
Sempre temos o impulso em revidar, explicar que não é bem assim, que tudo é muito difícil. Sempre queremos impor a outras pessoas a nossa restrita visão de mundo. Sempre utilizamos, com maior ênfase, o repertório de negativismo e desesperança que felizmente ainda é escasso. Somos contaminados, por enquanto, pela onda de tragédias sem fim que sabotam nossa profunda crença no sagrado e na beleza do viver. O mundo adulto é cada vez mais metralhado por histórias de violência e horror. A mídia é a principal responsável. Somos cúmplices de atos criminosos, vandalismos, corrupção, catástrofes, guerras. Nossa impotência nos anestesia. Olhamos tudo pela nossa telinha, confortavelmente sentados no sofá da nossa sala, e o que fazemos? Nada. O que podemos fazer? Não sei. Colecionamos um álbum de histórias terríveis e as propagamos nas rodas de amigos, no trabalho e dentro da nossa casa. E o que isso ajuda? Mal percebemos que estamos contribuindo para aumentar o repertório negativo das pessoas a nossa volta, reforçando a crença de que o mundo é um lugar perigoso para viver. Estamos criando essa realidade, que se realimenta com nossas palavras e pensamentos. Estamos tolhendo a esperança e a inocência das nossas crianças. Colocamos lenha na fogueira do horror, em vez de alimentar o fogo da alma, que sempre será maior e mais belo do que isso tudo. Oras! Se o mundo oferece suas duas faces simultaneamente, branco e preto, doce e amargo, luz e sombra, porque escolhemos alimentar apenas sua face escura? Porque teimamos em propagar a desconfiança, com palavras amargas e pensamentos desesperados? A vida é simples. Podemos escolher alimentar a alma, celebrando os pequenos feitos, valorizando as pessoas, crescendo com as diferenças e amando incondicionalmente. Essa atitude cria uma atmosfera de esperança e confiança no nosso pequeno universo, que compõe as peças do Grande Universo, espelhado à nossa imagem e semelhança. Se cada um de nós fizer a sua parte, sabe-se lá se num futuro próximo o mundo e a mãe natureza terão mais a comemorar do que a desdenhar. Será que conseguiremos voltar ao nosso estado original, de confiança e inocência, acreditando que tudo é possível?
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