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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Eu sou Eu mesmo?


Muitas pessoas não conseguem encontrar a verdade sobre si mesma porque procuram onde ela não se encontra. Não procuram olhar para o seu interior, e desta maneira utilizam a idéia de outra pessoa sobre a verdade. A outra pessoa pode estar correta, mas como só se conhece a verdade sendo a verdade, a descoberta deve ser feita no interior de nós mesmos, entretanto, é sempre difícil seguir este caminho.
É difícil porque o nosso mundo valoriza o sucesso, quanto maior, melhor; quanto maior a audiência, maior o orador; as casas e edifícios colossais, os automóveis, os aviões, e as pessoas. Somente com esses fatos podemos perceber que a simplicidade se perdeu. As pessoas de sucesso não são as que estão construindo um mundo novo. Ser um revolucionário real requer uma mudança completa de coração e mente, e tão poucos querem se libertar. O ser humano corta apenas as raízes superficiais; mas para cortar as profundas raízes que alimentam a mediocridade, o sucesso, é preciso algo mais que palavras, métodos, compulsões. Parece que esses revolucionários são poucos, mas eles são os construtores reais – o resto trabalha em vão.
Para iniciar e desenvolver uma visão mais ampla, devemos estar dispostos, decididos a esquecer, a matar nossa visão mais estreita. A curto prazo é muito mais fácil não fazer isso – permanecer onde estamos, continuar usando o mesmo modo de vida atual, evitar sofrer a morte das noções que valorizamos. Contudo, o caminho do crescimento espiritual segue a direção oposta. Começamos desconfiando do que já conhecemos, buscando ativamente o que é ameaçador e desconhecido, deliberadamente desafiando a validade do que nos foi ensinado e valorizado. O caminho para a santidade está em questionar tudo.
Um dos nossos problemas é que poucos de nós desenvolveram uma vida pessoal distinta. Tudo em nós parece depender de outros, até mesmo nossas emoções. Em muitas situações, dependemos de informações de terceiros para viver. Nós aceitamos a palavra do médico, de um cientista, de um fazendeiro dando-lhes crédito. Não gostamos de fazer isso, mas temos de fazer, porque eles possuem conhecimentos essenciais sobre a vida que nós ignoramos. Podemos aceitar informações de terceiros sobre o estado dos nossos rins, os efeitos colaterais do colesterol e a criação de galinhas. Mas quando se trata de questões de significado, finalidade e morte, informações de terceiros não servem. Não podemos sobreviver com uma fé de terceiros, em acreditar num Deus de terceiros. Tem de existir uma palavra pessoal, uma confrontação única, se pretendemos sair vivos.
Dentro desta realidade, somos o resultado de uma formidável propaganda religiosa, política, comercial, etc...resultado da propaganda, propaganda da Bíblia, do Alcorão, de Bhagavad Gitã ou das teorias de Karl Marx e de Lenine. Eis o que somos, sem nada de original, nada de verdadeiro: seres humanos de “segundo plano”. Isso é um fato: é a nossa vida.
Somos criados com fundamentos de que o exemplo, o herói, o santo, o guia, o guru, é necessário; e tornamo-nos assim, seguidores, sem iniciativa própria, discos reprodutores, a repetir o mesmo velho padrão. Quando nos limitamos a seguir, perdemos todo o sentimento de individualidade, a plenitude da compreensão individual, e isso, muito evidentemente, não soluciona os nossos problemas... E quando submetidos à tirania do exemplo, nossa mente está apenas a ajustar-se a um padrão. O padrão pode ser amplo ou estreito, mas é sempre padrão, molde, e a mente que segue um padrão é, sem dúvida, muito superficial. Seguindo o padrão que é determinado em exemplos, modelos, ídolos, descartamos o que é puro, verdadeiro em si mesmo; utilizando intérpretes, exemplos, mestres, gurus, por seu intermédio, alcançamos alguma coisa – e tudo isso é puro absurdo, um meio de explorar a outros. Se cada um de nós fosse capaz de pensar claramente desde o começo, ou de reeducar-se para pensar claramente, todos esses exemplos, mestres, gurus, sistemas, se tornariam completamente desnecessários, como realmente são.
Agindo desta forma, podemos afirmar que não somos indivíduos, e sim meras máquinas de imitar, resultado de um certo meio cultural, um certo sistema educativo. Somos o corpo coletivo, não somos indivíduos, refletindo sinceramente, isto fica muito claro. Todos nós somos cristão ou mulçumanos, isto ou aquilo, com certos dogmas, crenças, o que significa que somos resultado da massa, isto é, da coletividade. Por conseguinte, não somos indivíduos.
É necessário estarmos totalmente descontentes com alguma coisa, para podermos descobrir algo. Mas a sociedade não deseja nos ver descontentes, porque teríamos então vitalidade, começaríamos a questionar, a investigar, a descobrir e, conseqüentemente, nos tornaríamos inconvenientes para ela.
