
A notícia, talvez do ano, é a renúncia de Fidel Castro ao comando de Cuba. Esse episódio marcante, porém, me leva a unir fatos e a chegar à conclusão de que nada entendemos de política. Explico: Fidel ficou quase 50 anos no poder e, em sua carta de despedida, citou o genial brasileiro Oscar Niemeyer, outro comunista histórico, afirmando que ambos, na esquina do século de vida, pensam da mesma forma: é preciso ser conseqüente até o final.
E por que digo nada entendemos de política? Porque, aqui na Terra de Santa Cruz, somos governados por um cidadão que se diz uma “metamorfose ambulante”, como na música de Raul Seixas, e que hoje é a estrela mais brilhante de nossa política, uma paixão nacional, com a aprovação de mais de 66% (???) da população. Isso no sexto ano de mandato, tendo passado por escândalos e desmandos os mais diversos. Pior (ou melhor): Lula foi eleito e reeleito sem manipulação de assembléias dirigidas, pelo voto direto, universal, com direito a primeiro e segundo turnos, campanha na rua e debaixo de muito preconceito. É um fenômeno. Vivemos uma democracia real.
Fidel, sem dúvida, é ídolo em seu país, um mito, como diz o próprio Lula. Mas à custa de muito sufoco da população. É bem verdade que o comandante driblou o destino de seu país: o que seria um grande cassino e uma toca da máfia virou um país de verdade, se impôs. Isso não tira a mancha de país sem liberdade, que não respeita opiniões contrárias, que cala a imprensa e o direito de associação. Mas Fidel sem dúvida deu dignidade a Cuba. E saúde e educação.
Tudo isso, sendo conseqüente, Lula, a metamorfose, tem Fidel como parâmetro. Foi a Cuba duas vezes, depois de eleito, e também cultua o mito. Mas, como boa metamorfose, usa métodos heterodoxos de governar, muito diferente de quando fazia política sindical, ou oposição aos governos – dos militares a Fernando Henrique. Ele mesmo diz que ser oposição é uma “desgraceira”, porque é obrigado a bater no Governo, por bem ou por mal. Tem sempre de procurar um motivo para crítica.
Tem sentido na pele as bravatas que perpetuou. Mas nada gruda em Lula. Como se todos os males do País fossem culpa de quem não governa, apenas critica. Ele nada tem a ver com o desmatamento da Amazônia, com o caos aéreo (que persiste), com a péssima conduta de assessores mais fiéis), com a falta completa de competência para fazer reformas, com a falta de ética que invade o País, com o fisiologismo descarado, e por aí vai.
Agora, sua tropa de choque age da mesma forma, repete o mesmo refrão dos velhos adversários e trava qualquer entendimento político mencionando normas de regimento, para compor a CPI dos Cartões Corporativos. Pior (pior mesmo): a tropa está preparou dossiê sobre o governo Fernando Henrique para contrapor os ataques da oposição, na revanche mais medíocre que se pode imaginar. Isso é política com “p” minúsculo. Uma comparação que rebaixa a prática política a mera desforra incabível.
Mas nada grudará em Lula. E é por isso que, cada vez mais, fica difícil encontrar na seara do PT alguém que o substitua, que possa fazer frente aos adversários. A não ser que ele, uma vez mais, promova um milagre e consiga transferir votos para um “poste” qualquer - o que nunca aconteceu na política brasileira. Lembremos que aprovação de 66,8% de Lula é dele. O governo tem 53%. E não há qualquer nome que possa ocupar seu lugar ao sol.
E por que digo nada entendemos de política? Porque, aqui na Terra de Santa Cruz, somos governados por um cidadão que se diz uma “metamorfose ambulante”, como na música de Raul Seixas, e que hoje é a estrela mais brilhante de nossa política, uma paixão nacional, com a aprovação de mais de 66% (???) da população. Isso no sexto ano de mandato, tendo passado por escândalos e desmandos os mais diversos. Pior (ou melhor): Lula foi eleito e reeleito sem manipulação de assembléias dirigidas, pelo voto direto, universal, com direito a primeiro e segundo turnos, campanha na rua e debaixo de muito preconceito. É um fenômeno. Vivemos uma democracia real.
Fidel, sem dúvida, é ídolo em seu país, um mito, como diz o próprio Lula. Mas à custa de muito sufoco da população. É bem verdade que o comandante driblou o destino de seu país: o que seria um grande cassino e uma toca da máfia virou um país de verdade, se impôs. Isso não tira a mancha de país sem liberdade, que não respeita opiniões contrárias, que cala a imprensa e o direito de associação. Mas Fidel sem dúvida deu dignidade a Cuba. E saúde e educação.
Tudo isso, sendo conseqüente, Lula, a metamorfose, tem Fidel como parâmetro. Foi a Cuba duas vezes, depois de eleito, e também cultua o mito. Mas, como boa metamorfose, usa métodos heterodoxos de governar, muito diferente de quando fazia política sindical, ou oposição aos governos – dos militares a Fernando Henrique. Ele mesmo diz que ser oposição é uma “desgraceira”, porque é obrigado a bater no Governo, por bem ou por mal. Tem sempre de procurar um motivo para crítica.
Tem sentido na pele as bravatas que perpetuou. Mas nada gruda em Lula. Como se todos os males do País fossem culpa de quem não governa, apenas critica. Ele nada tem a ver com o desmatamento da Amazônia, com o caos aéreo (que persiste), com a péssima conduta de assessores mais fiéis), com a falta completa de competência para fazer reformas, com a falta de ética que invade o País, com o fisiologismo descarado, e por aí vai.
Agora, sua tropa de choque age da mesma forma, repete o mesmo refrão dos velhos adversários e trava qualquer entendimento político mencionando normas de regimento, para compor a CPI dos Cartões Corporativos. Pior (pior mesmo): a tropa está preparou dossiê sobre o governo Fernando Henrique para contrapor os ataques da oposição, na revanche mais medíocre que se pode imaginar. Isso é política com “p” minúsculo. Uma comparação que rebaixa a prática política a mera desforra incabível.
Mas nada grudará em Lula. E é por isso que, cada vez mais, fica difícil encontrar na seara do PT alguém que o substitua, que possa fazer frente aos adversários. A não ser que ele, uma vez mais, promova um milagre e consiga transferir votos para um “poste” qualquer - o que nunca aconteceu na política brasileira. Lembremos que aprovação de 66,8% de Lula é dele. O governo tem 53%. E não há qualquer nome que possa ocupar seu lugar ao sol.