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sábado, 2 de janeiro de 2010

Filhos do Brasil


“A novela dos brasileiros no Suriname continua. Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) já trouxeram para o Brasil dezenas de compatriotas nossos, principalmente aqueles – muitos dos quais feridos – que foram duramente espancados por grupos da população nativa na cidade de Albina, na noite de Natal. A maioria dos brasileiros, entretanto, não quer saber de voltar. Acham que, com o tempo, a situação tende a se normalizar, e eles poderão novamente trabalhar – ao menos até o próximo conflito, não se sabe quando.
São, predominantemente, garimpeiros, espalhados por várias localidades do Suriname, ricas em ouro, mais um bom número de prostitutas e de vendedores ambulantes, os mesmos “mascates” tão comuns no interior do Brasil de outras épocas. Essa gente toda prefere os riscos de viver no estrangeiro porque, por aqui, não encontra oportunidades de trabalho, e mais ainda em suas regiões de origem, no extremo norte do nosso País. Cruzar a fronteira rumo às selvas e à violência do Suriname é, para eles, a única alternativa de sobrevivência.
O Governo precisa examinar esse assunto, e ver o que é possível ser feito para criar empregos naqueles grotões remotos, tão subdesenvolvidos e carentes de tudo. O povo de lá necessita – e merece – esse incentivo. Afinal, tanto quanto o patrício de origem humilde que o destino elevou aos píncaros do poder nacional, eles também são filhos do Brasil.”

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