Atualmente, somos meros “equipamentos” repetidores, eventualmente trocando gravações quando pressionados mas, em geral, tocando as mesmas melodias para todas as ocasiões. E é esse repetir constante, esse perpetuar da tradição, a origem do problema com todas as suas complexidades.
Parecemos incapazes de escapar da conformidade, embora saibamos substituir a atual conformidade por uma outra, ou até mesmo sejamos capazes de tentar mudar o modelo atual. Trata-se de um processo constante de repetição, de imitação... e a repetição, seguramente, não irá solucionar os problemas humanos... por intermédio do autoconhecimento, é possível livrar-se desse eterno repetir.
A massa ou coletividade é uma abstração sempre explorada pelo político, por alguém que tem uma ideologia.
Massa ou coletividade, na verdade, é você, eu e um outro. Quando você, eu e um outro estamos hipnotizados por uma palavra, então nos transformamos em massa ou coletividade, que ainda é uma abstração, pois a palavra é uma abstração. A ação da massa ou coletividade é uma ilusão. Essa ação é realmente a idéia sobre a ação daqueles poucos que aceitamos em nossa confusão e desespero. Em razão da nossa confusão, do nosso desespero, escolhemos nossos guias, sejam eles políticos ou religiosos, e eles, também, inevitavelmente, em razão da nossa escolha, devem estar em confusão e desespero. Eles podem assumir um ar de segurança e de pleno conhecimento, mas, na verdade, como são os guias dos confusos, devem estar igualmente confusos, ou não seriam guias.
A palavra indivíduo significa indivisível, não fragmentado. Individualidade significa então, uma totalidade, o todo, e a palavra “todo” significa “são”, “puro”. Mas, nós não somos um indivíduo, porque não estamos são, porque estamos divididos, fragmentados interiormente; estamos em contradição com nós mesmo, partido, e, por conseguinte, não somos de maneira nenhuma indivíduo.
Já se disse que “conhecer a si próprio é a mais alta sabedoria”, mas poucos entre nós têm cuidado disso. Falta-nos a necessária paciência, intensidade ou paixão, para descobrirmos o que somos. Nós temos a necessária energia, mas utilizamos da energia de outras pessoas; precisamos que outras pessoas nos digam o que somos.
Uma das coisas mais estranhas que nos acontece é a facilidade com que nos deixamos influenciar. Desde a tenra idade somos educados como católicos, protestantes, brasileiros, etc. Somos o resultado de uma propaganda incessantemente repetida, e que continuamos a repetir.
Somos seres humanos de “segundo plano”. Devemos nos prevenir para não ser influenciados nem mesmo por estes escritos, já que se trata de minha vida, e não da sua.
Viver das idéias de outras pessoas é uma das coisas mais terríveis que se podem fazer, porque as idéias não são a verdade.
Nossas vidas estão em completa desordem, divididas; vivemos em compartimentos separados; não somos seres inteiros, não-fragmentados. A essência da desordem é a contradição e, havendo em nós contradição, há necessariamente esforço e, por conseguinte, desordem. Vemos a desordem em que se acha a nossa vida, as contradições provocadas por diferentes desejos, propósitos, conclusões, intenções; sendo ambiciosos, ávidos, competidores, dizemos que amamos; sendo egocêntricos, egotistas, estreitos, falamos em fraternidade universal. Estamos sempre a dissimular, e por isso há tanta hipocrisia.
Aceita-se a palavra, a explicação, porque ela conforta; a crença conforta quando existe sofrimento ou um estado de ansiedade. As explicações dadas por filósofos, psicólogos, sacerdotes, gurus, professores – é nessas coisas que as pessoas se baseiam para viver; o que significa que se vive uma vida de segunda mão e estão satisfeitas... Lê-se muito sobre o que outras pessoas pensaram, assiste-se pela televisão o que está acontecendo. É sempre o outro, alguém lá fora, que diz o que se deve fazer. Com isso, a mente atrofia-se e nesta condição sempre vive-se uma vida de segunda mão.
Alguém já se perguntou: “Posso ser uma luz para mim mesmo – não a luz de outrem, a luz de Jesus ou de Buda? Pode-se ser a luz para si mesmo? Isso quer dizer que não existe sombra, pois ser uma luz para si mesmo significa que esta não é apagada por nenhum meio artificial, por circunstâncias, por tristeza, por acidente. Pode-se ser isso para si mesmo? Sim, mas só quando a mente não é desafiada porque está completamente desperta. A maioria de nós, entretanto, necessita de desafios, porque a maioria de nós está adormecida – adormecida porque fomos adormecidos por todos os filósofos, por todos os santos, por todos os deuses, sacerdotes e políticos. Adormece-se uma pessoa e ela não sabe que está adormecida: pensa que isso é normal. Um ser humano que quer ser a luz para si mesmo tem que se libertar disso tudo. Pode-se ser a luz para si mesmo somente quando não existe “eu”. Então, essa luz é a luz eterna, perene, imensurável.

