ética, mas como definiu Ricardo Noblat em seu blog, será apenas uma encenação. A seção Painel do jornal a Folha de São Paulo (18/06/2007) traz frase do senador Renato Casagrande, um dos que não aderiu publicamente à operação salvamento: “Queremos ajudar o Renan, mas para isso ele tem de estar em condições de ser ajudado”, diz. Se essa é a disposição de quem tem dúvidas sobre a culpa de Renan, imagine o resto...
Quando se imaginava que a imagem dos políticos não podia piorar, aparece meia dúzia de senadores para cavar ainda mais o poço da desmoralização. Ávidos em inocentar o presidente do Senado, Renan Calheiros, alguns participantes do Conselho de Ética ultrapassaram ontem (18/06/2007) a linha do ridículo. “Nós, homens, desde Adão e Eva estamos sujeitos à sedução das mulheres”, afirmou o senador Gilvam Borges, ao tentar jogar os problemas de Renan sobre a mãe de sua filha, Mônica Veloso. Diante da resistência da oposição em arquivar o processo sem uma perícia nos documentos da milionária venda de gado de Renan, a sessão foi adiada para hoje (19/06/2007), informam O Globo e O Estado. No mesmo jornal, a colunista Miriam Leitão desabafa: “tenho medo que o Brasil tenha passado do ponto de transformar escândalos em algo depurador”. O bem-informado blogueiro Fernando Rodrigues escreve que Renan “começará a receber emissários sugerindo a ele que renuncie ou se licencie da presidência do Senado”.

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