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domingo, 26 de agosto de 2007

Torre de Babel (Carlos Monforte)


O descompasso entre políticos que compõem a base aliada do Governo vem contaminando cada vez mais a oposição. PSDB e DEM (ex-PFL) parecem mais distantes a cada dia. No Governo, os embates vão desde a defesa (ou ataque) à transposição do Rio São Francisco, à prorrogação da CPMF, passando pelos debates sobre o destino do senador Renan Calheiros.
Não é apenas isso. No caso dos boxeadores cubanos, as discussões foram às claras. Alguns senadores do PMDB se chocando frontalmente contra o PT. No caso de Renan, está constrangedor ver o PT tirar o time de campo, quando o presidente da casa é atacado pela oposição. Nem mesmo o senador Jucá, aliado de primeira hora de Renan, dá mais a cara à tapa. Nem Mercadante, nem Ideli Salvatti, ninguém. Só o senador Almeida Lima e, algumas vezes, o senador Gilvam Borges, tomam a palavra para defender Renan, jogado aos tubarões.
Não há assunto de consenso, hoje, tanto na Câmara como no Senado. Nem mesmo o projeto do deputado Luciano Castro, que é uma benção aos que vivem pulando de partido, teve adesão geral, embora com boa votação. O projeto, no fundo, protege quem saiu de partidos da oposição e buscou abrigo em partidos menores, que apóiam o Governo, em busca, claro, das benesses do poder. Mas pelo menos agora há uma regra estabelecida para os trocadores de partido.
No caso da CPMF, as divergências são intensas, inclusive entre os partidos de oposição. DEM e tucanos divergem no combate à contribuição. O DEM é mais radical: é totalmente contra a cobrança da taxa. O PSDB é mais flexível, até porque acha que vai voltar ao poder e vai precisar do dinheiro (R$ 35 bilhões por ano). Os tucanos querem reduzir a taxa e partilhar um pouco entre Estados e Municípios. Nenhum dos partidos vai conseguir o que quer.
Entre os aliados, as críticas ao Governo são muitas. O relator do projeto, deputado Eduardo Cunha, ligado a Anthony Garotinho, acha que o Governo errou politicamente ao discutir a contribuição sobre movimentação financeira isoladamente. Diz ele que o projeto ficou sem proteção, sem amparo, tomando chumbo sozinho. Em 2003, quando houve a última prorrogação, a CPMF veio junto com uma tentativa de reforma tributária, e aí os governadores ajudaram a aprovar, com medo de perder benefícios.
A crise aérea, então, provou que os bicudos do setor não se entendem mesmo. O gaúcho Zuanazzi (protegido da “gaúcha” Dilma) já bateu de frente com o gaúcho Jobim, e o tempo pode fechar ainda mais quando houver um novo acerto do papel das agências reguladoras. E nessa área não há quem se entenda de fato. Nem a Infraero, nem a TAM, nem a Airbus, nem os pilotos, nem os controladores (que finalmente ficaram quietos), nem as famílias das vítimas (dos dois acidentes). É um desentendimento geral, cada um culpando o outro, exigindo providências do outro, se lamuriando de tudo e de todos.
Enfim, o País só não degringola de vez porque a economia anda na linha, graças às medidas ortodoxas adotadas pelo Governo, seguindo a mesma linha tomada pelo Governo anterior. Lula não mudou a conduta de Fernando Henrique – só aprofundou o que foi iniciado -, e graças a isso hoje o País pode ter uma reserva de R$ 160 bilhões, uma estabilidade financeira importante, uma balança comercial interessante, inflação baixa, risco-país como nunca teve. Espero que a crise econômica mundial não estrague tudo isso. Daí é que ninguém iria se entender mesmo.

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