Bibliografia:
- A Busca – Paul Brunton – Edit. Pensamento (
http://www.paulbrunton.hpg.ig.com.br/index.htm )
- Cartas a uma jovem amiga – Krishnamurti – Edit. Terra sem caminho (
http://www.krishnamurti.org.br )
- M. Scott Peck (
http://www.mscottpeck.com )
- Journey Into Christ – Alan Jones – Seabury Press
- Da solidão à Plenitude Humana – Krishnamurti – ICK
- Sobre Relacionamentos – Krishnamurti – Edit. Cultrix
- Fora da Violência – Krishnamurti – Edit. Cultrix
- Perguntas e Respostas – Krishnamurti – Edit. Cultrix

sábado, 28 de junho de 2008

Novo imposto em andamento

Com escassos dois votos de vantagem, apesar de o governo adoçar a boca de deputados liberando recursos para aplicação em suas bases eleitorais, a ressurreição da CPMF por margem tão estreita é sinal de que o presidente Lula, principal mentor da manobra para a volta desse imposto supérfluo a pretexto de assegurar uma fonte estável de recursos para a saúde, já não faz gato e sapato da Câmara. Se com maioria folgada Lula quase se esborrachou, no Senado, onde a oposição fala mais alto e diversos senadores do bloco governista têm postura independente, deverá ser uma pedreira. E há motivos. A mando do governo a Câmara desfigurou a regulamentação da Emenda Constitucional 29, aprovada com folga no Senado. E o fez menos por se preocupar com a saúde e sim para, a um só golpe, atender quatro objetivos. Primeiro, reduzir o que o Senado empenhara do orçamento fiscal para a saúde, 10% da receita bruta, 3 pontos mais que hoje. Estados e municípios em ambos os projetos, do Senado e da Câmara, mantém os percentuais de vinculação orçamentária: 12% e 15%. Segundo, trocar a vinculação do dízimo pela regra já em vigor no orçamento federal com ligeira adaptação, ou seja: a dotação do ano anterior corrigida pela variação nominal do PIB mais a arrecadação da nova CPMF, que foi rebatizada de Contribuição Social da Saúde, CSS, com alíquota de 0,1% sobre as transações financeiras e início de aplicação a partir de janeiro de 2009. Terceiro, ter liberdade para aumentar tal alíquota mais à frente. E, quarto, como não se carimba dinheiro, seguir contingenciando o orçamento quanto seja necessário, até gastar mais em outros fins. O que há é uma miniderrama à custa do álibi da saúde, sabidamente mal servida, sem garantia de que sairá do caos com mais dinheiro, se o problema maior é de gestão, não de obras e equipamentos, como o ministro José Gomes Temporão diz que fará com a receita da CSS. Fez-se isso com a conivência de deputados, a coação do ministro, que um dia denuncia a falência dos hospitais do SUS, no outro ele anuncia a implantação de procedimentos de alto custo e prioridade discutível, como cirurgias de mudança de sexo. E mais as queixas de Lula sobre o desfalque da CPMF, que a arrecadação tributária recorde de cada mês já compensou e deixará um troco. É sob este clima que a regulamentação da emenda 29 será votada no Senado, para onde voltará por ter sido modificada na Câmara, que, de algum modo, quebrou compromissos com as entidades da saúde.
