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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ecologia – Somos parte da Terra


Resposta do cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington ao presidente dos EUA, num belo documento ecológico.
Em 1854, Franklin Pierce, então presidente dos Estados Unidos fez uma oferta a uma tribo indígena para comprar suas terras oferecendo a eles uma “reserva” onde pudessem viver. Esta é a resposta (resumida) do líder da tribo, Chefe Seattle, ao presidente dos EUA. Trata-se de um dos mais belos documentos ecológicos de todos os tempos. Faz já 154 anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade:
“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem – todos pertencem à mesma família. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu ao nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
A terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. A terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. O homem não tramou o tecido da vida. Ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos: nosso Deus é o mesmo Deus. Sua compaixão é igual para o homem vermelho e o homem branco. A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar seu Criador. Os brancos também passarão, talvez até mais cedo que as outras tribos. Contaminem suas camas e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Onde está o arvoredo? Desapareceu.
Onde está a águia? Desapareceu.
É o fim da vida e o início da sobrevivência”.

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