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terça-feira, 29 de abril de 2008

A maldade

Depois que vieram a público as atrocidades cometidas pela besta sádica de Goiânia contra diversas crianças e antes do assassinato da pequenina Isabela, um amigo baiano, muito querido, pai e cidadão, perguntou-me se não iria comentar nada e como andavam os ânimos por aqui diante daquele fato.
Confesso que não tenho ânimo para tal tarefa nem minha alma consegue se debruçar sobre esse assunto. Sinto-me constrangida, envergonhada e temerosa diante da presença do mal individualizado. Creio também que não estou sozinha neste constrangimento. É mais fácil lidar com números, estatísticas que com seres humanos, principalmente crianças violentadas, abusadas, assassinadas e suas famílias, cuja dor imensurável, esperamos não sentir nunca.

Se, por um lado, é fácil pensar nas estatísticas, por outro, elas indicam a maldade muito mais grave de determinados grupos que, além de vitimar mais de uma ou dez ou cem crianças, indicam o profundo desinteresse por qualquer situação que não esteja relacionado ao bem estar deles mesmos.

Exemplos não faltam e seria monótono repeti-los, apesar de ser necessário: sanguessugas (mais de 100 milhões de reais), mensalão, dossiês, cartões corporativos, inaugurações falsas, seis anos de comícios, palanques, turismo presidencial pelo planeta, primeira-dama, primeiro filho, primeira-filha, luxos de new rich, compra de políticos venais no congresso, criação de ministérios inúteis para abrigar incompetentes, financiamento dos criminosos do MST, criação de mais de vinte mil cargos para acomodar vassalos políticos, pagamento de indenizações e pensões para supostos perseguidos políticos (quase a metade do que foi pago às reais vítimas do holocausto nazista, conforme o último número da VEJA) e uma lista cansativa de etc.

Se se conseguir chegar ao montante dos recursos públicos desviados para tudo isso, temos que pensar em quem realmente encarna a maldade neste país e nos milhões de vítimas desta ação ignominiosa e milimetricamente planejada.

Se se pensar nos objetivos de tal prática, é possível chegar rapidamente à resposta. Trata-se de garantia prévia, caução do lulo-petismo para a perpetuação de Luiz Inácio da Silva no poder, à custa do erário, do sofrimento nas filas do SUS (círculo profundo do inferno), da educação, da ética, da justiça, de qualquer moral e com o beneplácito daqueles que se venderam e se vendem ou mesmo se dão de graça (de olho no futuro).

Então, pergunto: se o mal tem alguma medida, qual é a diferença entre aqueles que desviam para si o dinheiro público, condenando milhões de pessoas ao desemprego, à violência, à dor, à humilhação e à desesperança e os monstros que violentam e assassinam crianças?

A propósito, meu medo diante do mal institucionalizado é muito maior.