Marotagem para votar
Para tirar da cova a CPMF matada pelo Senado seis meses atrás, o que vários senadores já manifestaram entender como uma afronta à Constituição, cometeram-se várias marotagens. A mais evidente já é candidata a ser questionada no Supremo Tribunal Federal: criar um imposto cumulativo, ou seja, que incide em todas as transações em cascata, por lei complementar e não emenda constitucional. A troca foi por que esta exige duas votações em cada Casa e votos de dois terços dos parlamentares, enquanto basta maioria simples à outra. O senador Francisco Dornelles (PP-RJ), da base governista e que conhece como poucos os meandros tributários, além de ex-ministro da Fazenda, já avisou que a CSS por lei complementar não dá.
Lição do senador Arns
É de um respeitado senador do PT, Flávio Arns, de Santa Catarina, que parte o argumento mais sólido contra o novo imposto. “O senhor merece mais dinheiro”, disse a Temporão durante um evento recente. “Mas então o Executivo que coloque a saúde como prioridade, o que hoje não acontece.” Este é o cerne da questão. Saúde é dos poucos serviços públicos cujo custeio está determinado na Constituição. Seu financiamento lidera a lista de pagamentos prioritários tais quais os da folha de salários do funcionalismo, déficits do regime previdenciário e serviço da dívida pública. Nenhuma dessas contas tem um imposto vinculado, mas a estimativa de seu custeio entra na frente de todos os outros gastos na execução do orçamento.
CSS é uma aberração
Se a saúde tivesse igual tratamento da folha de salários federal e dos juros da dívida, jamais se cogitaria o setor sem recursos. A discussão seria outra, envolvendo as demais atividades assumidas pelo Estado. É esse o argumento do senador Arns contra a tese do governo e é o que o projeto do Senado, do também petista Tião Viana, abraçou. A tese do governo é fraca, e a CSS, uma aberração. Os senadores têm a oportunidade para ensinar aos colegas afoitos da Câmara que, entre a fidelidade ao governo e o compromisso com o eleitor, só se contraria quem lhe paga as contas frente a sólidas convicções. Ela não existe por trás do clone da CPMF, que sugere a máxima segundo a qual a história só se repete como farsa. Até os benefícios criados para disfarçar a má intenção da CSS são meias verdades. Ela não incidirá sobre as aposentadorias, pensões e os salários até o teto dos benefícios da Previdência (R$ 3.088). Mas o seu custo estará embutido no preço de todos os produtos e serviços consumidos pela população. Não há como escapar. Já quem aplica na bolsa e em papéis de renda fixa continuará isento como à época da CPMF, o que se justifica economicamente, mas é incoerente com a missão social da CSS. Há meios mais elegantes para fazer da saúde uma área modelo, além do básico: administração qualificada. (Antonio Machado)
Obs.: Com uma Câmara assim, passa tudo

