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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Aposta ousada, na compra dos aviões

Apesar de o assunto não chamar muito a atenção popular, ele é de alta importância, seja em razão do volume dos recursos envolvidos, seja por suas implicações políticas, até mesmo no que respeita ao relacionamento do presidente da República com as Forças Armadas. Trata-se da compra de aviões de combate para a Força Aérea Brasileira (FAB), uma questão que se arrasta desde o Governo anterior, e que o presidente Lula, ao que tudo indica, parece disposto a resolver agora. Na escolha é que está o problema. Enquanto os técnicos da Aeronáutica recomendam a aquisição do caça Saab Gripen, fabricado pela Suécia, o chefe do Governo mostra-se inclinado pela Dassault Rafale, produzido pela França, o qual, aliás, segundo a análise dos especialistas da FAB, é o menos vantajoso da lista de três candidatos, perdendo também para o Boeing F/A-18/F dos Estados Unidos.
A preferência da Força Aérea, que afinal vai usar os aprelhos, o preço bem menor e a substancial transferência de tecnologia, do fabricante sueco para o Brasil, não estão sendo argumentos fortes o suficiente para convencer o presidente Lula a optar por ele. Ao contrário, pende para o Rafale, não obstante ser mais caro, além de visto com restrições pelos oficiais da FAB, inclusive no aspecto do acesso aos sistemas estratégicos e diferenciais do avião, e a explicação está no fato de que Lula quer ter no presidente francês Nicolas Sarkozy um aliado de peso em suas incursões pela cena internacional, e cujo objetivo é colocar o Brasil não somente como um dos líderes dos emergentes, como torná-lo um participante ativo das grandes decisões globais. A elevação do nosso País ao posto de membro-titular do Conselho de Segurança da ONU entraria igualmente no pacote, como uma das reivindicações brasileiras, sem falar no aumento do intercâmbio comercial com a União Européia.Para conseguir tudo isso, vamos ficar com os aviões franceses. Se as retribuições realmente virão, bem, é uma outra história.
Resta saber se este é, efetivamente, o negócio que interessa ao Brasil. Do ponto de vista político pode ser. Embora não haja nenhuma garantia concreta, tudo se dá – ao menos no tocante aos temas principais – na base de promessas e de expectativas. Pelo lado financeiro, o Brasil vai ter prejuízo, pois cada Rafale francês custa US$ 140 milhões, contra US$ 70 milhões do avião sueco, e sua manutenção é a mais custosa. Como está prevista a compra de 36 unidades, é só fazer a conta para calcular o total a mais. E quanto ao interesse militar, quem entende é contra a solução defendida pelo Planalto. Em síntese, assim estão as coisas. O presidente Lula, claramente, está fazendo uma aposta ousada. Se ganhar, todos os méritos serão seus. Se perder, não ficará com uma boa imagem junto aos militares, e a FAB não terá os equipamentos adequados para cumprir suas missões.

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