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O mundo da criança


Todos já pertencemos a ele – o mundo da criança. Já sentimos na própria alma o que se convencionou chamar de “carência afetiva”. Já sabemos o que significa, nos momentos em que procurávamos nosso pai ou nossa mãe, ouvir estas palavras: “Estou muito ocupado agora. Vai brincar e não me amola...” Isso significa, muitas vezes, abrir uma ferida n’alma da criança que a acompanha a vida inteira, sem remédio que a cure.
O que relatamos acima acontece nos lares ditos organizados e no seio da “melhor” sociedade.
Assume, entretanto, características mais graves quando se trata de crianças cujas famílias se desfizeram por motivos subalternos que a rigor não resistem à mais benevolente crítica. Toma, afinal, proporções de aspectos sinistros quando deparamos com as crianças pertencentes à categoria de “marginalizadas” ou completamente “abandonadas”.
Os governos vivem a braços com o grave problema da criminalidade que já está apavorando os doutos na matéria. As autoridades incumbidas de solucioná-lo, em virtude do espantoso aumento do número de criminosos em todo o país, estão impotentes.
Segundo estamos informados, existem milhares de mandatos judiciais de prisão que não podem ser cumpridos por falta absoluta de presídios, os que existem estão com sua lotação excedida muitas vezes, de mais do dobro de presos recolhidos. E isso só no Estado de São Paulo.
No entanto, poucos atentam para a raiz do problema – que é a criança abandonada, pois dela emergem, como todos estão cansados de saber, os criminosos de toda espécie, inclusive os de alta periculosidade.
É urgente a necessidade de um meio de valorizar a vida dessas crianças ainda recuperáveis, lançando na sociedade uma: “CAMPANHA DE PREVENÇÃO DO ABANDONO DAS CRIANÇAS CARENTES DE AMOR”.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Refazer tudo?


Sempre temos o impulso em revidar, explicar que não é bem assim, que tudo é muito difícil. Sempre queremos impor a outras pessoas a nossa restrita visão de mundo. Sempre utilizamos, com maior ênfase, o repertório de negativismo e desesperança que felizmente ainda é escasso. Somos contaminados, por enquanto, pela onda de tragédias sem fim que sabotam nossa profunda crença no sagrado e na beleza do viver. O mundo adulto é cada vez mais metralhado por histórias de violência e horror. A mídia é a principal responsável. Somos cúmplices de atos criminosos, vandalismos, corrupção, catástrofes, guerras. Nossa impotência nos anestesia. Olhamos tudo pela nossa telinha, confortavelmente sentados no sofá da nossa sala, e o que fazemos? Nada. O que podemos fazer? Não sei. Colecionamos um álbum de histórias terríveis e as propagamos nas rodas de amigos, no trabalho e dentro da nossa casa. E o que isso ajuda? Mal percebemos que estamos contribuindo para aumentar o repertório negativo das pessoas a nossa volta, reforçando a crença de que o mundo é um lugar perigoso para viver. Estamos criando essa realidade, que se realimenta com nossas palavras e pensamentos. Estamos tolhendo a esperança e a inocência das nossas crianças. Colocamos lenha na fogueira do horror, em vez de alimentar o fogo da alma, que sempre será maior e mais belo do que isso tudo. Oras! Se o mundo oferece suas duas faces simultaneamente, branco e preto, doce e amargo, luz e sombra, porque escolhemos alimentar apenas sua face escura? Porque teimamos em propagar a desconfiança, com palavras amargas e pensamentos desesperados? A vida é simples. Podemos escolher alimentar a alma, celebrando os pequenos feitos, valorizando as pessoas, crescendo com as diferenças e amando incondicionalmente. Essa atitude cria uma atmosfera de esperança e confiança no nosso pequeno universo, que compõe as peças do Grande Universo, espelhado à nossa imagem e semelhança. Se cada um de nós fizer a sua parte, sabe-se lá se num futuro próximo o mundo e a mãe natureza terão mais a comemorar do que a desdenhar. Será que conseguiremos voltar ao nosso estado original, de confiança e inocência, acreditando que tudo é possível?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Egocentrismo


“Depois da história passar por momentos de teocentrismo e antropocentrismo, a sociedade atual vive o egocentrismo.
Quem vive em São Paulo, por exemplo, ou outro grande centro populacional pode observar: as pessoas que vivem nestes locais são extremamente individualistas. Fácil perceber isso quando estamos no trânsito ou quando somos assaltados. Ninguém parece se importar se você precisa mudar de faixa ou de alguma ajuda qualquer. Isso já é um estilo de vida, que está intrínseco nas pessoas. É divertido perceber que as pessoas não sabem nada, mas dizem que sabem tudo. Interessante ver que pessoa que diz que faz e acontece, quando é interpelada por alguém que sabe mais que ela, fica na “corda bamba”. Faça isso regularmente e irá perceber que as pessoas não sabem o que dizem saber. E fazem isso para manter o ego elevado e dizer: sim, eu sei de tudo! Pessoas que se recusam a aprender mais, a perceber que outros pontos de vistas também são válidos e que nem sempre a regra é a coisa mais sensata, são ignorantes e levianas. É até divertido ver quando alguém quer ensinar o padre a rezar a missa e não tem um ponto de vista diferente. Apenas têm um ego inflado e não pode escondê-lo dentro de si. Pessoas assim devem ser testadas o tempo todo e só os que realmente sabem irão ter seu lugar ao sol daqui há algum tempo. Portanto, o recado deste texto é: EGOCENTRISTAS HÁ VAGAS PARA VOCÊS... por enquanto! “

domingo, 22 de junho de 2008

Embriaguez

Há vários tipos de embriaguez.
Há pessoas que se embriagam com álcool, há os que se embebedam com dinheiro; outros a vaidade. Todos estão errados, pois são vítimas; todos perderam, senão a personalidade, a sua ligação com os espíritos superiores.
O álcool não será inimigo da pessoa se esta não se deixar dominar; o dinheiro, nas mesmas condições; quanto à vaidade, a pessoa, às vezes, a confunde com a satisfação de algo que realizou, julgando que só ela seria capaz.
Para tudo isso falta o equilíbrio, o senso das coisas. Só.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ecologia – Somos parte da Terra


Resposta do cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington ao presidente dos EUA, num belo documento ecológico.
Em 1854, Franklin Pierce, então presidente dos Estados Unidos fez uma oferta a uma tribo indígena para comprar suas terras oferecendo a eles uma “reserva” onde pudessem viver. Esta é a resposta (resumida) do líder da tribo, Chefe Seattle, ao presidente dos EUA. Trata-se de um dos mais belos documentos ecológicos de todos os tempos. Faz já 154 anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade:
“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem – todos pertencem à mesma família. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu ao nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
A terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. A terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. O homem não tramou o tecido da vida. Ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos: nosso Deus é o mesmo Deus. Sua compaixão é igual para o homem vermelho e o homem branco. A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar seu Criador. Os brancos também passarão, talvez até mais cedo que as outras tribos. Contaminem suas camas e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Onde está o arvoredo? Desapareceu.
Onde está a águia? Desapareceu.
É o fim da vida e o início da sobrevivência”.